sábado, 27 de outubro de 2012

No Benfica, mais importante do que saber ganhar...


...É saber perder.


A vitória da Lista A é incontestável e a maioria continua, declaradamente, satisfeita com o estilo e rumo que o Benfica traça diariamente e mantém-se resistente à mudança.


Embora a minha consciência permaneça tranquila e coerente desde 2003, confiarei e respeitarei sempre nas decisões soberanas dos sócios do Sport Lisboa e Benfica.

Viva o Benfica ! Muita glória ao seu futuro !


Nota: Fui convidado a participar neste espaço pelo João Tomaz, convite ao qual acedi com todo o gosto. Qualquer comentário ou texto que eu tenha escrito nunca teve qualquer papel propagandista de preparação de uma eventual campanha eleitoral contra a linha da actual direcção - aliás, nunca apoiei Luís Filipe Vieira desde 2003 e fiz questão de não utilizar este espaço nestas duas semanas - e o convite que recebi para integrar a Lista B foi muito posterior à entrada neste espaço. Agradecia, da parte de quem me criticou nesse sentido, algum respeito pela minha pessoa, por quem me convidou e pelo próprio espaço de escrita que partilhamos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Para a frente é o caminho

Votação massiva, a maior de sempre.
Uma vitória conclusiva, clara, sem qualquer margem para duvida.

Depois de saber o resultado retive duas frases ditas pelo nosso presidente na entrevista de Quarta-feira: "sou um homem que aprende com os erros" e "a decisão dos direitos televisivos está tomada, a partir de 2013 teremos jogos na Benfica TV".

Este é o caminho que os Benfiquistas escolheram, só espero que "amanhã" aqueles que escolheram este trajecto não sejam os primeiros a assobiar quando (se) as coisas correrem mal.

Viva o BENFICA

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Eleições

Em primeiro lugar, gostava de apelar a todos os Benfiquistas que não se deixem levar pela ilusão de "sondagens" e não pensem que não vale a pena ir votar porque o resultado já está decidido, mais voto menos voto. Um resultado eleitoral nunca está decidido antes de umas eleições, e todos os votos são importantes. Portanto, amanhã, vão lá e votem. Por favor.

Em segundo lugar, lamento a generalizada falta de nível da campanha eleitoral, de parte a parte, com afirmações e acusações indignas e não fundamentadas de parte a parte. Se da parte de Vieira esse foi um aspecto seu que sempre me desagradou, o juiz Rangel não demonstrou ser melhor. Por aí, estamos conversados.

Finalmente, apesar de alguma vontade de votar em branco, vou votar Vieira. A Lista B assusta-me, e não quero que ganhe. Assusta-me terem aparecido a duas semanas das eleições, vindos do nada (há três anos as várias oposições, de bruno carvalho ao BVV, apareceram, falaram, mostraram-se antes; agora não). Asustam-me as incógnitas, a falta de projecto concreto, as acusações sem provas (da parte de um juiz, é ainda mais grave), e a ideia de que se ganhaseem ao fim de dois meses metade do elenco já se teria demitido, porque nada os une a não ser a vontade de derrubar Vieira.

Por outro lado, lembro-me da obra feita: o excelente complexo despotivo e comercial, com dois pavilhões, etc, sem paralelo em Portugal. O renascer das modalidades de pavilhão; o renascer das equipas de atletismo, fortemente alicerçadas na formação. A recuperação financeira e da imagem e credibilidade do Benfica.

Do outro lado da balança, temos os erros de comunicação constantes; o apoio ao nandinho e ao pereira da arbitragem, por manifesta incapacidade de criarmos e alimentarmos uma alternativa; as amizades com o salvador de braga e o oliveirinha. Tudo coisas arrepiantes, concordo.

A decisão não é fácil, mas entre um caminho que conheço, apesar dos erros, e um salto no escuro, prefiro continuar no caminho, continuando também modestamente a contribuir para a sua melhoria, a denunciar o que acho estar errado, aqui neste blogue, como já o tinha feito na Tetúlia Benfiquista antes, sempre que puder, onde puder.

Se a Lista B é essencialmente anti-Vieira, a sua campanha levou-me à posição contrária - voto Lista A porque me tornei, em duas semanas, anti-Rangel.

Voto Vieira - mas não lhe passo um cheque em branco.

Trocar os VV pelos BB

Eu, votante em Luís Filipe Vieira em 2003 e 2006, me confesso: já não o suporto. Estou farto da sua incompetência para tornar o Benfica num clube vencedor, não confio na sua gestão financeira, arrepio-me de cada vez que fala, não tolero a demagogia e as mentiras, o desrespeito por quem dele discorda, a sua costela pouco democrática, a forma como transformou os associados em clientes. Enfim, gostaria de vê-lo pelas costas. Estou, pois, disposto a trocar o V, de Vieira, pelo B, que eu gostaria que fosse de lista B, mas provavelmente será de voto em Branco (como foi em 2009).

Há anos que anseio pela chegada de alguém que renove a minha esperança, me faça crer que um novo Benfica vai surgir, restitua aos benfiquistas o entusiasmo que tão esmorecido anda, nos tire da depressão em que caímos desde o final da época de 2010/2011. Vieira não é, decididamente, capaz disso. Por cada passo em frente, dá dois para trás. A lufada de ar fresco teria de vir de outras paragens. Vi com expectativa a criação do movimento Benfica Vencer Vencer, há três anos. Tão depressa como apareceu, esvaiu-se. Gostaria, agora, que a lista B representasse o reerguer definitivo do gigante Benfica. Não me parece que o seja. De cada vez que oiço Rui Rangel, só consigo concluir que não reúne condições para ser presidente do Benfica. Certeiros em muitas das críticas que fazem a Vieira, os membros desta lista não conseguem apresentar um projecto que me faça votar neles sem hesitações. A única pessoa que me faz ter vontade de votar na lista B é... Vieira. Por exemplo, a sua intervenção no telejornal de ontem e a forma como se referiu aos membros da lista B é bem reveladora do seu carácter. Só que isso não é suficiente. Tenho muita vontade de votar na lista B, mas eles não se mostraram ainda convincentes para captar os meus 50 votos. Têm 24 horas para fazê-lo ou voltarei a votar em branco e, ainda que de forma indirecta, provavelmente contribuirei para a reeleição de Luís Filipe Vieira. E não o quero.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Voto A porque a B é a não A

Há três anos atrás escrevi o seguinte:

SEXTA-FEIRA, 19 DE JUNHO DE 2009

O Agradecimento a José Eduardo Moniz
Dia importante para o Benfica. Ao fim de muitos anos finalmente surgiu uma alternativa séria e competente. De gravata vermelha e folhas da mesma cor na mão, deu a conhecer ao país o seu benfiquismo e a vontade de o servir no futuro. Inteligentemente sozinho, não permitiu ser confundido com os “notáveis do bota abaixo”. Esclareceu que os seus propósitos serão sempre pela positiva e nunca contra ninguém. O compromisso de não oposição que anunciou funcionará como a boa pressão que todo o poder deve ter para elevar os seus níveis de competência.
Ontem garantirmos o futuro. Os que ficam estão obrigados a fazer melhor. E os que queriam entrar sem merecer nunca lá chegarão. Obrigado José Eduardo Moniz.

Na sexta-feira, estarão a votos a Lista A que conhecemos, com os defeitos e virtudes que a cada sócio caberá atribuir. E a lista B que repete (a exemplo de actos eleitorais anteriores) as frases de sempre de todos aqueles que criticam a actual direcção: "O Presidente foi sócio do Sporting e do Porto"; "O Benfica não pode ter funcionários de outros clubes".

Com muita pena constato que passados 3 anos o Benfica não tem alternativa. A oposição é uma aliança movida pelos ódios que partilham ao actual Presidente e não pela vontade de fazer melhor e diferente. Contrariando aquilo que tanto nos engrandece e distingue dos adeptos dos nossos rivais. Que é as nossas emoções ser movidas pelo amor ao nosso clube e não pelo ódio ao deles. Ou como o João Tomaz brilhantemente os descreveu - "são um não clube". 

Estas eleições também são o reflexo desta realidade. Deviam ser duas listas, mas afinal apenas existe uma. A lista A porque a B é a não A.

Eu voto B... de Benfica

Devido ao facto de pertencer às listas candidatas aos órgãos sociais do Sport Lisboa e Benfica, abstive-me de comentar neste espaço por respeito à sua própria filosofia e não querer fazer dele um lugar de campanha eleitoral nestas duas semanas. Contudo, na véspera do dia que, em condições normais (mas que estatutariamente não está previsto), consideraria de reflexão, venho aqui fazer o democrático apelo à participação de todos nas urnas e manifestar a minha declaração de voto na Lista B...de Benfica:


As eleições aproximam-se a passos largos, faltando já menos do que 48 horas para se conhecer o veredicto final destas importantes eleições. Rui Rangel, líder da Lista B, a qual me orgulho de acompanhar, tem lutado, de forma diária, ferozmente contra o sistema estatutário, contra a propaganda na comunicação social, contra as ofensas da outra lista ou até dos perfis falsos no Facebook. O seu lema é BENFICA AOS BENFIQUISTAS e, nos tempos que se vivem, slogan com mais sentido não poderia existir e é nessa base que subsiste esta minha declaração de voto para sexta-feira.

A incorporação do lema BENFICA AOS BENFIQUISTAS por todos os membros que compõem a lista é, indiscutivelmente, a minha primeira razão para votar B... de Benfica, pois essa premissa, dentro de um clube como o Sport Lisboa e Benfica, deve ser inultrapassável. Primeiro, porque o lema "Juntos pelo futuro", apanágio da outra lista, não é verdadeiro. A lógica de poder de Luís Filipe Vieira é separatista há mais de 9 anos, com quem não pensa igual a si. E, seguidamente, só o simples facto de a Lista B ter vindo assumir publicamente, como o fez por diversas vezes, que a sua lista recusaria sempre comentar capas de jornais com conhecidos adeptos sportinguistas e pessoas como José Mourinho ou Luiz Felipe Scolari, que em nada lhes diz respeito o assunto, a falar sobre a grandeza do Sport Lisboa e Benfica seria, só por si, suficiente para se entender quem quer ter, de facto, os benfiquistas por perto e junto consigo.

Também acerca dos dois pontos mais polémicos desta campanha eleitoral, a Lista B sempre foi mais clara do que a Lista A. No que diz respeito ao reatamento das relações com o FC Porto, esta solução foi apontada na Comunicação Social pelo "soldado" José Eduardo Moniz e nunca pela Lista B. Já Rui Gomes da Silva, outro candidato a Vice Presidente da Lista A, veio afirmar que com ele no Benfica isso não acontecerá, revelador do saco de gatos que é a actual lista da continuidade. A lista B, numa voz única, questionou-se sempre, de forma clara, durante toda a campanha sobre quem é que mandaria afinal na Lista A, sem obter resposta, pelo que se sentiu na obrigação de relembrar todos os benfiquistas que o corte das relações com o nosso rival mais a Norte do país foi uma decisão da Assembleia Geral do Clube, tratando-se, pois, de uma deliberação que iria ser respeitada, até eventual posicionamento contrário dos SÓCIOS do Sport Lisboa e Benfica. A Lista B foi também a única que veio desmentir que alguma vez tenha afirmado que se sentaria lado a lado com Jorge Nuno Pinto da Costa, pois, tal como se escreve em linhas claras no seu manifesto eleitoral, vergonha, no Benfica, é não ser um exemplo, o que, quanto a mim, é novamente uma frase chave que me levará a votar B... pois na Lista B sabe-se o que é o Benfica.

Relativamente à renovação do contrato da Olivedesportos, ao contrário da contra-informação estimulada pelo lado contrário, esta nunca foi anunciada pela lista liderada por Rui Rangel. Desde o primeiro dia, a Lista B sempre afirmou  que a primeira coisa a fazer seria um estudo de viabilidade económica de um projecto autónomo na Benfica TV, assim como a procura da melhor oferta, num concurso público a nível internacional. Acrescentou ainda que, de uma forma séria, deveria ser dado a conhecer, por parte da actual direcção, o contrato vigente, assim como a proposta de renovação  - e daí a importância de um debate antes do dia 26 - , dando a Lista B sempre como garantido aos benfiquistas que direito de opção nunca significará direito de obrigação. Merecem, pois, de novo, repúdio, as declarações públicas de Rui Gomes da Silva. Fazem parte da Lista B inúmeras figuras que combateram Vale e Azevedo (mais do que na Lista A), junto de Luís Tadeu, desde 1997 até 2000, e a pressuposta ideia de "rasgar contratos" é a posição mais "Vale Azevedista" de toda a campanha. 


Importa ainda referir a este propósito que, em palavras ditas pelo próprio, a sua posição contra a Olivesdesportos é pessoal e não institucional, pelo que os sócios do Benfica bem que poderão continuar à espera da posição institucional do candidato a Presidente da Lista A. Logo, por me sentir esclarecido pela Lista B e perante o silêncio da Lista A, igualmente neste domínio, votarei B... pelos melhores interesses do Benfica.

Numa sociedade livre e democrática, da qual a história do Benfica se orgulha de ter ajudado a construir, é inadmissível que se defendam práticas que assassinam o esclarecimento e o confronto de ideias. Ninguém pode estar isento de ser confrontado. Lacaios televisivos de Luís Filipe Vieira ainda manifestaram moral em dizer que a ausência de debate se prendia com a ida do Presidente a Moscovo. Alguém acredita mesmo nisto quando a percentagem de jogos a que o Presidente assiste é muito inferior aqueles que assiste? Mas do lado de Rui Rangel, houve mais uma atitude à Benfica: 
 ofereceu a oportunidade a todos os benfiquistas de "debaterem" com ele na sua sede de campanha, no dia de véspera das eleições, estando disponível para todas as perguntas. Também sobre este domínio da "democracia do clube", no que concerne à questão estatutária, profundamente esmiuçada e crítica por grande parte dos sócios, apenas a Lista B se referiu  também acerca da importância da alteração da sua Carta Magna e, preferencialmente, com a presença de um número muito superior de sócios relativamente aos que decidiram aquele "golpe".

Por último, e não menos importante, a responsabilidade social que um clube como o Benfica representa. A reboque das ideias de Rui Rangel, Luís Filipe Vieira criou uma linha programática de "combate á crise" da qual só agora se lembrou. Depois de no início da época ter aumentado significativamente os valores, alicerçado nas desculpas do aumento do IVA e com campanhas de venda com Javi Garcia e Witsel na primeira linha, baixou agora os valores de red pass e quotas, usando novamente o poder instituído em seu proveito eleitoral. Contudo, novamente, só a posição de Rui Rangel sobre este assunto teve a profundeza devida que o assunto precisaria, até pelas causas que sempre defendeu durante toda a sua vida.  Uma das grandes virtudes da matriz histórica do Benfica é ter sido fundado por um grupo composto por vários indivíduos de origens humildes e de grande diversidade social e não exclusivamente pela vontade de uma pessoa. Quem ainda se lembra do que é o Sport Lisboa e Benfica, sabe que foi do esforço e abnegação de milhares que se fez o Benfica. Foi do "operário modesto que se esquecia das suas próprias necessidades para ir largar o seu óbulo com a alma a transbordar de ternura", como escreveram vários jornalistas, que se fez, por exemplo, o "velhinho" (e esquecido?) Estádio da Luz, inaugurado no dia 1 de Dezembro de 1954. O Benfica fez-se grande por ser simples e do povo. Já era mais do que tempo de se entender que o Benfica se desenvolve socialmente, não apenas empresarialmente. E Rui Rangel - faça-se essa justiça - foi o primeiro a mencionar este assunto.  Não tenho dúvidas de que o B...é que é de Benfica?

Só quem não conhece a história e a grandeza do Sport Lisboa e Benfica  – defensores ou não defensores dos atuais corpos dirigentes - é que não entende que o nível de “debate” e “invocação do passado” a que estamos a chegar é em tudo o inverso daquilo que é e fez o Glorioso: um clube com deferência institucional, democrático, respeitoso da sua (verdadeira) história, sem ofensas e guerrilhas entre os seus adeptos, nacional e que, quando não caminha contra a sua natureza e tem um espírito de liderança intrínseco, é sempre vitorioso.

Considero ainda que Rui Rangel e sua a Lista B estão na primeira linha de uma renovação das classes dirigentes que militam no Benfica, no Desporto e em Portugal. Houve um tempo em que um país inteiro – incluídos estavam os adeptos de outros clubes – reconhecia que o Benfica era uma das poucos instituições que se ultrapassavam a si próprias. Mais do que um clube de futebol, o Benfica sempre foi uma escola de dirigentes e de exemplo para o país. Portugal precisa, hoje e de novo, do Benfica. Mas, para que isso aconteça, o primeiro passo a dar é o de devolver o Benfica aos Benfiquistas, que sabem que o Benfica é eterno e que jamais irá acabar !

Dia 26 de Outubro de 2012, eu voto B... de Benfica ! 


Fernando Arrobas da Silva





Adaptados

Vivemos tempos difíceis, o jogo de ontem foi um preocupante regresso ao passado. Uma equipa completamente esfrangalhada, sem opções, sem chama, sem liderança, garra ou qualquer sinal de melhoria para o futuro próximo.
Temos o pior plantel dos últimos anos que as lesões sistemáticas de Carlos Martins e Aimar acentuam, expondo de forma confrangedora a falta de opções para um meio campo vazio de ideias e sem capacidade de recuperação. As adaptações não convencem nem os próprios colegas, Matic continua a não agradar nos jogos em que é preciso nervo; Enzo Perez tacticamente é pavoroso, abre espaços e parece sempre alheado das tarefas que lhe estão destinadas face ao seu posicionamento em campo; Garay passa o jogo a cobrir Melgarejo o que desposiciona Jardel e Maxi quando não anda em correrias tontas passa o jogo a dobrar Jardel. A tudo isto junta-se uma preocupante falta de criatividade ofensiva onde Rodrigo continua a ser adaptado a uma espécie de número 10 perdendo-se um bom ponta de lança com a agravante de ontem ter como tarefa, em determinadas alturas do jogo, trocar de posição com Bruno Cesar (ninguém percebeu, inclusive os dois jogadores em causa), ou seja, se posicionalmente e defensivamente o cenário é o descrito em termos ofensivos vivemos de repelões protagonizados por Salvio, e que, infelizmente, são cada vez em menor número.
É neste contexto futebolístico, de baixas expectativas para uma época que se antevê longa, cujos objectivos deverão circunscrever-se à luta pelo 2º lugar, Taça da Liga e Taça de Portugal se tivermos sorte no sorteio, que teremos eleições no próximo dia 26/10 (já sexta-feira).
 
Para as eleições existem dois candidatos mas zero alternativas.
 
De LFV espera-se a continuidade, nem sequer se dá ao trabalho de fazer campanha, de assumir alguns erros e propor-se a corrigi-los. Parece que tudo está bem e o futuro é risonho tal como o passado recente. Para ele, temos um Benfica pujante e preparado para as adversidades futuras, financeiras, desportivas, etc… o sol brilha, temos um plantel de sonho e o mestre das tácticas e catedrático do futebol como treinador.
 
Rui Rangel assume-se como ruptura ao caminho que vamos traçando, é oposição há vários anos, está bem assessorado em termos de comunicação especialmente nas redes sociais, blogues, etc…, contudo não consegue disfarçar o desconhecimento de algumas matérias vitais do clube, fruto de uma lista feita à pressa e pouco preparada do ponto de vista financeiro/económico. Tem vindo a melhorar, mas acabou de se afundar ao despedir Domingos Soares de Oliveira – o homem forte das Finanças na Luz e aquele que a meu ver vem salvando LFV do desastre a este nível – sem que se vislumbre na sua lista alguém com peso e com conhecimentos na área que me deixem descansado quanto ao futuro do clube. Propõe tirar Rui Costa da prateleira, reduzir o passivo e negociar os direitos televisivos sem ser com Oliveira. Como? Não sabemos, apenas sabemos que Carraça será despedido o que a meu ver é um bom sinal, mas quem será o seu substituto? Veiga?
 
É tudo de somenos e bastante o mal menor. Existirão 3 botões nas urnas, muito provavelmente apostarei no terceiro botão: o botão da esperança e da ilusão que qualquer folha em branco possa transmitir ao maior sonhador.  

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

E ideias?

Há em qualquer eleição presidencail seja no Benfica ou nos EUA, uma diferença entre o candidato que já é Presidente e o candidato que o quer ser, o challenger. O Presidente em exercício, tem obra feita - boa ou má, cada um terá a sua opinião, mas a obra existe e fala pelo candidato. O challenger tem de apresentar ideias, ideias concretas que demonstrem que vale a pena mudar não só de Presidente como de rumo. Dizer "eu não concordo com isto e isto, vou fazer diferente desta e desta forma, etc". Mitt Romney faz isso. Tem ideias concretas, ouve-se o homem e percebe-se que há uma diferença clara de caminho e objectivos entre ele e o Presidente. Ouço o juiz Rangel e fico na mesma. Para além de balbuciar uns disparates mal informados sobre o passivo e desenterrar o estafado tema da auditoria (parece ignorar que as contas já são auditadas anualmente pela KPMG), que ideias tem o juiz? Não lhe ouvi uma única. Não gosto particularmente de Vieira, desagrada-me quase sempre que fala, discordo de opções tomadas no apoio ao nandinho das facturas, incomoda-me a amizade com o salvador do braga e o oliveira das tvs, mas, que diabo, se a alternativa é esta, não me restam muitas opções.

domingo, 21 de outubro de 2012

Vergonha na cara Sr Presidente !

Corria o ano de 2000, oportunidade única surgia derivada ao facto de haver eleições no Benfica. Eu possuia nessa altura um voto, mas um sócio do Benfica começa por ter um só voto, eu não nasci numa casa em que se nascia benfiquista, mas não se nascia benfiquista nem de nenhum outro clube qualquer, escolhi este clube por a forma digna e diferente de estar no desporto e na sociedade portuguesa. Escolhi ser do Benfica por acreditar em determinados ideais. Escolhi com 6 anos, e só fui sócio aos 27 mas desde essa altura, nunca desisti de ser, imagine só que até sou dos que tem Red Pass, eu e o meu filho que tem 9 anos, e que é um grande benfiquista.
Estes factos nada lhe interessam, eu sei presidente, mas enquanto o Sr vendia o Deco ao porto e almoçava com pinto da costa, um amigo seu, eu estava preocupado com o Benfica, e lutava à porta do Estádio para que o Benfica que eu conheci não desaparecesse. Digo-lhe mais, eu seria incapaz de apertar a mão a esse bandido a esse nojento, quanto mais almoçar ou jantar com ele, se juntarmos a isso a agravante de ser sócio dos Corruptos do porto, eu pergunto quem é você para dar lições de moral aos outros?  Não é o sr que também foi sócio do sporting? E diz-me a mim que é benfiquista? Mas existe algum benfiquista no seu perfeito juizo que se faça sócio de um rival depois de ter mais de 18 anos? Se ainda fosse algum familiar a colocá-lo como sócio, numa altura que fosse menor? Eu compreenderia mas não é o caso!
Como lhe dizia, fui a almoços e jantares da lista de Vilarinho, imprimi panfletos e distribui-os à porta do estádio, angariei dezenas, para não dizer centenas de votos de outros sócios embora só possuisse um voto, e o que é engraçado é que nunca o vi? nem em reuniões nem almoços nem jantares nem em opiniões. E desafio alguém que  o tenha visto.
Por isso, você é passado e pode ser futuro, nem sei se Rangel é melhor, mas esqueça esse pensamento narcisista, você não é um presidente referência, nem nunca será, NUNCA, é só alguém que se está a servir de um património para se promover, tem pouca ética, a prová-lo está o ter trazido funcionários para apoiarem a sua candidatura, a exemplo do que fez Vale e Azevedo.
Para mim é só uma pedra num sapato, que mais tarde ou mais cedo vai sair, é só um espaço temporal que se esvairá na semana seguinte a deixar de o ser, ambos sabemos os seus interesses económicos, o Senhor não passa de um homem de negócios. Um homem de negócios que irá assinar com a Sport Tv quer apostar comigo?
    

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Rival e adversário

Temos oficialmente dois candidatos à presidência do SLB. Os discursos de abertura não entusiasmaram muito, parece-me que uma vez mais não se discutirá o essencial e andaremos a discutir o assessório. 

De um lado, LFV mantém a coerência, o mesmo discurso, a mesma linha dos últimos anos com as virtudes e defeitos que tal acarrecta e que se conhecem. 

Do outro lado Rui Rangel, cria expectativa, alimenta a possibilidade de existirem propostas diferenciadoras e inibe pelo desconhecimento do seu projecto. Do discurso inicial pouco se retirou ficou-me no ouvido uma frase “rivais do Norte ou os adversários da Segunda Circular” o que perspectiva uma linha de actuação. 

Trata-se de uma minudência, mas como já referi será de minudências que, infelizmente, esta campanha evoluirá. Rui Rangel tem no entanto um handicap para ser encarado como alternativa, precisa urgentemente de se demarcar de Veiga, enquanto não o fizer será apenas um candidato e nunca uma alternativa.

Modalidades

Nesta altura que fervilha, e ainda bem, com a campanha eleitoral, não quero deixar passar em claro aquilo que no dia a dia faz de nós Benfica. As cinco modalidades de pavilhão conquistaram os cinco troféus em disputa no início de época - supertaças de Futsal, Hóquei e Voleibol (competições de um jogo só), supertaça de Andebol (apesar do mesmo nome, é uma competição diferentes das outras, com 4 equipas) e troféu António Pratas de Basquetebol (que já nos obrigou a disputar, e ganhar, quatro jogos). Pena o afastamento da equupa de Futsal da Final Four da Taça Uefa, mas não se pode ganhar sempre. Uma palavra para o excelente início de época de uma das equipas que mais tenho criticado nps últimos anos, a de Andebol. Os novos reforços estão a provar a sua importância, nomeadamente o guarda redes espanhol Vivente Álamo, de facto de um nível superior ao que de muito bom temos nesse posto no Benfica e no todo do andebol português. E deixo finalmente uma pergunta: para quando o regressso à Europa nas modalidades de Basqutebol e Voleibol? Tinha muita curiosidade de ver estas equipas contra adversários fortes, que é coisa que por cá vai rareando.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Votos

Tenho lido pela blogosfera alguma consternação pela diferença de votos que cada sócio possui em função dos anos em que é detentor dessa qualidade. A defesa de um sócio equivale a um voto argumenta-se que não são admissíveis graus de Benfiquismo. Obviamente que os graus de Benfiquismo não se discutem, muito menos são mensuráveis, mas não creio que seja essa a equação.

Com a dotação de votos não se classifica o amor à causa mas sim a dedicação temporal a essa mesma causa. 

O SLB existe e provoca alegrias a todos os Benfiquistas (sejam 6 milhões ou outro número qualquer) mas sobrevive graças aos 250.000 sócios (se pagantes). Um sócio com 25 anos antiguidade contribui ou contribuiu mais para o clube que outro que é sócio quando o Benfica ganha e deixa de o ser quando perde. É para mim natural o n.º de votos e de decisão premiar quem, há mais tempo contribui para a grandiosidade do clube. Sem desprimor, sem descriminação entendo-o como prémio e não me parece que desvirtue a essência democrática do SLB.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O clic que falta

O SLB nos últimos 5 anos, comparando com a década anterior, cresceu muito enquanto clube, enquanto equipa de futebol, enquanto marca.

A nossa história é grandiosa, a nossa matriz é a vitória, apesar do crescimento, apesar de voltarmos a ser competitivos enquanto clube (no seu todo) falta-nos sucesso, falta-nos o sabor, aquele delicioso sabor da vitória. 

Vários passos foram dados, alguns acertados, outros nem por isso. Julgo que estamos perto de atingir o patamar que ambicionamos, mas falta algo, falta um clic.
 
Será a dupla LFV e JJ capaz de repor o SLB na senda de vitórias que todos ambicionamos?
 
Cada um terá a sua opinião, e uma vez mais, a variedade de respostas será tão diversa quanto o número de pessoas que versarem sobre ela. Pessoalmente tenho dúvidas, muitas dúvidas.
 
As minhas dúvidas não se prendem com JJ, apesar dos erros (os mesmos de sempre), da teimosia, tem competência suficiente para liderar o Benfica rumo aos títulos.

A grande dúvida, a preocupação centra-se em LFV. O crescimento que mencionei tem muito do nosso presidente assim como o clic que falta. Sinto muitas vezes que LFV está esgotado, no entanto, observo o trabalho nas modalidades e sinto que é esse o caminho, o Presidente reúne condições financeiras e entrega as decisões a quem percebe da poda. A ideia está lá e o sucesso é evidente, seria só transpor a ideia para o futebol, será este o clic que falta, mas que ano após ano tarda e temo que não ocorra, e se o Presidente continuar a ser aconselhado por Carraça, Silva, Carneiro e companhia dificilmente ocorrerá.

Candidatos

Penso que a apresentação de uma candidatura séria de alternativa a Luís Filipe Vieira só beneficiará o Benfica e o debate interno que é desejável que se faça e se possível de forma séria, mas apaixonada........................................................................................................................................................................................................................................................... Aguardo portanto com expectativa o que terá a dizer o eventual candidato Rui Rangel, nomes que integram a lista, etc. No entanto, á partida estranho que uma candidatura apareça assim do nada a duas semanas das eleições. Não percebo. Estarei atento............................................................................................................................................................................................................................................................... Entretanto um dos nomes mais sonantes da anterior oposição, José Eduardo Moniz, vai integrar agora a candidatura de Vieira. Não sei a troco de quê, não sei que compromissos foram feitos. Também não percebo, também estarei atento............................................................................................................................................................................................................................................................... Não gosto particularmente de Vieira, mas a obra apresentada é válida e nalguns pontos impressionante. Qualquer alternativa terá de me convencer que fará melhor. E espero que a discussão não se fique pela eterna demagogia de um "Queremos um Benfica ganhador" e "Queremos um Benfica europeu" e "Vamos contratar o Ibraimovic".......................................................................................................................................................................................................................................................... Estas eleições prometem.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

As contas de Pompeu

Perante a ameaça que chegava a Norte, Pompeu armou as suas carruagens e rumou a Sul, abandonando Roma. E, quando Júlio César, finalmente, chegou, a cidade estava abandonada, mas já era sua…

Muitos se têm questionado, a propósito da última Assembleia Geral que reprovou as contas do último exercício do clube, qual é a lógica de fundo de uma nova aprovação ou reprovação das contas depois do acto já ter sido realizado, como previam os anteriores estatutos. As perguntas multiplicam-se: “Como é que se pode apresentar outro R&C se os custos e os proveitos já foram realizados? Quererá isso, estupidamente, dizer que se devem mascarar as contas ou fazê-las mais bonitas?” Mas antes de chamarmos “estúpidos” aos outros devemos ter o cuidado de não sermos nós a proferir as "estupidezes mais estúpidas"… Se lá estava escrito, não julguemos logo com desprimor quem o escreveu, sem pensarmos um pouco ou informarmos-nos um pouco mais sobre o assunto.

A convocatória de uma segunda Assembleia Geral não se prende com a apresentação de novas contas, mas sim pelo facto de, alertada toda a população com capacidade estatutária de votação do primeiro chumbo, haver uma segunda Assembleia Geral, órgão deliberativo máximo do clube, mais representativa. É uma regra fundamental da democracia, a que se chama “segunda oportunidade” dada, através de uma convocação atempada de 15 dias, àqueles que, pelos mais variados motivos, não se dirigiram à primeira Assembleia, podendo-se, com isso, mudar o rumo dos acontecimentos. Este é um facto que apenas acontece com o Relatório e Contas, o que só por si denota a importância do assunto.

É claro que esta explicação deveria partir dos órgãos sociais do Benfica. Até porque a segunda convocação de uma Assembleia Geral, após sucedido o chumbo das contas, prevalece no Código Civil e não nos Estatutos, que a cada dia mostram mais o carinho e dispêndio de tempo que lhes foi atribuído. Quando os estatutos são omissos, prevalece a lei geral e, neste caso, o Artigo 173º, ponto 1 e 3 do Código Civil.

Assim, moralmente, quem deveria convocar a segunda Assembleia Geral seria o Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica. Este, no entanto, não o pretende fazer, uma vez que as eleições do clube se aproximam e considera que a legitimidade da Direcção pode voltar aí a ser consubstanciada. Nada mais errado. As eleições são, de facto, uma Assembleia Geral, mas é esta Direcção actual, no seu todo, que está a ser avaliada e não aquela, provavelmente liderada pelo mesmo Presidente, que se irá candidatar e que até pode incluir nomes diferentes. Não existe qualquer direito – e é uma enorme falta de respeito – em usar as eleições para o quadriénio 2012-2016 para que se legitimem as contas do triénio 2009-2012, que foram reprovadas.

Uma coisa são eleições para o futuro, para as quais Luís Filipe Vieira tem todo o direito, como sócio, de se candidatar e que até poderá voltar a ganhar, caso seja essa a decisão da maioria dos sócios. Mas outra bem distinta são as contas do passado, que não foram aprovadas, na primeira Assembleia Geral, e sobre as quais já deveria ter existido uma segunda assembleia que, por não ter sido realizada, não se sabe o resultado.

Embora já só se pense nas eleições que se aproximam, isto parece-me, novamente, demonstrativo da falta de preparação que os actuais órgãos sociais do clube têm demonstrado naquilo que diz respeito à cultura associativa, e não singularmente empresarial, do clube

Pelo exposto, e por acreditar nas suas noções de associativismo e cidadania, assinarei, com gosto, a circulante folha de assinaturas que permitirá a candidatura a Presidente do estimado consócio que se encontra no seu cabeçalho… Sendo, até ao momento, a única.


A minha assinatura nessa (saudosa) folha é, essencialmente, uma manifestação clara de que o Benfica necessita muito de ser discutido e de ter outras regras de funcionamento entre os seus dirigentes e os seus associados. E quem contribuir para isso, de forma elevada e distinta, contará com o meu voto de certeza absoluta.

Viva o Benfica !

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ontem

Ontem, na primeira parte, acho que foi um bom jogo de futebol, com equilíbrio evidente nas oportunidades de golo criadas, embora não na posse de bola. Gostei bastante da nossa equipa nessa primeira parte, à qual faltou o que tem faltado noutros jogos - capacidade para concretizar as oportunidades criadas, concentração defensiva em momentos de perigo. Contra uma equipa que nos é superior, essas falhas pagam-se caro. Depois na 2ª parte a equipa foi-se apagando. A entrada de Carlos Martins nada trouxe, e a de Aimar também não, talvez por ser tardia - jogar 30 minutos numa equipa que tem 30% de posse de bola não dá muitas hipóteses a um jogador de poder pegar no jogo e exprimir o seu talento, pois não? É só fazer umas contas simples. Agora quero é ganhar ao Beira Mar.

Os benfiquinhos

Começo a estar farto de alguma blogosfera benfiquista, sobretudo daquela que vive na obsessão de criticar tudo, fruto da aversão que tem a Luís Filipe Vieira e, em certos casos, Jorge Jesus.
Antes de mais, para não haver dúvidas, declaro que votei duas vezes no actual presidente do Benfica: em 2003, quando teve como adversário Jaime Antunes, e em 2006, ano em que não teve adversário, mas fiz questão de me deslocar à Luz, para lhe confiar o meu voto. Há 3 anos, não gostei da golpada eleitoral que protagonizou, e votei em branco. Este ano, fruto da discordância em relação a muitos aspectos da sua gestão, também não darei um voto de confiança aos actuais órgãos sociais ou a quem lhes suceder na lista de Vieira. Voltarei a votar em branco, a menos que apareça alguém que me convença que está ali a solução para o Benfica, no que infelizmente não acredito.

Posto isto, voltemos ao que me levou a escrever este 'post'. Parece-me que há benfiquistas que passam a semana ansiosos por desaires da nossa equipa, para poderem malhar à vontade no presidente e no treinador. O que eles parecem rejubilar quando as coisas correm mal, indo buscar algumas das disparatadas frases que, para mal dos nossos pecados, tantas vezes caracterizam o discurso de Vieira! Amigos: eu também nunca percebi o apoio a Fernando Gomes, causa-me urticária a ziguezagueante estratégia e consequente comunicação (ou falta dela) quanto ao despautério que é o futebol português e, em particular, a sua arbitragem, não defendo unanimismos em volta da figura do presidente, estou preocupado com a situação financeira do clube e da SAD. Sim, também eu acho que Vieira e Jesus têm cometido muitos erros, que temos um 'plantel' desequilibrado e que a planificação da época futebolística esteve longe da perfeição, mas não consigo, qual abutre, colocar-me à espreita de cada vez que a minha equipa joga, para bater se não ganharmos, ou melhor, se não esmagarmos o adversário, mesmo que se chame Barcelona.

Alguns discursos no rescaldo do jogo de ontem são de pasmar. Jogámos só contra a melhor equipa que alguma vez vi e que dispõe daquele que será porventura o melhor jogador de sempre. Gostava que o Benfica tivesse dado outra réplica, evidentemente. Que tivesse sido mais agressivo, menos receoso, mais matreiro, menos submisso. Mas não foi possível. Poderíamos ter feito mais? Sem dúvida. Mal tocámos na bola durante a segunda parte, dando uma sensação de impotência que contraria os nossos desejos? É verdade. Mas isso já aconteceu a tantas equipas... Quando vemos o Messi fazer 'slaloms' entre os jogadores de outras cores, elogiamos a sua capacidade. Se o faz contra nós, perguntamos porque não houve ninguém capaz de lhe dar uma pantufada. Mentalizemo-nos de que o Benfica dos anos 60 já lá vai. Quando comecei a ir à Luz, nos anos 70, ainda Eusébio vestia a nossa camisola, embora já não com o fulgor de outrora, invejava quem tinha vivido essa época. Aliás, ainda hoje invejo. Consegui ver o Benfica em várias finais europeias, assisti à sua agonia e, mais recentemente, à recuperação de alguma glória. Não estamos onde todos gostaríamos. Com a conquista no campeonato de 2009/2010, pensámos que, a partir daí, seria sempre a subir. Não foi, muito por culpa própria, mas igualmente por força do que é este miserável futebol nacional. E não, não temos um benfiquinha. Temos um Benfica que não é tão grande como gostaríamos, que está longe do colosso dos anos 60, que não consegue dar luta ao Barcelona, que se farta de dar tiros nos pés, mas que continua a ser um grande clube. E não, isto não é pensar pequeno, é ter consciência da realidade e reconhecer que não está tudo mal.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Não passa nada...

A poucos dias do terceiro Benfica – Barcelona no Estádio da Luz, as contas do clube chumbaram em plena Assembleia Geral, o órgão deliberativo máximo consagrado pelos Estatutos...E, embora o Presidente da Mesa da AG tenha pedido que se retirem ilações, não passa nada...

Acredito, com sinceridade, que até vamos conseguir, de forma surpreendente mas guerreira, vencer pela primeira vez os ‘blaugrana’ em eliminatórias para a Liga dos Campeões com um golo ao minuto 83 de Enzo Perez na baliza Sul. Para alcançar tal feito, bastará espírito de combate e um pouco da mesma sorte dos últimos minutos da Final da Taça dos Campeões Europeus que vencemos a este mesmo clube, em Berna, no ano de 1961.

‘Más que un club’ apregoa o lema barcelonista no seu Camp Nou. Uma equipa que decidiu chamar a si a glória e atingiu o respeito do mundo só composta por portugueses fez a História do Benfica.

A primeira vez que o Benfica jogou com um jogador estrangeiro no seu onze foi apenas no ano de 1979, cinco anos passados o 25 de Abril e a guerra do Ultramar. Para tal, esse mesmo desígnio teve de ser aprovado em Assembleia Geral do clube e esse momento é reconhecido como um dos mais importantes na sua história. Importa revelar que nessa Assembleia – foi a segunda em que os sócios se tiveram de mobilizar, pois a primeira tinha reprovado esta mesma proposta dois anos antes -, após 8 horas de discussão, registaram-se 472 votantes e perfilaram-se apenas 62 votos contra.

Este domingo à noite quis ouvir com atenção os programas televisão de debate sobre a atualidade desportiva. Inevitavelmente, o tema do chumbo do relatório de contas na AG do Benfica da passada quinta-feira foi abordado...E, segundos os representantes dos adeptos (?) benfiquistas, não passa nada...

“O que são 700 sócios organizados que congeminaram este resultado de chumbo?”, questiona-se um peso-pesado da esfera benfiquista, referindo-se que nem representam 1 % representa de todo o universo encarnado e que aquilo que se passou não foi mais do “uma democracia obsoleta”. É ofensivo ouvir isto de alguém que depois revelou nem ser sócio afinal. E que, por essa mesma razão, nem sequer esteve lá...

Acrescentou ainda que muitos dos presentes se fizeram sócios no próprio dia. Mais um desconhecimento da realidade clubística do seu clube do coração. Os sócios só têm direito a votar após um ano de antiguidade, mas têm direito a participar nas Assembleias Gerais até lá. Embora até consiga reconhecer a existência de algumas ‘trapaças’ e de sócios a votar mais do que uma vez - o que em nada diferenciou os resultados tal foi a inequívoca vontade da maioria dos sócios que lá estavam – a culpa do sistema ineficiente é da própria Mesa da Reunião Magna, que não aceitou a proposta de um sócio no palanque de um modelo de voto diferente em urna fechada ou com entrega do papel correspondente ao seu número de votos na Mesa, ficando o devido nome e número de sócio assinalados.

Apesar de todo este espetáculo, digno de uma total iliteracia democrática, defendeu de forma intransigente os novos Estatutos do clube, com normas que são altos atentados à liberdade aprovados por uma Assembleia Geral que reuniu pouco mais de 100 associados. Já não sei, de todo, se isto é incoerência, ou ‘lambe-botismo’ desenfreado. O que sei é que as contas chumbaram... E, estatutariamente, não passa nada...

Com sinceridade, desde que nasci que, inequivocamente, o FC Porto tem obtido mais vitórias e taças. Contudo, nunca esperei assistir ao mais (mais um!) degradante espetáculo: ver um benfiquista receber lições de democracia de azuis-e-brancos e de gestão e respeito institucional de verdes-listados.

Já mais de 5 dias se passaram desde que as contas chumbaram... E, verbalmente por parte dos órgãos executivos do clube, não passa nada...

Anualmente, como sócio do clube, tenho encargos que sou incapaz de não ter em dia. Pago mensalmente as quotas do clube, anualmente o lugar no Estádio. Fora cachecóis, camisolas, livros e bilhetes para determinados jogos para a família ou para a namorada. Vou, frequentemente, às Assembleias Gerais do clube, sou dono da minha consciência, não me deixo instrumentalizar, não levo petardos e nunca mandei ninguém calar.

Mas exijo respeito por cada cêntimo que pago e ação que tomo, sobretudo se estive até do lado que venceu a votação e chumbou a proposta apresentada. Uma direção que apresenta relatórios de contas na ordem de Milhões de Euros, mas que não respeita 1 Euro que seja gasto por um dos seus associados, é uma Direção que não merece que o seu Relatório de Contas seja passado...

Do alto dos meus 50 votos que tenho aos 28 anos de idade – e que abomino representar (alguma vez sou 50 vezes, 10 ou 2,5 vezes mais benfiquista do que alguém?) -, com esta atitude de informar com mentiras os seus ‘lacaios’ na Comunicação Social e de estratégia de silêncio absoluto perante a justificação que deve aos seus associados, desta Direção não passará mais nada...

Eu confio nos sócios do Benfica e em qualquer que seja a escolha da sua maioria. No entanto, na máxima liberdade da minha expressão, poderei é discordar dela e não ser defensor, de entre outras coisas, que existam normas estatutárias onde se escrevam artigos com termos tão jurídicos como "no entanto" lá no meio.

Nos dias hoje, será demasiado ambicioso querer ser de um clube que seja, de novo, um exemplo máximo, para todos, daquilo que devem ser os comportamentos da vida em sociedade?

Concorde-se, ou não, com esta visão, o ‘meu’ Benfica não se limita a ser uma equipa de futebol. É muito mais do que isso: é uma escola de cidadania que merecia, a cada episódio, outro sentido de partilha, outro carácter, outra paixão, outro afecto e outra honra.

E que, quando assim é naturalmente, dentro do campo vence sempre. Até ao Barcelona.

Interrogo-me

Interrogo-me sinceramente se a diferença que seguramente existe entre o Benfica e o Barcelona, ou mais concretamente entre as suas equipas de futebol que hoje se defrontam, será maior quem em 1961. Acho que provavelmente a resposta será "Não". Em 61 o Barcelone tinha uma excelente equipa e alguns dos melhores jogadores do mundo, como tem hoje. Mas o Benfica de 61 era uma equipa ainda de um profissionalismo incipiente, que Otto Glória tinha começado a implementar pouco tempo antes. A experiência internacional dos seus jogadores era praticamente nula. E ainda nem sequer havia Eusébio. O fosso que o separava de um Barcelona altamente profissional, com jogadores já muito bem pagos e hábitos de treino mais avançados, era enorme. Hoje defrontam-se duas equipas profissionais, ambas apoiadas por estruturas e condições de treino equivalentes, longe do abismo que neste particular as separava em 61. Do nosso lado estão jogadores cuja experiência internacional, em competições de clubes e de selecções, não fica longe da dos jogadores do Barcelona. Por isso não acho que a missão de hoje seja impossível. Muito difícil sim, mas impossível não.

domingo, 30 de setembro de 2012

Últimos apelos às eleições


Nem uma vitória soberana em Paços de Ferreira com um Lima cheio de sentido de oportunidade, que nos permitiu alcançar o primeiro lugar no Campeonato, foi capaz de me conter o sangue quente. Mais de 48 Horas já s
e passaram sobre a Reunião Magna do clube e, mesmo a pedido do Presidente da Mesa da Assembleia Geral de que a Direção retire as devidas ilações, nem uma única alma dos órgãos sociais executivos foi capaz de se pronunciar sobre os resultados. Ao invés, são crescentes por toda a comunicação social os apoios manifestados a uma recandidatura do atual Presidente.

Começou por ser João Rodrigues, ilustre consócio benfiquista, candidato a Presidente do Conselho Fiscal na lista de Luís Tadeu em 1997, que, apesar de ter estado a mais de 30 Km do Pavilhão Nº2 do Estádio da Luz na última quinta-feira, conseguiu ouvir, em alto e bom som, o famoso “petardo”, mas não lhe foi audível o agitador “pouco barulho” de um Vice-Presidente da Direção no palanque. Apesar de "tomar, igualmente, a árvore pela floresta e a floresta pela árvore" e não mostrar a consciência de que os atos de alguns não são o espelho de todos os intervenientes na Assembleia, daqueles que se pronunciaram ontem na Comunicação Social – sobre os restantes pronunciar-me-ei em seguida – é o único, no entanto, que merece todo o respeito na opinião emitida, uma vez que fui o único também que o fez na sua livre qualidade de associado.

Maxi Pereira é, neste momento, o capitão do clube dentro do campo devido à ausência de Luisão. Merece a braçadeira e admiro muito a sua entrega de águia ao peito, mas há assuntos que não lhe dizem respeito. E ao treinador Jorge Jesus a mesma coisa. Tratam-se de dois funcionários, que recebem um ordenado para trabalhar no clube que tiver o Presidente que os sócios elegerem. Não é preciso voltar muito anos para trás para saber reconhecer uma excelente atitude nos silêncios de João Vieira Pinto ou para perceber aquilo que aconteceu a Michel Preud’Homme... 
É certo que esta crítica poderia ser mais extensa, caso se desconfiasse de uma ordem superior. Preferirei não especular, contudo, perante os maus exemplos recentes dos comentários na Benfica TV, dos “detratores” na capa do Jornal centenário do clube ou até o apagar constante de “posts” na página oficial do Facebook que contém comentários indesejáveis, já nada é capaz de me admirar num clube cujos órgãos de comunicação estão ao serviço dos órgãos sociais eleitos e não de uma instituição cujo órgão de deliberação máxima é a sua Assembleia Geral.

Não menos vergonhosa foi ainda a atitude de um caro consócio, de seu nome Fernando Valente, Presidente de algumas Casas do Benfica, um senhor que sozinho, no próximo dia 26 de Outubro, terá nada mais nada menos do que praticamente 150 votos na sua mão, caso se contem os das duas casas que preside e se for, igualmente, um sócio com direito aos poderosos 50 votos que eu também tenho e abomino. Todavia, o mais interessante é que os 100 votos correspondentes às duas casas de que se afirma Presidente, - e também os das outras duzentas e noventa e oito Casas como faz questão de referir - já estão, supostamente, decididos. E isto numa altura em que se desconhecem o número de listas candidatas e, consequentemente, os respectivos membros que compõe as ditas casas não os ouviram e, com certeza, nem se pronunciaram... Estas declarações foram, no mínimo, um atentado à solidariedade institucional que lhes cabe ter por todos os associados, para nem sequer falar nas palavras soberania, justiça, associativismo ou liberdade.

Já tive oportunidade de me pronunciar sobre a Assembleia Geral da passada semana e quais aquelas que julgo que deveriam ser as consequências e ilações a retirar. Pouco me importa a concórdia ou a discórdia das minhas posições. De resto, até sei reconhecer que, se o atual Presidente se recandidatar, contra uma lista que não contenha Bagão Felix num órgão social, irá, muito provavelmente, vencer as eleições. 

Contudo, por muito menos descontentamento, outros Presidentes, como José Ferreira Queimado, não se recandidataram. O Benfica não é um qualquer Governo de Portugal. O Benfica é movido por paixão e julgo que um Presidente não pode criar separatismo quando a sua figura e o seu nome não são consensuais de forma tão evidente. O que representará 51 % ao pé da paz social no clube que se quer reinante ?! Assim, abrir o clube à discussão, de forma atempada, livre e democrática, dando tempo para que todas as listas que decidirem avançar se constituam e, garantindo ele próprio por fazer dos órgãos de comunicação do clube um espaço que todas elas o pudessem utilizar, de igual forma, para esclarecer os sócios dos seus próprios projetos, seria a saída pela porta certa e a demonstração de um “sentido de clube” que, em vários momentos ao longo dos seus três mandatos, soube, reconhecidamente, embora nem sempre, ter. 

Embora o último parágrafo sonhador, todos sabemos que nada disto irá acontecer. Luís Filipe Vieira irá, quase de forma certa, continuar calado e a receber apoios diariamente. Irá concorrer sozinho e com a presença, na sua lista, de dois opositores de 2009, cujos estatutos sociais, desde então, mudaram.

Com sinceridade, quem acredita e vende a história do "mudar por dentro" são só aqueles que ainda têm peso na consciência ao oferecer, numa bandeja, a alma ao diabo. A partir desse momento, para efeitos práticos, esses “senhores”, que integrarão essa lista, passarão a concordar com a política de comunicação da Benfica TV, com o nível boçal dos nossos representantes, com os estatutos em vigor, com o passivo astronómico e com “o Benfica ser um clube para valorizar jogadores, não para ganhar títulos”. No meu entender, esses “senhores”, se queriam ter o respeito dos sócios, tinham de seguir o caminho da coerência e fazer a luta onde ela deve ser feita (nas urnas)... E perder as eleições - conquistando o devido espaço - se fosse preciso !

Restará aos outros elementos do conhecido “Movimento Benfica Vencer Vencer” saberem distanciar-se no devido tempo, que teima em não chegar. E aqui, novamente, o “sentido de clube” também exige uma candidatura deste Movimento. Mesmo que não existam condições de vitória (não haverá mesmo?), os seus membros devem avançar, com nível e elevação, para respeitar o clube e as suas tradições. A formação para a cidadania - outro dos desígnios do Sport Lisboa e Benfica, que não serve apenas para “jogar futebol” - deve partir de quem é capaz de se fazer ouvir. A hora exige ! E, se por um lado, não lhes será incutida a responsabilidade caso não vençam, por outro, o mesmo não poderá ser dito em relação ao legado que, caso não se candidatem, abandonam.


“A penalização por não participares na política é seres governado pelos teus inferiores”, Platão escrevia. Assim, encontro-me cansado de “ouvir falar” em jantares, fiquei obtuso com o espelho de falta de cultura associativa e fico, interminavelmente, impressionado com a infindável gestão de silêncios por parte de toda a gente. 

Acredito, honestamente, que, no Benfica, uma ‘Nova’ Farmácia Franco deveria ser feita com todas as gerações. Julgo, no entanto, que, cada vez mais e perante os acontecimentos, não tardará a chegar o tempo de serem outros, bem mais novos, a fazer renascer, de novo, o mais nobre espírito benfiquista, a refundar os valores do Glorioso e começar no Benfica algo que Portugal tanto precisa: a renovação das classes dirigentes.

Há “jovens”, penso em abstracto, por esse Mundo benfiquista fora, tão mais bem preparados para a gestão adequada e com tanta mais paixão e vontade de vencer. Contudo, esta força só estará apta quando, na defesa da grandeza daquilo que os une, se deixarem de chamar “abutres”, “cegos” e “ridículos” uns aos outros por pensarem diferente. 

Se são o futuro, sejam desde já o exemplo. É este o verdadeiro apelo. 
E que isso concretizar-se seja a maior vitória destas eleições.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sou do Benfica...


Quando se é livre pode ler-se um texto previamente escrito, fazer um discurso populista, enfadonho ou mesmo de improviso. Porém, ser livre é respeitar o próximo onde este é livre também nas suas convicções. 

A mobilização para esta Assembleia Geral já vinha ganhando forma de há umas semanas para cá desde que saíra a convocatória. Todos os dias se apelava à presença nas redes sociais, assim como no contacto dos benfiquistas entre os seus núcleos de amigos. Assim, de forma esperada, a moldura humana não defraudou. Para os sócios presentes, foi como se de um jogo se tratasse. Sem bola e equipamento, mas com palavras e pequenas folhas A5 com números na mão, o resultado final foi uma reprovação do relatório de contas apresentado pela Direção.

A Assembleia começou com pouco pulso do Presidente da Mesa da Assembleia Geral na forma como baralhou os sócios com duas propostas em alternativa para leitura da ata da reunião anterior. Pouco importa dissertar sobre esse assunto, pois a maioria votou claramente contra a leitura, mas não devia ter sido negada a importância de todos os registos das reuniões magnas serem “bem escritos” e com os relatos do que efetivamente aconteceu, sob pena de no futuro não haver história e documentos para a reescrever.

Assim se entrou no ponto quente da Ordem de Trabalhos já com os ânimos exaltados. Mais de 108 anos já se passaram desde que um conjunto de jovens rapazes em Belém se reuniu e comprou uma bola de 1500 réis em segunda mão. Mas, por vezes, não parece. Se, de facto, existiram vários comportamentos por parte dos presentes que devem ser veementemente reprovados, as primeiras palavras na intervenção da Direção, através de um dos seus vice-presidentes, serem um desavergonhado “pouco barulho” não é mais do que uma demonstração do mesmo baixo nível – quando se tinha a obrigação de ser superior pelo órgão social que representa - e uma contribuição, de forma indelével, para o “incêndio” das hostes, o qual se deve, a todo o custo, evitar. 

Importa também referir que uma das características fundamentais de um Presidente líder do Sport Lisboa e Benfica tem de ser a capacidade de comunicação nata, sobretudo com os seus associados. Não deve, de todo, remeter tais temas de vital importância para figuras de segundo plano, ainda para mais para discursos de adormecimento, propaganda e que fogem às questões essenciais.

De seguida, vários sócios quiseram tomar a palavra – sobretudo a criticar o Relatório e Contas - e fizeram-no sem risco ou ameaças. Apesar de uns mais aplaudidos do que outros, houve alguns mistérios e silêncios. O Presidente, no discurso final, foi talvez o mais apupado e começou a fazer adivinhar o que há pouco meses atrás não se faria prever, nomeadamente o resultado de “chumbo largo” que a votação acabou por ter, apesar de um sistema de contagem - e de poder diferencial de voto - claramente ineficiente.

No meu entender, mas uma vez que foi o próprio Vice-presidente da direção, através da tipologia do seu discurso, e o Presidente da Mesa da Assembleia Geral a assim o entender, tudo deveria ter sido feito de forma diferente. As “leis” do associativismo mandariam fazer duas votações em separado: uma votação para a gestão (mais em concreto o “plano de actividades”) e, em separado, as contas do respectivo exercício. Pelo meio, o parecer por parte do Presidente do Conselho Fiscal também deveria ter sido apresentado. Todos sabemos que o que foi “chumbado” - e provavelmente de forma justa (até porque é a maioria da democracia que deve prevalece e não as opiniões) foram as saídas de Witsel e Javi Garcia, os apoios a Fernando Gomes para a FPF, as insuficientes vitórias consecutivas no futebol e as atitudes e incoerências dos órgãos sociais em várias matérias ao longo do seu tempo à frente do clube, e não propriamente as contas do clube que, retiradas as empresas que lhe estão associadas, até manifestaram um lucro de aproximadamente 423 Mil Euros.

Por fim, resta agora entender as consequências. Da própria Direção do clube à porta de eleições e se, esta mobilização que deu um claro “cartão vermelho” aos atuais corpos dirigentes, é capaz de constituir alguma alternativa... 

Independentemente disso, julgo que a Direção, em nome do seu Presidente, deveria por o seu lugar à disposição, saindo "a bem" e com o clube agradecido, abrindo o clube à sua discussão atempada e, caso a mesma “linha” se deseje, legitimamente, recandidatar, fazê-lo - em ambos os sentidos - com outra “cabeça”. Com muitos menos divisão entre os simpatizantes do clube, outros Presidentes o fizeram e, tal como alguém disse, em pleno discurso mobilizador das massas que fez o sangue correr com mais fervor e onde até a Ser Benfiquista se cantou, "só lá vamos todos juntos...". E os benfiquistas estão claramente divididos neste momento. 

PS – Em relação ao petardo lançado em pleno pavilhão onde decorria a Assembleia Geral, tive o mesmo sentimento de desânimo, como aquele imediatamente a seguir ao 2-1 frente ao Liverpool, em casa nos Quartos-de-final da Liga Europa em 2010, quando o Benfica (sim, o Benfica também estava lá hoje!) estava em claro ascendente e prestes a fazer história novamente. Mesmo assim, hoje conseguiu fazer, mas da outra não o fez... O meu voto continua a exigir um “clube de senhores”. E, neste mar de falta de exemplos de um lado e de gestão de silêncios do outro, quem me garante que da próxima será diferente ?



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Cosme em vão



Assisto, impávido e sereno, a muitas acusações entre benfiquistas. Discussões sem elevação no trato e no argumento pouco me interessam. Provavelmente, também pouco me darão essa importância e saberão quem sou, mas, no fundo, tudo o que não é “à Benfica” não merece o meu  “gosto” ou participação com “comentário”.

A liberdade, em democracia, acaba onde começa a dos outros. E este texto não pretende de todo criticar as formas de expressão de cada um e muito menos pretende fazer juízos de valor sobre cada mensagem que cada benfiquista escreve sobre o seu clube. Mas há muito trabalho pedagógico por fazer – que devia ser levado a cabo maioritariamente por quem chefia o clube - sobre o que é o Benfica e também sobre o que é a democracia, no passado “quase” sinónimos indistintos.

Se, por um lado, o regresso de fantasmas de um passado recente tem servido, de forma indecente, como desculpa para que tudo se permita fazer em todos os documentos (estatutos e suas normas sobre regulamentadoras, por exemplo), assembleias gerais, órgãos sociais e de comunicação do Benfica, por outro, o discurso oposicionista não é maduro, preparado e não pode usar, à viva voz, espíritos benfiquistas que não estão entre nós em vão sem conhecer a sua verdadeira história.

Cosme Damião, de facto, sonhou um clube, mas tinha uma concepção de futebol muito diferente daquele que o Benfica é hoje, mas também diferente daquele que era já nos anos 30, 40 ou 60. A adopção do clube para um modelo profissional para o futebol, defendida por uma nova “fornada” de dirigentes em meados dos anos 20 liderada por Ribeiro dos Reis, foi a razão da saída de Cosme Damião dos órgãos sociais do clube. Embora convidado para encabeçar a lista de oposição a Bento Mântua(de quem era Vice-Presidente), decidiu colocar-se à parte por falta de identificação com o modelo "futuro" do Benfica, que foi sufragado pelos sócios, e que mais tarde veio dar ao clube tantas vitórias. Era um ferrenho defensor do amor à camisola e rejeitava liminarmente que qualquer atleta tivesse de ser pago para vestir o manto sagrado do Benfica. Embora a beleza do discurso - e talvez Cosme até tivesse razão tal a podridão que o futebol atingiu, ao longo dos anos e até hoje, por essa vil motivação – o dinheiro e o sucesso do futebol já se tinham tornado indissociáveis.

Apesar desta saída do clube, alguns anos antes, em 1911, como Capitão-Geral dera uma entrevista reveladora da sua ideia, já moderna para a época, do Sport Lisboa e Benfica como instituição e como clube. Desejava uma colectividade eclética, mas sobretudo focada no futebol com infraestruturas próprias destinadas ao seu sucesso. Já imaginava filiais e associações espalhadas pelo país e pelo mundo. E, usando a força motriz do clube, era um feroz defensor da formação e da educação dos sócios e adeptos do ponto de vista cultural, social e recreativo.

Analisando, sem injustiça, os tempos de hoje, julgo que deve ser reconhecido que os últimos mandatos são dos que mais têm ajudado o clube a cumprir as três primeiras ideias de Cosme: a sede do Benfica no Estádio da Luz, o centro de estágios, a aposta nas modalidades, mas com especial enfoque no futebol (apesar dos títulos em proporcionalidade inversa) e o crescimento do número de sócios e de casas do Benfica.

Quanto à última premissa - formação e a educação dos sócios e adeptos do ponto de vista cultural, social e recreativo - é, porém, talvez onde mais estes órgãos sociais têm falhado. Apesar da Fundação Benfica e do seu bom trabalho desenvolvido, o clube que um dia deu lições de associativismo e democracia ao país, está hoje a “deseducar” os seus dos fieis princípios.

A começar pelo desrespeito pela mera ideia de opinião contrária e pelo fomentar de uma guerrilha cujas munições são todo o tipo de epítetos , se há coisa que devemos questionar na vida é porque será que somos os únicos a fazer determinadas coisas ? Será que inventámos mesmo ou outros não fizeram porque não fazia sentido ? Apenas para que sirva de exemplo, usemos a ideia do voto electrónico, consagrado nos estatutos para ser utilizado aquando das eleições para que estas aconteçam em simultâneo por todos os lugares do Mundo.

Embora a ideia de alargar o colégio eleitoral seja interessante, impossibilita que o voto de cada associado seja livre, autónomo e independente . Será por acaso que em todas as democracias por esse mundo fora é precisamente através do voto em papel e do voto com antecedência por correio ("gozar" com o Pombo Correio é, pois, de uma total iliteracia democrática) que se votam as listas ? Existem razões para isso : em primeiro lugar, é preciso garantir a presença de membros de todas as listas (não elementos da Prosegur...) nos locais de voto – de forma a garantir a idoneidade - e porque apenas o voto físico é passível de ser recontado, um direito que assiste a qualquer lista candidata. Outra razão é a possibilidade de existência de "votos nulos" com mensagens escritas que são outra forma de liberdade e democracia e não apenas “brancos” ou “nas listas”.

Os críticos levantarão logo exemplos de outros lugares no Mundo, como no Brasil, que assim também se faz. Nessa jovem democracia faz-se, é verdade. Mas com acompanhamento de voto físico, pelas razões atrás explicitadas. É assim mesmo "essa coisa muito chata", chamada democracia, que precisa de regras claras e frequentemente de muitas horas de espera para se fazer cumprir, pois o voto de cada um tem de ser respeitado.
O Benfica é (e deve ser sempre) uma educação moral e social para as pessoas. É uma associação, movida por paixão, onde todos temos de ter a humildade de aprendemos uns com os outros. Assim, não me sentiria bem comigo mesmo se, antes de me deslocar até à importante Assembleia Geral que hoje decorrerá no Estádio da Luz, não viesse aqui afirmar que julgo que tanto o nome do Cosme Damião, como até o do próprio Benfica, têm sido frequentemente usados em vão como armas populistas de pré-campanha.

Só o conhecimento da história pode mostrar a todos os benfiquistas – defensores ou não defensores dos atuais corpos dirigentes -  que o nível de “debate” e “invocação do passado” a que estamos a chegar é em tudo o inverso daquilo que é e fez o Glorioso: um clube com deferência institucional, democrático, respeitoso da sua (verdadeira) história, sem ofensas e guerrilhas entre os seus adeptos, nacional e, quando não caminha contra a sua natureza, vitorioso.

Eleve-se o nível e o discurso na Assembleia Geral (e todos os dias) !
Viva o Benfica !


Nota: Na fotografia, o jovem com o pin do Benfica é o Capitão de Abril Salgueiro Maia .

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Os bons, os maus e os razoáveis...


Os benfiquistas teimam em esquecer que o seu clube tem mais de 100 anos de História. Por essas “redes sociais” e “blogs” fora fazem-se, diariamente, sondagens, artigos de opinião ou fotografias a criticar o atual Presidente do Benfica e a apelidá-lo como o “pior Presidente da História do clube”, com Manuel Damásio e João Vale e Azevedo a completarem a trilogia.

Alberto Miguéns é, provavelmente, uma das pessoas que mais se dedicou à história do Benfica. Embora eu nem sempre esteja de acordo com algumas das suas análises, sei respeitar o seu lugar como talvez o mais conhecedor da história gloriosa do nosso clube.

Na sua página na Internet, Em defesa do Benfica, na análise que faz aos 32 Presidentes eleitos ao longo de 108 anos de Clube (excluiu o primeiro Presidente José Rosa Rodrigues por ter sido nomeado aquando da fundação do clube), dá especial valor aos títulos conquistados pela equipa de honra da secção do futebol, deixando uma menor importância às modalidades, mas tem sempre em conta, baseando-se numa frase de Joaquim Ferreira Bogalho, a forma como o clube foi “entregue” à Direcção que toma posse e como, passados uns anos, esta o “deixa”. Julgo, porém, que mais dois critérios deveriam fazer parte da análise, os quais irei acrescentar naquela que farei ao longo deste texto: o indelével benfiquismo e a obra “térrea” levantada.

Começando pelos dois Presidentes anteriores a Manuel Vilarinho, Manuel Damásio foi eleito em Janeiro de 1994 e pôs o seu lugar à disposição após três campeonatos perdidos para o FC Porto e uma derrota pesada em Vila do Conde no início da época 1997/98, quando já decorria o seu segundo mandato.

Recebeu a “batata quente” de uma Direção em que o Presidente Jorge de Brito, e seus pares, eram figuras de descrédito na nação benfiquista depois do escandaloso Verão Quente e das rescisões dos contratos, unilaterais e por justa causa, de Pacheco e Paulo Sousa rumo ao Sporting. João Pinto quase seguiu o mesmo caminho, mas um “raide” de Jorge de Brito a Madrid ainda conseguiu evitar a sua saída.

Apesar da falta de liderança e da situação financeira ser preocupante, de Jorge de Brito nunca se duvidou do seu amor ao clube. Era Águia de Ouro, o seu Pai um conhecido benfiquista, tinha sido vice-Presidente de João Santos no mandato anterior e todos sabiam o quanto era capaz de delapidar do seu próprio património em nome do clube, como é disso exemplo a oferta da pista de tartan no mandato de Borges Coutinho.
Mesmo com a confusão instalada, Manuel Damásio ainda venceu esse Campeonato Nacional 1993/94 com Toni à frente da equipa, com uma espantosa vitória por 3-6 em Alvalade, e chegou às meias-finais da Taça das Taças. No entanto, errou – embora na altura ninguém acreditava que a decisão era incorreta – ao despedir o treinador campeão, no final dessa época, substituindo-o por Artur Jorge, Rei em Paris, que veio a desfazer uma equipa campeã ao preterir Isaías, Paneira e Veloso por jogadores como Tavares, Nelo, Paulo Bento e outros.

Na verdade, Artur Jorge também durou pouco como treinador da principal equipa e, na época 1995/96, já foi o seu adjunto Mário Wilson, “bombeiro” de serviço, a vencer a Taça de Portugal por 3-1 frente ao Sporting, final à qual o Benfica voltaria a chegar em 1996/97 com Manuel José, embora, desta feita, derrotado por 3-2 contra o Boavista.

No que diz respeito ao estádio, foi o responsável por trazer conforto ao antigo Estádio da Luz. Embora tenha diminuído a lotação, o novo fosso e as cadeiras vermelhas faziam melhor figura do que o cimento para a exigência dos adeptos perante um século XXI que se aproximava.

Embora extremamente educado, cortês e um senhor no trato, Manuel Damásio não foi capaz de ver para além da poeira dos dias que corriam. Conseguiu fazer ultrapassar o número dos 100 000 sócios, mas era, principalmente, tempo de profissionalizar o clube, pois daí dependeriam as vitórias do futuro. Contudo, tal não se verificou e as entradas e saídas de jogadores ocorriam de forma amiúde, até que uma equipa, sempre às costas de João Pinto, se tornou insustentável. Como bom benfiquista, incapaz de fazer melhor, abriu o clube a ser discutido…

Essas eleições de 1997 são, provavelmente, o maior erro histórico do Sport Lisboa e Benfica. A campanha fabricou um derrotado chamado Luís Tadeu e deu a vitória a um muito “desejado” Pinto da Costa vermelho. João Vale e Azevedo tinha a campanha preparada, pois tinha concorrido contra Damásio pouco tempo antes. Ao sentir a porta “aberta”, venceu as eleições e, em três anos, nunca venceu qualquer Campeonato Nacional ou Taça de Portugal. Sofreu ainda a maior derrota de sempre do clube nas competições europeias e “incendiava” as assembleias gerais do clube com decisões polémicas e duvidosas. Deu pouco apoio às modalidades – embora tenha apostado no ciclismo – e fez tábua rasa à formação futebolística depois de uma noite mal dormida.

Tudo o que Vale e Azevedo fazia era “estranho” e os sócios eram pouco informados. A título de exemplo, de forma súbita, fechou-se uma bancada no Estádio numa promessa vã de renovação quando já se começava a falar da organização próxima de um Europeu em Portugal. Todas as semanas os “ingleses” iam investir no Benfica. E tardava a aparecer o “Benfica à Benfica” prometido em campanha eleitoral.

Isolado dos outros clubes no movimento associativo nacional, desprotegido pela comunicação social e separatista dos sócios do seu clube, tendo vencido com pouca margem de diferença as eleições de 1997, foi, naturalmente, derrotado no ano 2000 por uma maioria silenciosa que deu voltas ao Colombo e ao Estádio da Luz.

No meio de tanta “trapalhada”, veio a ser preso mais tarde por processos relacionados com o Benfica, o que fez pôr em causa o seu indelével benfiquismo, isto é, não ser capaz de pôr o clube à frente do seu próprio benefício. Foi o único caso alvo de expulsão de sócio em Assembleia Geral na história do clube. Avaliando hoje, talvez essa decisão não tenha sido injusta, mas o fantasma criado do “seu” regresso reencarnado por alguém, que ainda hoje se vive, não é mais do que uma repercussão desse sangue derramado...

E foi assim que Manuel Vilarinho encontrou um clube endividado, sem mística e sem o seu jornal centenário, mas com um jovem treinador, de seu nome José Mourinho, a moralizar uma equipa de “operários”, de qualidade duvidosa, mas que logo num dos primeiros jogos do mandato foi capaz de vencer por 3-0 um Sporting campeão em título.

Contudo, por pretensa arrogância do jovem Mourinho, Vilarinho decide substituí-lo pelo seu escolhido na campanha eleitoral, o ex-campeão Toni. Este até esteve perto de alcançar o Boavista no primeiro lugar não fosse aquela bola no poste de Pierre Van Hooijdonk a cruzamento de Carlitos… Mas acabou em 6º lugar e pouco melhor ficou o Benfica classificado nos restantes anos do seu mandato. Não obteve qualquer título conquistado, algo que o seu indubitável benfiquismo não deve perdoar a si próprio.

Todavia, teve como especial mérito o regresso dos tempos de acalmia e fazer os sócios voltar a acreditar, de novo, no futuro… Apesar dos parcos resultados, a SAD começava a ganhar contornos de grupo empresarial e os sócios respondiam às subscrições de capital social. Era também construído o novo Estádio em 2003 para dar abrigo ao Euro 2004. E o clube regressava aos dias de credibilidade.

Importa talvez não deixar de referir que a essência deste novo Estádio em nada se coadunou, à luz do que já vinha acontecendo aos poucos com o antigo, com os princípios de origem social do Sport Lisboa e Benfica. A bancada central dos sócios do Benfica, oriundos de diversas origens sociais, deixou de existir.
O rico “na central (de negócios)” e o pobre “atrás do baliza” não são de todo uma metáfora do Benfica verdadeiro. E a ideia de “clientelismo” criada desde então é uma das mais importantes e das mais atuais críticas dos sócios aos últimos anos de gerência do clube.

Independentemente disso, foram, com toda a certeza, estes últimos feitos do mandato de Manuel Vilarinho que levaram Luís Filipe Vieira, homem forte do futebol desde 2001 e, juntamente com Mário Dias, um dos grandes responsáveis de “levantar” o Estádio, a vencer por larga margem as eleições de 2003.

Luís Filipe Vieira viria a ser eleito por mais duas vezes, nomeadamente nos anos eleitorais de 2006 e 2009, com mais de 90 % de expressão dos votos. Merece, por isso, essa saudação, o cargo que ainda hoje ocupa e deve existir respeito por aquela que tem sido, inequivocamente, a vontade da maioria benfiquista.

Ainda assim, como qualquer outro que represente os órgãos sociais do clube, não está isento de críticas e acima da instituição Sport Lisboa e Benfica, sobretudo em ano eleitoral. E a verdade é que nenhum sócio tem ficado indiferente à forma como é tratado, inclusivamente pelos órgãos de comunicação do clube, quando discorda de algum dos seus atos.

Além disso, mesmo que se reconheçam, sem dúvida, bons momentos na gestão do clube por parte de LFV, tais como a profissionalização das estruturas do clube, o aumento do número de sócios, a proliferação e uniformização das casas, a Fundação Benfica, as contas auditadas (o que - note-se – não invalida os resultados negativos e o passivo “astronómico”), o aumento significativo da qualidade da equipa de futebol-e tudo aquilo que a rodeia, como os departamentos clínicos, observadores e segundas equipas - em relação aos mandatos imediatamente anteriores, os resultados da equipa principal de futebol não são os melhores e são manifestamente insuficientes para este clube vermelho e branco com mais de 100 anos de vitórias: em 9 anos de Presidência de Luís Filipe Vieira, a nível doméstico, o Benfica conquistou dois campeonatos, uma Taça de Portugal (esteve presente noutra final), quatro Taças da Liga e uma Supertaça. No que diz respeito às provas europeias, nunca ultrapassou os quartos-de-final na Champions League e chegou por uma vez às meias-finais da Liga Europa, no ano em que a final foi disputada por FC Porto e SC Braga.

É certo também que a  “refundação” das normas estatutárias não caiu bem à Presidência de LFV. Todos sabem que Luís Filipe Vieira era um desconhecido entre os benfiquistas antes da sua aparição no mandato de Manuel Vilarinho. Mas assim aconteceu também com outros Presidentes e outras importantes figuras que deram enormes contributos para o crescimento do Benfica. Serve disso exemplo o ministro das Obras Públicas, Engenheiro Cancella de Abreu, eleito mais tarde Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Clube, que, em 1946, aquando da sua audiência concedida aos corpos sociais do clube, onde se prontificou a resolver algumas questões com a Câmara Municipal de Lisboa a propósito dos terrenos para a construção do Estádio da Luz, afirmou, sem pudor aos dirigentes benfiquistas: “É só um empurrãozinho; e , se for necessário, eu próprio me farei sócio do Benfica...”. Um simples exemplo histórico de que os 25 anos ininterruptos de filiação associativa não fazem qualquer sentido nos novos Estatutos do Sport Lisboa e Benfica.

Não menos importante, e algo também nunca visto na história do clube, deve ser reconhecido que o levantamento de suspeitas (confirmadas pelo próprio) sobre a sua associação a clubes rivais, tem contribuído para colocar o Benfica à mercê do falatório de adeptos de outros clubes e tem permitido o ato detestável de se estar constantemente a medir o “nível” de benfiquismo entre os benfiquistas e a fazer reinar o desrespeito entre eles.

Relativamente à obra “térrea” levantada, foi construído o Centro de Estágios no Seixal, será inaugurado no próximo mês o Museu do clube e a Benfica TV tratou-se de um projeto pioneiro em Portugal. Mas, o próprio Museu nos fará ver que, ao longo da nossa História, em tempos de normalidade, o mais difícil nunca foi fazer... foi pagar...

Assim, embora já existam vários critérios que podem ser avaliados no presente, a análise do lugar de Luís Filipe Vieira na história do clube ainda não atingiu o seu pico de maturação. Deve, pois, ser realizada com um suficiente distanciamento no tempo, após a sua saída do clube e como a sua Direção "deixará" o clube para a Direcção seguinte .

Será Luís Filipe Vieira de novo candidato nas eleições que se aproximam e ter mais 4 anos de mandato pela frente? Se sim, esses 4 anos farão toda a diferença na sua avaliação como Presidente, podendo vir a ter razão aqueles que incluírem LFV nos "piores", nos "melhores" ou mesmo nos "razoáveis" Presidentes da história encarnada. Mas o correto, para já, parece-me que é aguardar... E analisar a totalidade dos seus mandatos no devido tempo... Ou não votar nele se insatisfeitos.

Em relação a todos os restantes 31 Presidentes eleitos na História do Sport Lisboa e Benfica (excluir-se-ão, propositadamente, desta análise final Luís Filipe Vieira e José Rosa Rodrigues), muito dificilmente algum deles reunirá todos os critérios de forma intocável, sobretudo porque Presidentes em momentos diferentes da história do clube lidaram com problemas diferentes. No entanto, avaliando por critério, os melhores e os piores poderiam ser distribuídos da seguinte forma:

1) Títulos importantes conquistados pela equipa de honra de Futebol :

Melhor: Maurício Vieira de Brito ; Pior: João Vale e Azevedo

- Maurício Vieira de Brito foi o Presidente que contratou Eusébio e o primeiro Campeão Europeu, entre vários outros títulos conquistados. Duarte Borges Coutinho ocuparia, quase com toda a certeza o segundo lugar.

- João Vale e Azevedo não conquistou qualquer título pela equipa principal de futebol, embora o seu sucessor também não tenha conquistado.

2) Situação como “encontra” o clube e situação como o “deixa”:

Melhor: João José Pires ; Pior: João Vale e Azevedo

- João José Pires recebe um “Sport Lisboa” que havia estado perto de ser extinto e entrega-o Campeão de Lisboa em 1910 e responsabilizou-se, pessoalmente, por várias dívidas. Talvez Manuel Vilarinho mereça o segundo lugar como igualmente um dos melhores neste critério.

- João Vale e Azevedo deixa o clube sem soluções na banca, sem dinheiro na tesouraria, sem equipa de futebol, sem jornal e acusado de devedor por parte de vários parceiros institucionais.

3) Indelével Benfiquismo:

Melhor: Manuel da Conceição Afonso ; Pior: Nuno Freire Themudo

- Encadernador de profissão, Manuel da Conceição Afonso foi eleito por 5 vezes Presidente do Sport Lisboa e Benfica numa vida inteira dedicada ao clube.

- Em 1919, Nuno Freire Themudo moveu uma ação de despejo ao Sport Lisboa e Benfica, deixando o clube à mercê de perder todas as suas instalações.

4) Obra “térrea” levantada:

Melhor: Joaquim Ferreira Bogalho ; Pior: Nuno Freire Themudo

- O Estádio da Luz, inaugurado em 1954, só não se chamou Joaquim Ferreira Bogalho porque este não o quis.

- Nuno Freire Themudo pelas mesmas razões escritas no critério anterior.


Para terminar esta crónica, julgo que existe ainda um outro nome que, embora nunca tenha sido Presidente (não o quis!), não pode passar ao lado. A adicionar ao facto de praticamente completar todos estes critérios de análise, ainda tem mais um insuperável: a sua imensa humildade.

De seu nome Cosme Damião, o “Pai” do Sport Lisboa e Benfica, o maior clube de Portugal.