Depois de quase três meses de espera pelo apito final da 6ª Jornada da Liga dos Campeões 2012/2013, o resultado final em Barcelona relega o Benfica para uma Liga Europa, que, após a exibição de hoje, poderá assumir pretensões de vencer.
Nas últimas quatro épocas por esta altura, a grande parte dos adeptos benfiquistas elogia dia após dia o talento do "Mister" Jorge Jesus, não lhe encontrando substituto à altura. "Percebe imenso de bola…Olha tão bem que jogamos…" , "E já viste aquilo que ele fez do Melgarejo…?". Cá estaremos para ver se lá para Março, Abril e Maio o discurso é o mesmo…Esperemos definitivamente que sim.
Ainda assim, na interpretação que faço desta campanha europeia, a culpa da eliminação da Liga dos Campeões pertence-lhe exclusivamente e não a Maxi Pereira ou a Rodrigo por terem falhado golos claros na partida de Barcelona. Não por ter colocado Bruno César em vez de Gáitan ou não ter colocado Cardozo de início - as opções são do treinador e devem ser respeitadas- , mas sim por culpa da falta de ambição demonstrada em Glasgow, em Lisboa e em Moscovo nas três primeiras jornadas desta competição.
"Em resposta aos detractores" como escreveu a página oficial do jornal O Benfica, naquele longínquo dia de Setembro, Jorge Jesus não acreditou numa equipa do Benfica menos desfalcada do que aquela que jogou hoje. Afirmou que os adeptos do Celtic eram os "melhores do mundo" e que o Benfica nunca lá vencera, pelo que o empate seria bom. Sem ambição, aceitou perder dois pontos com aquele que sabia que iria ser o rival directo para a qualificação deste grupo. Em Lisboa, só faltou entrar em campo e pedir autógrafos às "estrelas" blaugrana, numa mensagem clara de que era "impossível ganhar ao Barcelona". Por fim, julgo que nem vale a pena comentar a táctica, a atitude e o meio-campo escolhidos em Moscovo.
Finalmente, na 4ª e 5ª jornadas, o Benfica e o seu treinador se relembraram dos pergaminhos que fizeram do Sport Lisboa e Benfica um dos clubes mais respeitados a nível europeu e dos sacrifícios que os seus adeptos estão dispostos a fazer por ele. Venceu os dois jogos em casa. Contudo, em ambos, o desperdício de oportunidades flagrantes de golo (inclusivamente um penalty de Cardozo) já fazia prever aquilo que aconteceu hoje. E a este nível não se pode falhar em determinadas situações.
No jogo de hoje, em Camp Nou, a pressão alta do Benfica funcionou, o sacrifício dos jogadores foi enorme e merece ser elogiado. Artur foi corajoso, Maxi inexcedível, Luisão competente, Garay extraordinário, Melgarejo surpreendente. No meio campo, Ola John foi desequilibrador, Matic incansável, André Gomes adulto, Nolito voluntarioso. E até no ataque, Rodrigo foi esforçado e Lima lutador. Mas, como sócio e adepto, não posso estar contente. Estou farto e cansado de ouvir dizer que é "muito difícil" e, no fim, verificar que era perfeitamente possível, mas posso ficar apenas "orgulhoso" e de "cabeça erguida".
São demasiados anos a falhar golos destes e a ser sempre eliminado no limite. Lembro-me, ao longo de todos estes anos de juventude benfiquista, de jogos com Juventus (V 2-1; D 0-3), Parma (V 2-1 ; D 1-0), AC Milan (D 2-0 ; E 0-0), Fiorentina (D 0-2 ; V 0-1), Inter (E 0-0 ; D 3-4), Espanyol (D 3-2, E 0-0), Liverpool (V 2-1 ; D 4-1), Braga (V 2-1 ; D 1-0), Chelsea (D 0-1, D 2-1) e tantos outros confrontos decisivos com colossos (e não colossos) europeus, que estavam perfeitamente ao alcance da nossa equipa em dias, como o de hoje, em que a equipa e os adeptos se vestem de verdadeira alma vermelha, mas que não vencemos ou não alcançamos o resultado que nos permitiria ultrapassar a eliminatória.
Admito que ao longo dos anos tenho aprendido a encarar o futebol de forma mais descontraída, não ficando tão revoltado quando os resultados não são alcançados. Porém, hoje, enquanto Cardozo se dirigia à baliza e até Maxi Pereira atirar a bola para a bancada, ajoelhei-me em frente à Televisão e gritei desalmadamente… Eram aqueles anos todos acumulados a sair-me do peito e a libertarem-se da dor…. Após o incrível falhanço ao cair do pano, calei-me durante 30 minutos consecutivos, causando um enorme mal estar a todos os que me acompanhavam em casa. Queria reagir e dizer Benfica sempre, mas não me saia da cabeça o Benfica de sempre, aquele que assisti ao vivo e conheço.
Este texto não é um convite à demissão de Jorge Jesus, que tem obtido alguns bons resultados e que, sem dúvida, é uns dos grandes responsáveis pela elevação do nível futebolístico do nosso glorioso nos últimos anos. Todavia, é um sério apelo a que o Benfica e os seus responsáveis deixem de inventar no onze titular e nas substituições, assumir que relva é relva em qualquer lugar do mundo e que se profissionalizem, do ponto de vista de entender que a este nível são os detalhes que fazem a diferença.
Seria também respeitoso olhar os adeptos nos olhos e carpir com eles estes demasiados anos consecutivos a perder sem merecer, mas por culpa própria.
Nota final 1: O "pseudo" astro argentino que queria fazer história com o Benfica e que os benfiquistas não se cansaram de aplaudir no jogo em Lisboa, como se de um jogo de exibição se tratasse, talvez a partir de hoje pense duas vezes e perceba que não foi por acaso que a "melhor equipa do mundo" também foi destronada em 1961 por um Benfica com portugueses.
Nota final 2: Não é demasiado tempo para o Benfica Lab curar um (simples?) traumatismo na perna do "verdadeiro" astro argentino e que tanta falta nos continua a fazer ?



