segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Como Matic ontem


A análise da história deve ser fria e distanciada, algo extremamente difícil de fazer quando diz respeito a futebol. Existe sempre uma tendência natural de defesa do próprio clube, sem se realizar primeiro a devida constatação dos números e factos.

O Benfica é o clube com mais campeonatos nacionais conquistados em Portugal. Dos seus 32 títulos, conquistou 28 desde a época 1934/35 até 1989/90 e apenas 4 nos últimos 22 anos (1990/91, 1993/94, 2004/2005, 2009/2010), anos em que o FC Porto “dominou” o futebol português.

Nos últimos 22 anos, FC Porto e SL Benfica jogaram entre si 47 vezes para o Campeonato Nacional, incluindo o empate a duas bolas ontem no estádio da Luz. Infelizmente, a estatística não é animadora para o lado encarnado. Enquanto que nos jogos realizados em Lisboa se registaram 7 vitórias para cada lado (destas, 5 do Porto nos últimos 10 jogos na Luz) e 10 empates, com uma ligeira vantagem para o Benfica em número de golos marcados (27 contra 24), o registo no Porto é mais desequilibrado. No estádio das Antas e do Dragão, em 23 jogos, o FC Porto venceu 16 vezes, empatou 5, perdeu 2, marcou 46 golos e sofreu 19.

As década mais hegemónicas das vitórias benfiquistas foram as de 60 e 70 do século XX. Em 21 épocas, entre 1959/60 e 1979/80, o Benfica conquistou 14 Campeonatos Nacionais, (um “bis” em 1959-61 e quatro “tris”: 1962-65,  1967-69, 1970-73 e 1974-77), sobrando 5 para o Sporting (1961/62, 1965/66, 1969/70, 1973/74 e 1979/80) e 2 para o FC Porto após 19 campeonatos de jejum (1977/78 e 1978/79).

Neste período, SL Benfica e FC Porto defrontaram-se para o Campeonato Nacional 42 vezes, entre jogos fora e em casa. Na Luz, 11 vitórias para o Benfica, 7 empates e 3 derrotas, com 37 golos marcados e 20 sofridos. Na cidade do Porto, embora a vantagem azul e branca com 9 vitórias, registaram-se ainda 6 empates e 6 vitórias encarnadas.

Embora com um registo não tão distante para o lado do Porto como nos últimos anos, é visível que defrontar o FC Porto sempre foi uma tarefa complicada, tanto fora como em casa, mesmo nos anos de maior glória encarnada. Todavia, nos anos 60 e 70, a esta equação juntava-se ainda um importante Sporting, que era capaz de arrecadar frequentemente pontos no Porto e vencia habitualmente o FC Porto em casa, apresentado mais dificuldades contra o Benfica nos derbys decisivos.

Sem dúvida que a conquista de campeonatos nacionais em Portugal, onde o desequilíbrio entre os "grandes" e os restantes clubes é mais do que evidente, é essencial conseguir vencer os rivais mais próximos em casa e no limite, pelo menos, empatar esses jogos fora.

Atualmente, deve juntar-se a estas contas também o Sporting de Braga. De facto, neste campeonato 2012/2013, dos 9 pontos que o Benfica já disputou com Braga, Sporting e Porto, conquistou  apenas 5. Neste mesmo “campeonato dos grandes”, o FC Porto arrecadou 7 pontos. 

Embora se deva ter em conta que o Benfica irá defrontar o Sporting (de Lisboa) em casa e o Porto deslocar-se-á a Alvalade, o inverso se passa frente ao Sporting de Braga, clube contra o qual o Benfica já perdeu 2 pontos em casa. Além disso, toda a tradição tem a sua deriva e desde ontem que já se começaram a guardar “as bolas de golfe” para se atirar para dentro do campo na penúltima jornada quando o Benfica se deslocar ao terreno do dragão.

Por coincidência ou não, a última vez que o Porto empatou 2-2 na Luz na primeira volta de um Campeonato Nacional, foi no memorável Campeonato Nacional 1990/91. Na 2ª volta, o Benfica ia na frente do campeonato a poucas jornadas do fim, mas ainda faltava a visita ao estádio das Antas.  

Nesse tempo, a guerra ‘Norte-Sul’ já conhecia os seus dias e eram intensas as trocas de galhardetes entre os dois clubes. Os dias que antecederam esse jogo foram repletos de declarações incendiárias e inclusivamente  ameaças de morte ao presidente do Benfica João Santos. No próprio dia de jogo, o balneário tinha um cheiro nauseabundo ‘a bagaço’ de forma a obrigar os jogadores encarnados a equiparem-se no túnel e nos corredores do estádio, ao mesmo tempo que eram ofendidos por dirigentes portistas. No fundo, uma triste representação do expoente máximo do ridículo que a rivalidade pode atingir.

Dentro do campo, o empate foi-se mantendo. Nos últimos minutos, o FC Porto, uma vez que precisava da vitória, foi-se balanceando mais no ataque e começou a abrir espaços atrás. Eriksson, atento, não se faz rogado e colocou  César Brito em campo e numa jogada de contra-ataque, Vítor Paneira chegou à linha de fundo, cruzou ao primeiro poste e o sentido de oportunidade do número 15 fizeram o resto. Não convencido, poucos minutos depois, lançado por Valdo em velocidade, bateu a defesa e sentenciou o jogo com o 0-2 que permaneceria até ao final.

Tal como nesse glorioso dia 28 de Abril de 1991, é tempo de deixar de fazer contas. Mesmo depois dos 4 pontos decisivos perdidos em casa frente aos adversários mais perto na tabela, continuamos em primeiro. Com concentração, sem desculpas e sem complacências, preparemo-nos já para jogar para ganhar em todos os campos.  

Nas lutas intensas, é a capacidade de sacrifício, a vontade de vencer e o espírito que faz os campeões nos momentos decisivos que prevalece sempre e faz com que os títulos sejam merecidos. Como Matic ontem e César Brito em 1991, assim queiramos todos e seremos com certeza campeões no dia 12 de Maio de 2013.

Até ao fim, por um campeonato à Benfica cheio de instantes memoravelmente gloriosos. 





Charutada

Uma vez mais não ganhámos um jogo frente ao fcp na nossa casa.

Mais do que não ganhar, que pode sempre acontecer até porque o adversário tem valor, preocupa-me a forma como jogamos ou como não conseguimos jogar. Com uma diferença abismal na luta do meio-campo (5 contra 2), reforçada pelo facto de a defesa ter jogado bastante subida reduzindo em muito o espaço por onde os nossos deveriam ter andado, o fcp controlou todo o jogo, ainda que tenha sido completamente inofensivo (sem James não têm qualquer criatividade ou capacidade de provocar desequilíbrios).

O Benfica nunca conseguiu pegar no jogo, não conseguiu construir em termos ofensivos, não conseguiu ter bola, limitou-se a jogar aos repelões individuais mesclando com charutadas para a frente e corre Cardozo. Muito pouco para aquilo que sabemos e podemos fazer. Foi notório um complexo psicológico que teima em toldar as nossas qualidades. Artur, Maxi, Garay, Melgarejo, Enzo e Lima foram demasiado maus para o que se exigia de um jogo com estas características. Salvaram-se Matic e Jardel, que estiveram a um bom nível, enquanto os restantes foram cumprindo sem deslumbrar. JJ também não esteve ao seu nível, não conseguiu desatar o nó táctico presenteado pelo adversário e, nas substituições, acabou por não ser feliz (tardias e pouco certeiras).

Em meu entender salvou-se o resultado, que acaba por não ser péssimo pois permite-nos continuar em primeiro com legitimas possibilidades de conquistar o título, contudo urge corrigir os aspectos psicológicos que afectam os jogadores neste tipo de jogos. Quinta-feira temos um jogo importantíssimo num campo onde não temos sido felizes e o jogo em Braga está à porta.  
 
PS: É impressionante a capacidade física evidenciada pelos jogadores do fcp, com enfoque principal em Moutinho que, tendo jogado na quarta-feira, ontem dizimou todos os jogadores que encontrou pelo caminho. À atenção dos atletas olímpicos: Americanos, Chineses e Russos, estudem, perscrutem as metodologias de treino praticadas por aquela gente, há por ali muita capacidade.

Factos

Facto 1: Em três épocas e meia com Jorge Jesus, temos uma vitória em sete jogos (!) com o fcp para o campeonato.

Facto 2: Nos dois jogos em casa com as duas melhores equipas nossas adversárias do campeonato, fcp e braga, empatámos ambos.

Parece-me um registo pobre e que deve servir para reflectirmos, todos, na forma de o melhorar. Receio que a continuarmos assim os esperados títulos possam não aparecer.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O pior jogo do ano

Nunca mais é domingo. A ansiedade para que chegue as 20h15 do dia 13/01/2013 é enorme, só superada pela ambição que chegue ainda mais rapidamente as 22h00 (mais coisa menos coisa) desse mesmo dia.

Os jogos frente ao fcp na Luz são, para mim, o pior jogo do ano. Não são 11 contra 11 e uma bola, trata-se dos nossos contra os outros, pelo meio uns Srs. que antes vestiam de negro a desequilibrar um jogo que, por si só, costuma pender para o outro lado. Trata-se de um jogo que, por norma, os nossos sentem-se pressionados e os outros sentem-se motivados. Trata-se de um jogo que é importantíssimo ganhar mas que por norma tal não ocorre. Trata-se de um jogo que se terminar em vitória dos nossos, significa, ou tem significado, vencer a competição subjacente a esse jogo. São 90 minutos de luta, nervosismo é certo, mas são 90 minutos que, apesar das inúmeras contingências possíveis de ocorrer, deverão significar, para os adeptos, força, crença e muito apoio. Deverá significar estádio cheio a gritar, em uníssono, VIVA O BENFICA!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Assim não dá

Perdemos a liderança do campeonato de hóquei, e podemos ter comprometido o título, ao perdermos uma vez mais em casa com o fcp.

Mais uma vez, neste jogo, foi problema fundamental na nossa derrota a incapacidade total em converter livres directos e penaltis. Foram três, que convertidos nos dariam a vitória.

A mesma triste história, aliás, que já tinha acontecido nos empates em casa com o Paço de Arcos e com o Viareggio.

Este é um problema que se arrasta há anos. Há duas épocas, perdemos o título também com uma derrota em casa com o fcp, num jogo em que, se bem me recordo, falhámos seis dos sete lances destes de que dispusemos. Converter metade já teria dado a vitória, e o título.

Curiosamente, a época passada foi a única na qual o problema foi bastante atenuado graças à presença na equipa do Sérgio Silva, que raramente falhava bolas paradas. Resultado: fomos (somos!) Campeões Nacionais. Não pode ser coincidência!

Desde a implementação das novas regras que estes lances, que sempre forma importantes, se tormaram fundamentais. E enquanto não resolvermos o problema, parece-me difícil que consigamos conquistar títulos de forma consistente e continuada.

Espero que os responsáveis técnicos vejam o que se passa e corrijam isto quanto antes. Se não é possível melhorar o nível técnico e psicológico dos nossos jogadores para inverter a situação, então acho que é urgente identificar no mercado nacional ou internacional alguém que seja um especialista comprovado, e contratá-lo. Nem que não faça mais nada, valerá a pena.

Estpu convencido que está aqui a grande diferença entre ganhar ou não ganhar. Porque a nossa equipa tem muita qualidade, excelentes jogadores, e faz quase tudo bem, excepto "isto" das bolas paradas.

É este o "quase" que falta! Corrijam-no, por favor, e o mais cedo possível!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Carta aberta ao Senhor Doutor Paulo de Andrade


 Lisboa, 1 de Janeiro de 2013


Exmo. e Respeitoso Sócio do Sporting Clube de Portugal,
Comentador no Programa Dia Seguinte da SIC Notícias,
Senhor Doutor Paulo de Andrade,


Assunto: Ser do Benfica e ser do Sporting é diferente.


Aquilo que nos move para a escrita desta missiva prende-se singularmente pelo respeito que é devido a cada cidadão na vida em sociedade, independentemente do clube que se escolhe.

Uma posição de destaque em horário nobre na televisão portuguesa deve ser, em princípio, consonante com elevação no discurso. Logo, partir de forma acesa para a deselegância com aqueles que não conhece é, por certo, a pior forma de defender os “seus”.

Senhor Doutor,

Em nenhuma das linhas do livro 100 Histórias à Benfica (ou as “Histórias do Pai Natal” ou as “Anedotas do Pai Natal”, como de forma tão deselegante a ele se pretendeu referir) existe o desrespeito para com o Sporting, a sua história ou qualquer um dos seus representantes, como aquele que manifestou para connosco.

Na verdade, o livro que orgulhosamente escrevemos nunca teve a pretensão de ser um livro de história. Ao invés, trata-se de um livro de dois adeptos sobre histórias do nosso clube. Todavia, existe nele algo que ninguém lhe poderá apontar: falta de rigor nos dados históricos apresentados.
Nenhum benfiquista, que preze a sua história, desconhece a influência que o jovem fundador do clube verde e branco, José Alvalade, financiado pelo avô Alfredo Augusto das Neves Holtreman, o primeiro e único Visconde de Alvalade, ia tendo no desfecho do clube encarnado logo nos primeiros anos de existência.

Embora frequentemente vitoriosos – como é disso exemplo a grande vitória sobre a potência futebolística da época, o Carcavellos, por 2-1 em 1907 - os jogadores do Grupo Sport Lisboa, “cansados” de tomar banho no poço e de se vestir e despir na rua para os jogos, cederam a uma proposta “milionária” de balneários e duches de água quente do Sporting, que julgaram muito mais condizente com o seu estatuto social.

E foi assim que José da Cruz Viegas (o entusiasta que escolhera a cor vermelha para os equipamentos em 1904), os irmãos António e Cândido Rosa Rodrigues, Emílio de Carvalho, Albano dos Santos, António Couto, Daniel Queirós dos Santos e Henrique Costa começaram a equipar-se de verde e branco.

Não sei se V. Excelência tinha conhecimento sobre este facto, mas foi com essa deselegante atitude de tentar compor, pelo poder do dinheiro, a primeira equipa principal do seu clube, que tinha sido fundado no ano anterior, que se temeu seriamente pelo futuro do Sport Lisboa. Este, após a fusão com o Sport Benfica, veio a dar origem ao Sport Lisboa e Benfica, a 13 de Setembro de 1908, graças ao esforço dos “sobrantes“ Cosme Damião, Marcolino Bragança, Félix Bermudes, entre outros.

É desta história (e de outras parecidas que se passaram nos anos 10 e 20) que nasce a frase REAL de Cosme Damião sobre dinheiro e dedicação, citada directamente do nosso livro pelo Dr. Rui Gomes da Silva, que deu origem ao intenso debate no programa de segunda-feira.
De facto, a grandeza ou a pequenez dos clubes nasce logo com as suas origens, mas a avaliação delas faz-se no presente. Assim, não deixa de ser notável verificar aquilo que um clube que nasceu pobre e humilde, sem campo próprio e que comprou a sua primeira bola em segunda mão por 1500 réis, como o Benfica, veio a alcançar, e o estado em que o Sporting, um clube que nasceu rico, dono do seu campo e que apresentava bolas novas em todos jogos, vive actualmente.
A terminar, citamos ainda aquilo que escreviam os estatutos do Sporting Clube de Portugal que vigoraram até à década de 50 do passado século:

“O Sporting Clube de Portugal é uma associação composta por indivíduos de ambos os sexos, de boa sociedade e conduta irrepreensível.”

Infelizmente, verificada a história e pela deselegância das palavras que proferiu em relação a algo que nem sequer se deu ao cuidado de ler, é um preceito que, ao que parece, apenas se prende ao papel.

Esperamos que V. Excelência não se esqueça também que o espaço para o nosso direito de resposta para a sua desagradável afirmação é reduzido, servindo a presente missiva para o efeito. Ficaremos na esperança de algum tipo de retratamento daquilo que, embora notoriamente a quente, de forma tão imprudente, fez questão de dizer.

Ser do Benfica e ser do Sporting é completamente diferente.
E, por isso mesmo, despedimo-nos com desportivismo e com os desejos de um ano novo melhor do que o anterior,

Fernando Arrobas

João Tomaz






terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Feliz Natal à Benfica




http://www.facebook.com/100HistoriasABenfica

Desejo de Natal

Em pleno dia de Natal, para além dos desejos naturais de boas festas a todos os Benfiquistas e rogar para que lá para Maio nos juntemos todos a festejar a Dobradinha, peço silêncio. Não peço um silêncio qualquer, apenas o de LFV.
O nosso presidente uma vez mais, quando estamos em "alta", anda por aí em ataques bacocos. Se da menção às arbitragens nada há a opor, os ataques a Helton, fcp de uma forma generalizada são um erro. Eles alimentam-se destes expedientes para cerrarem fileiras, nós não precisamos disso. Concentre-mo-nos em nós, falemos nas alturas devidas das questões de arbitragem e deixemo-nos de comentários e discursos inflamados.

PS: A contratação de um defesa esquerdo e de um médio seria uma medida muito interessante.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Olha, olha...

... o mais reles parece que finalmente encontrou quem o pôs na ordem; e já anda o coro de virgens solidárias e ofendidas numa roda viva...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Do Verão ao Natal... e na Páscoa?

Benfiquista, procura recuar, por exemplo, a 20 de Agosto e imagina que te diziam o seguinte: "até ao Natal, vai acontecer isto à tua equipa: ficas definitivamente sem o Javi Garcia, o Witsel e o Saviola; o Luisão estará indisponível dois meses e meio; não contarás com o Aimar e o Carlos Martins; o Gaitán, o Nolito e o Bruno César estarão em péssima forma; e, por último, terás alguns jogadores com lesões menores". Como pensarias que estaríamos nesta altura? É em momentos como este que penso que o Jesus é o melhor treinador para o Benfica. Agora, temos um último desafio em 2012 e um Janeiro cheio de jogos e decisivo (pelo menos, nas taças). E, depois, os meses que costumam ser piores com Jesus: Fevereiro e Março. Será que daqui a 3 meses, ainda pensarei o mesmo do nosso treinador ou voltarei àquela fase em que só me apetece vê-lo pelas costas?  

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Evangelista primário

O presidente do sindicado de jogadores de futebol sofre de anti-Benfiquismo primário. Sempre que pode, aí está a atacar o Glorioso.

Agora resolveu a despropósito intrometer-se mais uma vez na vida interna do clube e nas escolhas do nosso treinador.

Aparentemente, a questão dos jogadores portugueses apenas preocupa este atrasado mental no que diz respeito ao Benfica. Das suas declarações depreende-se que todos os outros clubes portugueses apostam imenso em jogadores lusos, só o Benfica e Jorge Jesus é que não.

Ignora este imbecil por exemplo a realidade da nossa equipa B, onde o plantel é formado em grande maioria por portugueses, ao contrário do que aocntece noutros clubes.

Se eu fosse o Jorge Jesus, aplicava a lição do Eça - há coisas que só se resolvem mesmo com umas bengaladas...

É que não há pachorra!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Regresso das negociatas entre aldrabões

Após alguns dias de boataria em surdina, pudemos hoje constatar em notícia de primeira página na imprensa desportiva e não só, uma possível negociata envolvendo tripeirada e lagartada.

Conhecendo como os corruptos costumam trabalhar estas coisas, estou certo que a contrapartida para a chegada de Izmailov não será apenas financeira. No passado envolveu troca de jogadores, a possibilidade de conseguir uns 2º lugares e até umas taças, contudo agora existe o Braga, pelo que, resultados desportivos minimamente interessantes já estão destinados. Restará providenciar uma guerra aberta connosco que desvie atenções? Ou será que entrada VIP do macaco no W/C já faz parte do pacote?

Aguardemos os desenvolvimentos e estão abertas as apostas para o jogador que fará o caminho inverso: eu aponto a um Internacional que recentemente se falou que poderia vir para a Luz.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O pormenor da ambição

O Benfica tem vindo, no decorrer da presente temporada, em especial nos últimos 9/10 jogos, a conseguir resultados e até exibições muito interessantes. A equipa está mais equilibrada com principal evidência no processo defensivo. Essa melhoria sente-se, e os benefícios são evidentes, sofremos poucas situações de perigo, logo sofremos menos golos o que redunda em maiores possibilidades de vitória, o que tem vindo a ocorrer. 

Se nos cingirmos, em termos de análise, à Liga Xistra e amigos verifica-se um êxito quase total, os dois amargos de boca (Braga e Académica) estão intimamente ligados às dicotomias visuais que assolam os elementos que “pugnam” pelo cumprimento das leis do jogo.  

Se alargarmos a nossa análise às provas Europeias, é justo dizer que o objectivo não foi cumprido. Não o foi por culpa própria, por um problema de estratégia/ambição face a dois jogos nucleares (Celtic e Barcelona) com continuação no jogo de ontem. Se compararmos o jogo de Glasgow e o de Alvalade na abordagem inicial, verificamos inúmeras semelhanças: gestão do jogo, contração, inibição, um jogo sonolento sem ambição para impor em campo a nossa superioridade. Demonstrámos estar satisfeitos com o zero a zero. Se em Glasgow e até Barcelona o arrastar do resultado permitiu manter a cadência e até acentuá-la, ontem tivemos a sorte de sofrer um golo. Esse aspecto, teoricamente negativo, foi o clique para partirmos para mais, muito mais, quer em exibição mas fundamentalmente resultado.

É um pormenor que importa rever, respeitar sempre mas com ambição e crença na vitória, principalmente perante adversários que nos são manifestamente inferiores independentemente do local do jogo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Chuva... de golos


O futebol já não é o que era. Basta uma carga de água ligeiramente mais forte do que o habitual e os jogos são imediatamente cancelados. A culpa nem é talvez dos jogadores, treinadores e dirigentes dos clubes, pois pertence aos árbitros e aos delegados aos jogos - quais paladinos da verdade desportiva e defensores dos espectáculos "milionários" das competições internacionais - a decisão final sobre a realização das partidas. Todavia, em todas as situações, sobre quaisquer declarações proferidas recaem naturalmente as devidas análises e consequências.

Ao que parece, devido ao adiamento do "decisivo" jogo contra o Videoton, o Sporting rejeitar-se-á a participar no jogo frente ao Benfica se este não for adiado mais um dia. O erro institucional de não tentar abordar primeiro os órgãos sociais do Benfica é grave e desrespeitoso. Porém, na verdade, todos sabemos que o derby da próxima segunda-feira não começou a ser jogado as 20h05m de ontem, dia da última jornada da Fase de Grupos da Liga Europa, em que ao Sporting não restava mais do que o último lugar.

Sport Lisboa e Benfica e Sporting Clube de Portugal defrontam-se desde 1908 - 1907 se considerados também os confrontos entre o Grupo Sport Lisboa e Sporting Clube de Portugal - e são inúmeras as curiosidades e imensos os participantes em mais de 100 anos de jogos entre os dois clubes. Nenhum benfiquista, que preze a sua história, desconhece a influência que o jovem fundador do clube verde e branco, José Alvalade, financiado pelo avô Alfredo Augusto das Neves Holtreman, o primeiro e único Visconde de Alvalade, ia tendo no desfecho do seu clube logo nos primeiros anos de existência. Embora, a atitude de "aliciar" oito jogadores da equipa principal do Sport Lisboa não ter tido o mesmo impacto que teria uma situação do mesmo género no presente, animosidade e mesmo alguma violência passou a ser frequente nos confrontos entre os dois clubes nos anos seguintes e esta rivalidade mantém-se ainda nos dias de hoje.

No histórico de confrontos entre os dois clubes existe uma clara vantagem do Benfica sobre o Sporting que é estatística e que ninguém poderá negar. Contudo, deve ser reconhecido que o expoente máximo de vitória num só jogo pertenceu ao nosso rival numa famosa derrota do Benfica que fará 26 anos na próxima semana. 

Aos sportinguistas parece que pouco importa lembrar que, nessa época, o Benfica foi Campeão Nacional no Estádio da Luz no jogo da 2ª volta em que recebeu o Sporting e que lhe conquistou também a final da Taça de Portugal realizada no Jamor. Mas este texto não pretende ser um acerto dessas contas. Este texto nasce apenas da vontade de vencer o Sporting mais uma vez ! E à chuva, de preferência.

Quem não sente falta de jogos realizados em estádios inundados e que obrigam os jogadores a deslizar na relva para fazer carrinhos ou “chutar” a bola com mais força para a retirar das poças de água? 

São imediatas as memórias de vencer o Sporting sob intensas cargas de água emocionais. Sem sequer  querer relembrar Sabry ou partidas mais recentes, assim foi, por exemplo, com João Vieira Pinto quando vencemos, num molhado sábado ao princípio da noite, por 3-6 em Alvalade para o Campeonato Nacional 1993/94. Ou na Luz, com Rui Águas, Wando (2), Álvaro e Manniche, numa chuvosa quarta-feira à tarde para a Taça de Portugal 1985/86.

Ao Benfica pode ser atirada água, ar, terra…até fogo… O Benfica não vence na secretaria e só conhece uma resposta e uma maneira de estar na vida e no Desporto:

" 2ª ou 3ª feira? Escolham o dia, a hora, o campo e a bola… O Sport Lisboa e Benfica lá estará presente e munido do único sentimento que o acompanha sempre: VENCER ! "


Era este o comunicado do Benfica que gostaria de ler.




quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Benfica (de) sempre

Depois de quase três meses de espera pelo apito final da 6ª Jornada da Liga dos Campeões 2012/2013, o resultado final em Barcelona relega o Benfica para uma Liga Europa, que, após a exibição de hoje, poderá assumir pretensões de vencer.

Nas últimas quatro épocas por esta altura, a grande parte dos adeptos benfiquistas elogia dia após dia o talento do "Mister" Jorge Jesus, não lhe encontrando substituto à altura. "Percebe imenso de bola…Olha tão bem que jogamos…" , "E já viste aquilo que ele fez do Melgarejo…?". Cá estaremos para ver se lá para Março, Abril e Maio o discurso é o mesmo…Esperemos definitivamente que sim.

Ainda assim, na interpretação que faço desta campanha europeia, a culpa da eliminação da Liga dos Campeões pertence-lhe exclusivamente e não a Maxi Pereira ou a Rodrigo por terem falhado golos claros na partida de Barcelona.  Não por ter colocado Bruno César em vez de Gáitan ou não ter colocado Cardozo de início - as opções são do treinador e devem ser respeitadas- , mas sim por culpa da falta de ambição demonstrada em Glasgow, em Lisboa e em Moscovo  nas três primeiras jornadas desta competição.

"Em resposta aos detractores" como escreveu a página oficial do jornal O Benfica, naquele longínquo dia de Setembro, Jorge Jesus não acreditou numa equipa do Benfica menos desfalcada do que aquela que jogou hoje. Afirmou que os adeptos do Celtic eram os "melhores do mundo" e que o Benfica nunca lá vencera, pelo que o empate seria bom. Sem ambição, aceitou perder dois pontos com aquele que sabia que iria ser o rival directo para a qualificação deste grupo. Em Lisboa, só faltou entrar em campo e pedir autógrafos às "estrelas" blaugrana, numa mensagem clara de que era "impossível ganhar ao Barcelona". Por fim, julgo que nem vale a pena comentar a táctica, a atitude e o meio-campo escolhidos em Moscovo.

Finalmente, na 4ª e 5ª jornadas, o Benfica e o seu treinador se relembraram dos pergaminhos que fizeram do Sport Lisboa e Benfica um dos clubes mais respeitados a nível europeu e dos sacrifícios que os seus adeptos estão dispostos a fazer por ele. Venceu os dois jogos em casa. Contudo, em ambos, o desperdício de oportunidades flagrantes de golo (inclusivamente um penalty de Cardozo) já fazia prever aquilo que aconteceu hoje. E a este nível não se pode falhar em determinadas situações.

No jogo de hoje, em Camp Nou, a pressão alta do Benfica funcionou, o sacrifício dos jogadores foi enorme e merece ser elogiado. Artur foi corajoso, Maxi inexcedível, Luisão competente, Garay extraordinário, Melgarejo surpreendente. No meio campo, Ola John foi desequilibrador, Matic incansável, André Gomes adulto, Nolito voluntarioso. E até no ataque, Rodrigo foi esforçado e Lima lutador. Mas, como sócio e adepto, não posso estar contente. Estou farto e cansado de ouvir dizer que é  "muito difícil" e, no fim, verificar que era perfeitamente possível, mas posso ficar apenas "orgulhoso" e de "cabeça erguida". 

São demasiados anos a falhar golos destes e a ser sempre eliminado no limite. Lembro-me, ao longo de todos estes anos de juventude benfiquista, de jogos com Juventus (V 2-1; D 0-3), Parma (V 2-1 ; D  1-0), AC Milan (D 2-0 ; E 0-0), Fiorentina (D 0-2 ; V 0-1), Inter (E 0-0 ; D 3-4), Espanyol (D 3-2, E 0-0), Liverpool (V 2-1 ; D 4-1), Braga (V 2-1 ; D 1-0), Chelsea (D 0-1, D 2-1) e tantos outros confrontos decisivos com colossos (e não colossos) europeus, que estavam perfeitamente ao alcance da nossa equipa em dias, como o de hoje, em que a equipa e os adeptos se vestem de verdadeira alma vermelha, mas que não vencemos ou não alcançamos o resultado que nos permitiria ultrapassar a eliminatória. 

Admito que ao longo dos anos tenho aprendido a encarar o futebol de forma mais descontraída, não ficando tão revoltado quando os resultados não são alcançados. Porém, hoje, enquanto Cardozo se dirigia à baliza e até Maxi Pereira atirar a bola para a bancada, ajoelhei-me em frente à Televisão e gritei desalmadamente… Eram aqueles anos todos acumulados a sair-me do peito e a libertarem-se da dor…. Após o incrível falhanço ao cair do pano, calei-me durante 30 minutos consecutivos, causando um enorme mal estar a todos os que me acompanhavam em casa. Queria reagir e dizer Benfica sempre, mas não me saia da cabeça o Benfica de sempre, aquele que assisti ao vivo e conheço.

Este texto não é um convite à demissão de Jorge Jesus, que tem obtido alguns bons resultados e que, sem dúvida, é uns dos grandes responsáveis pela elevação do nível futebolístico do nosso glorioso nos últimos anos.  Todavia, é  um sério apelo a que o Benfica e os seus responsáveis deixem de inventar no onze titular e nas substituições, assumir que relva é relva em qualquer lugar do mundo e que se profissionalizem, do ponto de vista de entender que a este nível são os detalhes que fazem a diferença.  

Seria também respeitoso olhar os adeptos nos olhos e carpir com eles estes demasiados anos consecutivos a perder sem merecer, mas por culpa própria. 


Nota final 1: O "pseudo" astro argentino que queria fazer história com o Benfica e que os benfiquistas não se cansaram de aplaudir no jogo em Lisboa, como se de um jogo de exibição se tratasse, talvez a partir de hoje pense duas vezes e perceba que não foi por acaso que a "melhor equipa do mundo"  também foi destronada em 1961 por um Benfica com portugueses.

Nota final 2: Não é demasiado tempo para o Benfica Lab curar um (simples?) traumatismo na perna do "verdadeiro" astro argentino e que tanta falta nos continua a fazer ?