Nos últimos 3 jogos e em especial ontem à noite, vivemos um tenebroso regresso ao passado, por momentos dei por mim a ver, no nosso banco, Quique Flores, Paulo Autuori e outros mais que marcaram uma época negra do Benfica. Com excepção dos intérpretes, os ingredientes estavam lá todos, passividade, insolência, pouca competitividade, péssimo espectáculo, assobios nas bancadas, etc…
Ontem, com excepção do resultado, que serve os objectivos da equipa, tudo o resto foi mau. 90 minutos desesperantes e declarações de Miguel Vitor e Raul José a roçarem o ridículo e a funcionarem como a cereja em cima de um bolo já de si muito indigesto.
Ao intervalo, a dúvida que pairava na minha mente e na de muitos Benfiquistas (penso eu) era – podemos mas não queremos ou queremos e não podemos? – a resposta ainda não é clara mas tende para o pior cenário uma vez que não se trata de um jogo mas sim de um ciclo de jogos que, felizmente, os resultados têm encoberto.
Não sou o mestre da táctica, muito menos um catedrático de futebol, ainda assim permito-me a elencar os pecados efectuados no jogo de ontem:
1º - O Benfica, com sucesso na presente temporada em função dos erros cometidos na época transacta e dada a contratação de um jogador como Witsel, tem abordado os jogos teoricamente mais complicados num 4-2-3-1 (ou um 4-3-3 com variações), onde Aimar, jogando nas costas do ponta de lança, junta-se aos médios (criando supremacia nessa zona do terreno), organizando e municiando uns alas muito dinâmicos. Pensei que o nosso treinador tinha aprendido mas parece-me que não é bem assim. Ontem, ao jeito de Quique Flores, baixamos as linhas e pusemos Aimar a jogar a avançado ao lado de Rodrigo criando um fosso entre o meio campo e o ataque (sem qualquer ligação) com a agravante (também muito usual em Quique) que os alas/extremos pareciam uns matrecos de tão amarrados à posição. Assim é natural que o jogo seja um autêntico bocejo;
2º - Substituições. Inacreditáveis, na forma, timming, nas escolhas. Simplesmente horrível, fiquei com a sensação que se tivéssemos 3 lesões, o Luís Martins, o Gaitan e o Aimar seriam sempre substituídos mantendo-se os lesionados em campo. Se estávamos moribundos, com as opções tomadas desligamos a máquina;
3º - Matic. Dizem que está a melhorar, até é possível, mas defender com os olhos é complicado e, nos golos do Olhanense e Basileia, foi isso que aconteceu. Que saudades de Javi e de Ruben Amorim e, já agora, de Airton.
Ainda assim, se há jogos em que nos é permitido errar em termos de resultado, ontem foi um desses. O resultado não belisca as nossas aspirações na prova, apenas poderá condicionar-nos a abordagem aos próximos jogos, e espero que acorde a equipa para os erros que está a cometer. Para mim, fica a pergunta no ar – Será que foi a má estratégia/táctica que condicionou os jogadores ou terá sido a condição física da equipa que acentuou os erros tácticos/estratégicos cometidos? – Qualquer das respostas não me descansa.