terça-feira, 25 de agosto de 2015

Confiança e competência

O Benfica perdeu em Arouca com uma exibição relativamente pobre mas com a qualidade suficiente para numa situação normal ter, pelo menos, empatado o jogo.

Tenho lido e ouvido muitos adeptos culparem o nosso treinador pelo desaire de domingo relembrando pela enésima vez as maravilhosas e esplendorosas exibições que fazíamos com o anterior treinador. Bem sei que a memória dificilmente perdura para além das 48 horas e muitos dos que hoje desesperam já se esqueceram que em 90% dos jogos realizados fora da nossa casa durante época passada foram, em termos exibicionais, iguais ou piores que o jogo frente ao Arouca. Claro que os resultados foram melhores com algumas, felizmente, poucas excepções o que faz toda a diferença, mas importa é perceber o porquê da diferença nos resultados e se essa diferença é responsabilidade única do treinador.

Em termos exibicionais a pobreza de espectáculo nos jogos da passada temporada e da presente devem-se sobretudo à falta de qualidade do plantel. Sem qualidade não há milagres esteja quem estiver a orientar a equipa. Depois existem factores que podem agudizar ou encobrir essas qualidades ou falta delas que é a competência técnica e táctica do treinador e a confiança com que cada jogador vai a jogo e é nestes dois itens que sobejam dúvidas.
Em função da pré-época a que fomos sujeitos, fisicamente, a equipa está debilitada, isso é notório na falta de explosão que alguns dos nossos jogadores apresentam e isso tem implicações directas na confiança dos nossos atletas. Todo o folclore em torno da saída do anterior técnico, sms, processos judiciais, indefinição no plantel, os resultados da pré-época e pressão acrescida face à desconfiança para com Rui Vitória não ajudam nada. O resultado está à vista e julgo que o treinador não será quem tem a maior fatia de responsabilidade.

Não quero com isto dizer que Rui Vitória não tem errado ou que é um excelente técnico. Sinceramente ainda não se percebeu, existem algumas situações que não me deixam descansado, tais como:

- Indefinição no sistema táctico;
- Alguma incoerência de escolhas para os jogos em comparação com os particulares realizados pelo continente Americano;
- Manutenção de um sistema similar ao do anterior treinador mas sem os pontos fortes deste, nomeadamente transições rápidas e movimentação ofensiva, expondo um futebol que se quer de posse a um futebol directo, vulgo pontapé para frente ou bola nas faixas e despejar a mesma na área sem grande critério;
- Substituições que revelam pouca preparação e aposta na fezada. Não percebo no contexto actual substituições que impliquem o desnorte táctico da equipa: tira defesa esquerdo para por um extremo (que não tem jogado) e posteriormente tira o único médio defensivo para colocar um avançado (acabado de chegar).

Ainda assim acho que devemos de uma vez, interna e externamente, saber mudar a página e seguir o nosso caminho. Com confiança, com exigência, com competência e preferencialmente com vitórias não esquecendo que o anterior técnico esteve cá seis anos e tem uma forma de estar e de trabalhar muito marcante, logo a sua substituição nunca seria fácil e temos vários exemplos por essa Europa fora em que a transição de um treinador com essas características não correu bem. Ferguson, Guardiola, Mourinho só para citar alguns quando saíram no ano seguinte os seus clubes sentiram bastantes dificuldades em voltar ao “normal”. No nosso caso temos várias coisas a nosso favor: Lopetegui; Bruno de Carvalho e uma massa adepta que devidamente dedicada poderá dar o toque que falta ao nosso plantel.
A responsabilidade também é nossa.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O Verdadeiro Perigo


Estes é que são os reais adversários...

Não há tempo para divisões.

Mais do que nunca:

E PLURIBUS UNUM

Viva o Glorioso


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Urge corrigir

Em função do resultado da última noite parece que alguns Benfiquistas que andavam pela internet a enxovalhar outros que vinham alertando, demonstrando alguma preocupação sobre a forma como esta época tem vindo a ser preparada, acordaram e começam também eles a considerar que algo vai mal.

Na semana passada tinha algumas dúvidas sobre as razões que consubstanciavam esta forma de estar, hoje parece-me evidente que o problema é financeiro, logo, muito mais preocupante do que apenas desportivo.

A estabilidade económica, capacidade de investimento em jogadores de qualidade superior ruíram juntamente com o BES. Neste momento o principal objectivo da Direcção passa pelo equilíbrio orçamental, pelo que é necessário reduzir significativamente os custos com vencimentos e naturalmente com a aquisição de atletas. Tal medida do ponto de vista desportivo obriga a uma incursão no mercado bastante criteriosa e a uma gestão do actual plantel bastante cuidada. Conseguir assegurar receitas extraordinárias com as vendas sem diminuir a qualidade do plantel (substituir internamente ou através de aquisição cirúrgica, vulgo, bom e barato).

É perante este cenário que a capacidade dos nossos dirigentes (a estrutura) terá que aparecer e demonstrar competência. Para já não se vislumbra pois a pré-época foi totalmente sacrificada em prol da receita. Foi penoso ver os jogadores em constantes viagens, longe da família, habitat a enfrentarem condições climatéricas muito pouco recomendáveis para a preparação física, técnica e táctica da equipa. Sacrificámos a preparação em prol da receita algo que Rui Vitória acabou por confirmar nas suas últimas declarações deixando no ar a esperança de conseguir, nos próximos dias, corrigir a situação.

Esperemos que seja possível, nestas duas semanas que antecedem o início do campeonato, preparar a equipa para a época. Tenho as minhas dúvidas pois estas primeiras semanas deixaram mossa e temo que a supertaça também o possa fazer se o resultado for negativo, mas vamos acreditar que Rui Vitória tem a capacidade para suprir os erros cometidos até aqui pela direcção com LFV na linha da frente e com responsabilidades acrescidas.