quinta-feira, 25 de abril de 2013

O dia da libertação


Foi há 39 anos que uma revolução sem sangue, mas de cravos, depôs o regime ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933, devolvendo a “liberdade” a Portugal.


A história do desporto português é uma ciência académica recente em Portugal. Ainda são poucos os estudiosos que a ela se dedicam e alguns dos que a têm feito ao longo dos anos são jornalistas que, frequentemente, não adoptam nos seus textos ou teses as correntes historiográficas mais atuais. Hoje, na feitura da história exige-se a ausência de todo o tipo de anacronismos, isto é, o regresso ao passado não pode ser feito de acordo com a realidade socialmente construída do presente, mas sim da época que se está a descrever.

Contando que as competições internacionais existem aproximadamente desde meados dos anos 50, será que nunca nenhum jornalista ou historiador do futebol português se apercebeu do porquê de a década de 70 ter sido a única sem presenças de portugueses na final de uma competição europeia?

Em 1949, o Sporting Clube de Portugal foi a primeira equipa portuguesa a estar presente numa final da Taça Latina, sendo que o Sport Lisboa e Benfica esteve presente em duas finais dessa competição nos anos 50. No melhor período da sua história, na década de 60, o Benfica esteve presente em cinco finais da Taça dos Campeões Europeus e o Sporting Clube de Portugal em uma da Taça dos Vencedores das Taças.

Em seguida, no entanto, existiu um vazio de 15 anos de finais europeias com presença portuguesa. Este facto deveu-se, provavelmente ao 25 de Abril de 1974 e à consequente descolonização das províncias ultramarinas. Entre outros aspectos da vida portuguesa, também no futebol, os clubes portugueses viram-se privados de uma das suas maiores fontes de recrutamento de jogadores. Apenas com jogadores oriundos do nosso “rectângulo” – política principalmente seguida pelo Benfica – a concorrência internacional com os outros clubes europeus tornou-se desfavorável para o lado dos portugueses. Assim, nó nos anos 80 (a assembleia geral que aprovou jogadores estrangeiras na equipa principal de futebol do Benfica foi a 1 de Julho de 1978!) voltou a haver presença de clubes portugueses em finais: duas do Benfica e duas do Porto.

Já na década de 90, só o Benfica esteve presente numa final europeia em 1990. E apenas treze anos depois, na primeira década do século XX, o Porto foi à final da Taça UEFA em 2003 e à final da Taça dos Campeões Europeus em 2004, conseguindo também o Sporting alcançar a final da Taça UEFA em 2005. Por último, em 2010, Porto e Braga disputaram a final da Liga Europa.

Hoje é dia 25 de Abril de 2013. O Benfica joga, em Istambul, frente ao Fenerbahce, a 1ª mão da sua 13ª meia-final europeia.  Por este Portugal e Mundo fora, casas, cafés e restaurantes vão-se encher de benfiquistas a roer as unhas à distância à espera de um resultado positivo da sua equipa na Turquia. Em cada lugar pintado de vermelho, mais logo a partir das 20  horas, serão gerações e sentimentos que se misturam. Por um lado, os mais velhos, que se habituaram a ganhar e que querem relembrar esse sentimento. Por outro, jovens benfiquistas que, pelo menos, há 23 anos que contém ou não conhecem as suas emoções.
Tenho 29 anos. Nascido em 1984 e sócio desde esse dia, mal me lembro da caminhada para Estugarda em 1988 e da visita de Eusébio ao túmulo de Béla Guttmann, em Viena, em 1990. Todavia, não me esqueço de jogos como Juventus (QF TU: V 2-1; D 0-3), Parma (MF TVT: V 2-1 ; D  1-0), AC Milan (QF TCE: D 2-0 ; E 0-0), Fiorentina (QF TVT: D 0-2 ; V 0-1), Espanyol (QF TU: D 3-2, E 0-0), Liverpool (QF LE: V 2-1 ; D 4-1), Braga (MF LE: V 2-1 ; D 1-0), Chelsea (QF TCE: D 0-1, D 2-1) e tantos outros confrontos decisivos com colossos (e não colossos) europeus, que estavam perfeitamente ao alcance da nossa equipa. Fora os anos sem sequer ir à “Europa”, derrotas estrondosas e ter um presidente preso, foram demasiados anos sem se fazer jus ao nosso palmarés ético e desportivo e às histórias do passado que me tinham sido contadas enquanto ia crescendo.
Julgo que escrevo por uma geração inteira quando afirmo que paira sobre mim uma panóplia de emoções, desejante de gritar bem alto o dia em que o Benfica voltou. Transformar as saudades daquilo que nunca vi num sentimento de pertença a algo enorme e grandioso é talvez o meu maior sonho.
Acredito, sinceramente, que hoje é esse dia. O dia da libertação do glorioso.



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Próximos jogos

Não é segredo para ninguém que temos um calendário complicado. Para além do jogo de hoje, temos de enfiada sporting, três dias de descanso com viagem para a Turquia, fenerbahce fora, dois dias com viagem para a Madeira, marítimo fora, viagem de regresso a Lisboa e três dias, fenerbahce em casa.

Não temos a menor hipótese, parece-me, de usar a mesma equipa em todos os jogos. Logo, sobram duas hipóteses.

A primeira será apostar tudo no campeonato e e fazer poupanças nos dois jogos com os turcos, aceitando como forte a probabilidade de sermos eliminados.

A segunda seria tentar fazer uma gestão cuidada da equipa, que tem sido feita e muito bem até aqui, mas que talvez nunca se tenha posto com tanta acuidade e relevância como nesta série de quatro jogos difíceis e decisivos que temos pela frente.

Em minha opinião nenhum jogador, com a eventual excepção do Artur, deveria ser utilizado nos quatro jogos, e deveríamos planear os mesmos seguindo este princípio. Mesmo Luisão, Garay ou Matic, jogadores mais difíceis de substituir, deveriam ter direito a descansar num dos jogos. Jardel seria obviamente o substituto dos centrais. Maxi e André Almeida deveriam fazer dois jogos cada um, sendo que na Turquia sabemos que tem de jogar o Maxi. O Enzo também tem de descansar na Turquia, jogaria os outros três jogos. André Gomes e/ou Carlos Martins substituiriam Enzo e/ou Matic nos jogos em que um deles não jogasse. Nas alas, Ola John, Gaitan, Sálvio e Urreta rodariam entre si, tal como no ataque o fariam Cardozo, Lima, Rodrigo e até o mesmo Gaitan. E o Luisinho (ou o Carole) poderia substituir o Melga na Madeira.

Hoje, jogaria com uma equipa claramente menos principal - utilizaria Roderick, Jardel, Luisinho, André Gomes, Carlos Martins, Aimar, Urreta, Kardec, e mais dois, para além de Paulo Lopes que deve continuar a ser o GR da Taça.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Revolta dos adversários

Faltam 11 jogos para o final da presente época. Do sonho à realidade não falta muito, as bases estão lançadas e aparentam ser sólidas, contudo é factual que vivemos num lamaçal cheio de podridão onde todo o cuidado peca por escasso.

É neste contexto que assisto, com um misto de diversão e preocupação, ao estrebuchar dos nossos adversários. Vítor Pereira a ter necessidade de clamar pela força dos seus para o que resta da época, enquanto os adeptos parecem nervosos, entregues, até rendidos. A lagartada já enfatiza a sua força e a provável vitória na Luz que nos retirará o título, não percebendo que o Benfica terá ou poderá ter papel crucial nas suas possibilidades em chegar à Europa através dos jogos frente ao Marítimo e Estoril. O treinador do Newcastle acredita na reviravolta. Apenas o Paços de Ferreira se mantém calado e consciente daquilo que parece uma evidência: Um Benfica concentrado, capaz, pouco disponível para dar baldas.

Sinceramente, acho que dependemos verdadeiramente apenas de nós e da nossa capacidade dentro de campo. Tentam distrairmo-nos com lenga lenga, elogios, com a nomeação de Proença para o Porto-Braga, dando a entender que está descartado para a penúltima jornada. É preciso ter cuidado e estar atento, mas o que me preocupa é a baixa de forma de Ola Jonh e sobretudo de Cardozo. Se não tivermos lesões em jogadores chave (Melgarejo; Garay; Matic; Enzo; Salvio; Lima e Gaitán) e recuperarmos a forma destes dois importantes jogadores... (!!!)

Não é sonho, é realidade, pois trata-se apenas de futebol, 11 contra 11, e quando se trata apenas disso, as nossas possibilidades aumentam

domingo, 7 de abril de 2013

O TREINADOR COMPETENTE = JORGE JESUS



Independentemente do nº de troféus que o Benfica possa conquistar no final da presente época. Esta ficará para a história como exemplo máximo da competência de um treinador.

Recordemos

Em Julho de 2012 todos os que seguem o futebol de perto e o Benfica em particular apostariam num onze em que nomes como os de Luisão, Aimar (Carlos Martins como opção), Witsel e Javi Garcia seriam indiscutíveis. Era de todo impossível projectar uma equipa do Glorioso que não integrasse qualquer um destes nomes. No final de Agosto, e aqui convém lembrar que Javi Garcia e Witsel ainda jogaram na presente Liga, fomos confrontados com as vendas de ambos, a que se somou a lesão de Aimar e o castigo de Luisão. Tudo sem assegurar a aquisição de qualquer jogador para os substituir. A maioria dos nossos adeptos desesperaram e deram a época como perdida. Pior ficaram, quando ouviram o treinador afirmar que tinha as soluções necessárias dentro do plantel, o homem só podia estar louco e nunca deveria ter iniciado a época.
O teimoso, para não dizer a besta como muitos benfiquistas afirmam, do Jorge Jesus integrou simultaneamente na linha defensiva André Almeida, Jardel e Melgarejo - anedótico. No meio-campo a tontice ainda foi maior, o patrão passou a ser essa espécie de jogador que é o Matic, inventou um argentino (Enzo Perez) a fazer de belga (como se isso fosse possível) e para o caldo estar mesmo entornado chamou um garoto da equipa B (André Gomes) para lhe fazer companhia - sacrilégio.

Em Janeiro, na abertura do mercado de transferências, os benfiquistas voltaram a ser confrontados com outras insanidades dos seus responsáveis, sempre reféns do louco do seu treinador. Ao autorizarem novas saídas do plantel, Nolito e Bruno César  e novamente sem assegurar qualquer nova entrada, porque o plantel era suficiente para as exigências.

Eliminados da Chanpions e relegados para a liga Europa,  chegou o derby com os Norte Coreanos (expressão magnifica roubada ao cronista do Expresso Henrique Raposo). Empatámos 2-2,  o nosso adversário marcou um golo, o outro foi o Artur que lhes ofereceu, sempre a perder conseguirmos sempre recuperar, terminando o jogo com mais % de bola, mais cantos, mais remates e os únicos com verdadeiras oportunidades de golo. Apesar dos factos, estes não foram suficientes para calar os descontentes, e muitos dos nossos adeptos prontamente constataram que nada jogávamos e que a equipa estava toda exprimida, era só esperar por Fev/Mar para cedermos fisicamente como é "normal" nas equipas do Jesus.

Entretanto já passou o Fevereiro e o Março. E a "fraca" equipa do Glorioso passou quase incólume, excepção feita á meia-final da Taça da Liga,  disputado em Braga contra o Sporting local e perdida no desempate por g.p.. Partida que ficou marcada pela não marcação de um g.p. perto do seu final que poderia nos ter dado a vitória. Mas nem assim as vozes contra se calaram, benfiquistas houve que na única pequena nuvem em dois meses perfeitos, criticaram o nosso treinador por poupar alguns dos seus titulares. Ou seja, preso por ter cão e por não ter.

Foi este o difícil percurso até a Abril, a caminho das meias-finais da Liga Europa, com um pé na final da Taça de Portugal e na frente do Campeonato com 4 pontos de vantagem sobre o segundo classificado. 4 que deveriam ser 8 não fossem o golo limpo anulado a Cardozo frente ao Sp Braga no Estádio da Luz e as 2 incríveis g.p. assinaladas por Carlos Xistra em Coimbra.. Curiosamente, ambos  os jogos terminaram empatados 2 a 2. Isto num resumo das incidências aos nossos jogos.

Num mesmo ano era difícil reunir tantas e tantas contrariedades e responder sempre á altura. Felizmente para nós que o Jorge Jesus é teimoso e não dá ouvidos a jornalistas, paineliros e treinadores de bancada. Caso contrário tinha sido tão fácil ser uma desgraça.

No Benfica é sempre muito difícil. E no contexto descrito só para os verdadeiramente competentes. Porque para ganhar campeonatos qualquer, António Oliveira, Fernando Santos, Jesualdo Ferreira ou Vitor Pereira servem, desde que no clube certo.

Renovar contrato com Jorge Jesus é um imperativo de inteligência e bom senso, independentemente do número de troféus.



quarta-feira, 27 de março de 2013

História do Benfica - A origem da saudação ao Público


Há muitos anos atrás, o Benfica fez um torneio na China e de lá trouxe uma novidade em termos de saudação aos adeptos. Quando todas as equipas entravam em campo e saudavam os espectadores de braços no ar, o Benfica encenou uma nova coreografia: de mãos dadas, os jogadores baixavam a cabeça, virando-se para uma e para outra das bancadas centrais.

Essa saudação ficou até aos dias de hoje e é mais um símbolo da "mística" e da "marca" Benfica, que nos identifica como um clube diferente de todos os outros no mundo inteiro.
Agradecer aos adeptos, corresponder ao seu apoio e, principalmente, respeitá-los é uma obrigação dos jogadores do Benfica.

domingo, 24 de março de 2013

Um golpe de génio de Bruno de Carvalho



Não sou muito dado a teorias da conspiração e muito menos tenho qualquer certeza sobre a versão da história que construi na minha mente à medida que ia acompanhando a televisão, as páginas dos jornais na internet e aquilo que se escrevia nas redes sociais sobre as eleições do Sporting de 23 de Março de 2013.

Por que motivo, perante um resultado tão díspar avançado nas sondagens, Bruno de Carvalho não terá prestado qualquer declaração ou não apareceu sequer uma imagem dos seus apoiantes a festejar? À primeira vista – “gato escaldado de água fria tem medo” – e depois daquilo que acontecera dois anos antes, era necessária uma confirmação oficial.

Contudo, os resultados eram tão dispares, tal como se veio a verificar às 02:00 da manhã, que não encontro qualquer explicação para 1500 votos por correspondência demorarem 6 horas a ser contados por 3 elementos da Mesa da Assembleia Geral e, pelo menos 3 delegados das 3 listas candidatas, uma vez que, no que diz respeito aos votos electrónicos é o computador que revela os valores automaticamente. Além disso,  Eduardo Barroso estava demasiado tenso e nervoso aquando do anúncio oficial de um resultado tão favorável à Lista B e que a comunicação social já tinha avançado.

Algo de muito estranho se terá passado naquelas 6 horas. Mas Bruno de Carvalho já estaria, provavelmente, à espera que tal viesse a acontecer e, como tal, desta vez vinha bem preparado e com a experiência acumulada de 2011. Estou em crer que, perante o atraso que se estava a verificar e as negociações e ‘cozinhados’ que já se estavam a colocar em cima da mesa para Couceiro ganhar, a Lista B sacou um coelho da cartola. Um golpe de génio. Decidiu lançar o pânico e a confusão – fazendo relembrar o passado – e alguém “desbocou” para o jornal O JOGO a informação de que tinham sido encontrados 400 votos duplicados.

Como este número se mantinha insuficiente para o BES e José Maria Ricciardi recuarem e o resultado teimava em não ser divulgado, em vez de 400 já eram 1500... E os jornalistas d’ A Bola TV eram agredidos junto ao estádio de Alvalade, notícia essa que, por obra e graça de Espírito Santo (?), desapareceu em segundos e muito pouco tempo antes do anúncio da conferência de imprensa final.

A cada minuto, crescia o boato, já ninguém falava de outra coisa e o nome do Sporting Clube de Portugal estava a ser destruído. Nas redes sociais as anedotas multiplicavam-se, na televisão os comentadores não queriam acreditar no que se estava passar, no estádio os adeptos começavam a ficar revoltados e lá dentro mantinha-se o segredo sepulcral de todos os candidatos e da mesa da assembleia geral.

Finalmente, o responsável pela organização das eleições que, de manhã, já tinha avisado de que com “os computadores nunca se sabe...”, apareceu na Sala de Imprensa de Alvalade, onde Bruno de Carvalho era o único candidato sentado. Afinal, só tinham sido 3 os votos duplicados (de 400 passaram para 1500 e, no fim, eram só 3? Que estranha fuga de informação para os jornais com números tão exagerados...) e a votação era, tal como já se sabia desde as 20h, indubitável para a lista B. Por isso mesmo, quais as razões para Eduardo Barroso, um experiente médico e cirurgião, habituado por certo a situações de muito maior tensão, estar de tal forma nervoso e só a trocar os números e as percentagens de um processo eleitoral que, no fundo, tinha decorrido com tanta normalidade?

Foi José Couceiro que acabou por me dar a resposta a esta minha dúvida existencial nas suas palavras finais, que, por tão óbvias e desnecessárias que foram, me ajudaram a confirmar esta minha teoria delirante de que Bruno de Carvalho foi um génio a manipular a opinião pública e a comunicação social: “Há que respeitar a vontade dos sócios do Sporting... E isso EU respeitarei sempre...”.Algo que Godinho Lopes não fez há dois anos atrás. Como toda a gente sabe.

O que aconteceu ontem e há dois anos atrás foram dois sérios avisos à navegação do futebol português. A cada episódio, ficará, cada vez mais, evidente o peso diminuto que os sócios vão tendo na decisão política dos seus clubes e como nestes as normas democráticas mais básicas ainda funcionam “de braço no ar”.


quarta-feira, 20 de março de 2013

A estância da madeira


O Benfica é um clube. O Sporting é outro. Sei que este espaço é supostamente de dedicação exclusiva à vida encarnada. No entanto, o momento que o Sporting atravessa merece reflexão acerca do futebol português e o Benfica não se deve abster de um papel ativo de ajuda ao seu rival .

(Peço ao leitor que não se precipite com a frase anterior e que leia até ao fim, por favor!)

Não me parece que restem dúvidas de que o desaparecimento do Sporting Clube de Portugal do topo da hierarquia desportiva nacional vai trazer consequências negativas para o desporto em Portugal e para todos os clubes que rivalizaram com ele nos últimos anos. Será má a perda de competitividade e rivalidade. Será muito má para a produção de jovens futebolistas promissores e portugueses. E será péssima a obtenção de receitas oriundas das mais diversas empresas e instituições.

Os momentos eleitorais, fruto de discussões internas saudáveis e de propostas responsáveis e coerentes, são alturas de os sócios renovarem as suas esperanças, optando, através do poder do voto, pelas listas que consideram mais credíveis e que lhes oferecem maiores garantias de poderem ambicionar um futuro mais risonho.

José Peyroteo Couceiro, ou só José Couceiro para aqueles que ainda se lembram da sua enorme carreira de treinador como “Mourinho insuflado”, foi o último a aparecer na corrida e é o candidato pela Lista C. Associado à banca e à continuidade, pretende fazer passar uma mensagem de que se trata de uma figura institucional de respeito e com um apelido de longa tradição leonina. Todavia, não passa de uma figura pesada e aborrecida, mostrando-se rodeado de uma equipa de amadores que nem um site na internet foi capaz de construir, o que é o mínimo que se exigiria numa campanha eleitoral do século XXI. Convencido de que está cheio de ideias e com a posição sincera da dilapidação de património para a reestruturação financeira, não promete grandes resultados desportivos, embora diga que a “crise financeira é resultado da má gestão desportiva”. Vá se lá entender um palavroso destes que nos primeiros cinco minutos de debate ontem na Sic Notícias só foi capaz de dizer e passo a citar:

“Boa noite. Um clube da nossa dimensão é um clube que tem a sua identidade, tem a sua história. (...)Quando um clube da nossa dimensão, uma instituição como o Sporting Clube de Portugal passa pela maior crise de sempre, evidentemente, que há questões que se levantam. Agora, não podemos (não devemos até!) ter qualquer dúvida sobre a nossa identidade, sobre aquilo que é ser Sporting e sobre a dimensão, a grande dimensão europeia e mundial que o Sporting Clube de Portugal tem.”

Isto é, mais uma vez não disse N-A-D-A! Mas faz questão de continuar na mesma bitola na segunda intervenção:

“Acho que todos nós temos de ser responsáveis e quem é candidato à Presidência do Sporting Clube de Portugal tem que ser responsável. E sendo responsável, evidentemente, que tem que contactar e que tem que conversar com os nossos credores. E enquanto, de facto, nós não estabelecermos todos esses contactos e não há, de facto, entendimentos em relação a isso... Eu acho que nós temos de ser responsáveis  e o que aconteceu aqui foi, de facto, ser responsável em relação a estas matérias.”

Mais uma mão cheia de nada, recheada de “de factos” e “evidentementes”, que podem ser confirmados aqui http://www.youtube.com/watch?v=hm4JtQuCMKs a partir do minuto 3:22 e do 15:57.

Pobre Sporting quando é este o candidato que vai a frente nas sondagens e que a banca escolheu para representar os seus associados!

Por outro lado, o fanfarrão Bruno de Carvalho e a sua cultura de exigência máxima, da qual se esqueceu  nas eleições passadas para pedir a recontagem dos votos (porque será?), pretendem uma ruptura completa com a política dos anos recentes, dando grandes mostras de educação e respeito institucional a todos níveis. Num vídeo (disponível através de http://cabelodoaimar.blogspot.pt/2013/03/que-paneleirote.html) que circula pelas redes sociais realizado numa qualquer sessão de esclarecimento da sua candidatura afirma, despudoradamente, que com ele “ninguém goza com o Sporting” e que até o CSKA mandou tirar as fotografias do seu maior título do historial quando ele lá foi. Com uma voz carregada de basófia, típica de quem se julga o maior da sua aldeia, inclusivamente insinua gestos com as mãos que são frequentes é nas tascas.

Sem se aperceber sequer de que na mesma história, que dura 7 minutos, fala em 3 jogos e em 3 derrotas do “seu” Sporting (duas em casa no futebol e uma do futsal na “sua” Mother Russia) deixou mesmo os benfiquistas, que estão a pensar ir ver o Benfica-Sporting ao estádio da Luz no próximo mês,  todos cheios de miaúfa com a sua presença lá e a prepararem-se para ficar caladinhos quando o Cardozo voltar a marcar...

Sobra apenas o insider Carlos Severino que, bem ou mal, com ideias que ficarão certamente por provar se eram boas ou más, é bom rapaz, mas sem a competência necessária para mudar o Sporting. Foi dirigente nos tempos da última vitória no campeonato nacional, mas com aquela camisa de manga curta e o cabelo cortado em Photoshop na fotografia oficial de campanha ficou logo provada a organização da equipa que tem por trás: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=349722278470337&set=a.330869853688913.71657.330869703688928&type=1&theater

É certo que as atuais classes de dirigentes, tanto no futebol como na política nacional, ficam muito aquém de outros tempos. Mas o Sporting abusa.

Com efeito, tenho ouvido sportinguistas falar que a solução poderá passar pela insolvência e refundação, começando pela 2ª distrital com a actual Equipa B. Nesse caso, a pergunta que se poria é novamente com que dirigentes (uma situação dessas obriga a competência e dedicação redobradas) e com que estádio. E julgo que é neste último ponto que o Benfica poderia (deveria até!) ajudar, caso vendam algum jogador para nos pagar os estragos do incêndio no ano passado ou pelo menos peçam perdão publicamente de forma a contribuir para a educação dos adeptos de futebol nos estádios.

O campo das Amoreiras foi o primeiro construído de raiz pelo Sport Lisboa e Benfica nos anos 20. Foi novamente Cosme Damião, funcionário da Casa de Palmela, quem conseguiu os terrenos para a construção do estádio, que seria autorizada, por aclamação em assembleia geral, a 4 de Fevereiro de 1923.
 A saída do campo de Sete Rios, em 1917, devera-se a um aumento incomportável da renda, passando o clube para um campo mais modesto em Benfica. No entanto, em 1923, o SLB tinha sido novamente obrigado a deixar este espaço por decisão da Câmara que pretendia construir uma rua de ligação entre a estrada de Benfica e a estrada Nacional e durante algum tempo, teve de jogar na Palhavã enquanto a obra das Amoreiras não era concluída. Finalmente, na inauguração, a 13 de Dezembro de 1925 perante 15 mil adeptos, uma vitória das quartas categorias, por 8-1, ao Casa Pia.


Surpreendentemente, nem 15 anos volvidos desta inauguração, o Estado decidiu construir a autoestrada Lisboa-Jamor e os terrenos das Amoreiras foram expropriados ao Sport Lisboa e Benfica (correspondem ao que conhecemos hoje como Avenida Duarte Pacheco). De facto, o valor recebido foi muito inferior ao que os terrenos valiam e à dívida existente, o que obrigou o Benfica a mudar de campo novamente até ao ano de inauguração do estádio da Luz, em Carnide.


Num período que durou de 1940 até 1954, a opção escolhida foi o Campo Grande, através de um terreno secundário arrendado à Câmara Municipal de Lisboa com a anuência do Sporting, que durante anos foi alcunhado pelos leões de “estância da madeira” como forma de gozar com os benfiquistas por não terem a sua própria casa.


Como Cosme Damião disse em tempos: “O Sporting tem dinheiro. Nós temos dedicação. No imediato o dinheiro vence a dedicação. No futuro, a dedicação goleia o dinheiro”.  Teve razão. E como ser do Benfica é ser diferente, julgo que é tempo de saldar essa “dívida” e de nos oferecermos, sem contrapartidas, para lhes emprestar o nosso querido Campo do Seixal ao domingo à tarde.




terça-feira, 19 de março de 2013

Histórias de Corrupção " O caso Cadorin"


Decorria o ano de 1986, estamos precisamente na cidade de Portimão, em pleno Algarve. Na época anterior, o Portimonense conquistou a sua melhor classificação de sempre, um honroso 5º lugar. O grande obreiro foi Manuel José.

O post de hoje não é para falar sobre a classificação do Portimonense mas de mais um caso de corrupção do nosso futebol, a época era a de 1985/1986, até então na cidade de Portimão tudo normal, o Portimonense estava bem na classificação. Nesse fim-de-semana, o Portimonense teria pela frente um forte opositor, opositor esse que lutava pelo campeonato.

Precisamente na semana desse jogo, rebentou uma bomba em Portimão que acabaria por alastrar a todo o país, ou quase todo. 

O jogador Serge Cadorin foi alvo de aliciamento para cometer uma grande penalidade. Adivinhem contra quem era o jogo? Pois é, os mesmos de sempre, o F.C.Porto. A verdade é que Cadorin veio para toda a imprensa relatar o sucedido, tendo inclusive ido à Polícia Judiciária apresentar o caso. Nesse jogo, o Portimonense acabaria por vencer por 1-0 o F.C.Porto com um golo do mesmo Serge Cadorin.

Nem imprensa, nem PJ, nem ninguém, quis saber do caso, segundo o relatório da PJ da época e a própria imprensa nada se poderia provar porque era a palavra de Cadorin contra a de Luciano d'Onófrio. Cadorin tinha chegado um ano antes a Portugal pela mão de Norton de Matos, que fora seu colega de equipa no Standard de Liège, tendo como seu empresário o inevitável Luciano d'Onófrio.

Segundo Cadorin, Luciano teria oferecido um contrato com o Futebol Clube do Porto para a época seguinte ou então uma transferência para um clube Italiano, para além da verba de 500 contos (2500€). Luciano, já naquele tempo, trabalhava fervorosamente com Pinto da Costa e a verdade é que os casos, no futebol Português, apareciam todos ou quase todos os dias. Este foi mais um que morreu sem que ninguém o investigasse.

O mais curioso de tudo isto é que, no ano seguinte a este episódio de corrupção, estava Cadorin ainda ao serviço do Portimonense e quase na eminência de se transferir para o Sporting, aconteceu o que até hoje ninguém quis explicar, nem o próprio jogador comentou o sucedido.

A misteriosa explosão que quase termina com a vida de Cadorin
Cadorin, na sua residência, e misteriosamente houve uma explosão de gás que quase terminou com a sua vida. Não terminou com a vida mas terminou com a sua carreira, pois as lesões, provocadas pela explosão, fizeram com que a transferência para o Sporting fosse cancelada e Cadorin se visse impossibilitado de praticar futebol. A explosão que quase tirou a vida ao jogador ocorreu no ano a seguir a ter denunciado a tentativa de aliciamento por parte do F.C.Porto e Luciano d'Onófrio.

Luciano d'Onófrio era, à época, empresário de jogadores de futebol, sendo um dos amigos pessoais de Pinto da Costa. Já por essa altura o empresário era procurado pelas autoridades tendo, inclusivé, estado preso e, à altura, havia fortes indícios de ligações com máfias e tráfico de armas.

A verdade é que desta historia existem muito poucas fontes e as que existem abordam pouco o ocorrido. Há anos atrás um jornal ainda tentou entrevistar Cadorin para saber o que de facto se passou naquela semana do jogo contra o F.C.Porto. O já falecido Cadorin apenas afirmou que queria continuar a gozar a sua vida em paz e que não queria mais problemas na sua vida devido a tudo o que se passou.

Infelizmente, Cadorin já não se encontra entre nós, tendo falecido, em Liège, a 10 de Setembro de 2007, aos 45 anos de idade. Que descanse em paz, foi dos poucos que teve a coragem de denunciar a corrupção.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Dizem que somos loucos da cabeça...


sexta-feira, 15 de março de 2013

Dedicatória

Gostava de dedicar a nossa vitória de ontem a todos os Benfiquistas que passam a vida a dizer mal do Cardozo.

terça-feira, 12 de março de 2013

Clube do Regime - Os primeiro casos de corrupção no futebol em Portugal


post  leva-nos ao ano de 1939, provavelmente este ano pouco quer dizer à grande maioria das pessoas.

Em 1939 vivem-se os anos dourados da ditadura militar com Salazar à cabeça como Presidente do Conselho de Ministros.
A época futebolistica decorria dentro da normalidade com o F.C.Porto a liderar o campeonato.

Dia 23 de Abril de 1939 o Benfica desloca-se até à cidade do Porto, para defrontar o F.C.Porto no campo da Constituição, que à data dispunha de 1 ponto de vantagem sobre o Benfica, bastado-lhe apenas o empate para se sagrar Campeão Nacional.

O Jogo e os Casos

Até então o jogo estava disputadissimo e o jogo tinha entrado nos minutos finais, com o resultado em 3-3 o F.C.Porto tinha o título de campeão nacional na mão, mas no último minuto há um volte face no marcador e na sequência de 1 canto a favor do Benfica, Brito faz um hat-trick no jogo que dá o 3-4 ao Benfica e consequentemente lhe dá a vitória no campeonato, até que surge em cena o árbitro Henrique Rosa de Setúbal que anula o golo ao Benfica por hipotético empurrão de Brito a um defesa do F.C.Porto ficando desta  forma o título de Campeão Nacional entregue ao F.C.Porto e o Benfica via assim pelas mãos do árbitro fugir-lhe o título de campeão.

O Dia Seguinte

No dia seguinte ao jogo a Revista "Stadium" dá à estampa a reportagem do jogo e publica as fotos do golo anulado ao Benfica e surpreendentemente a única pessoa que Brito poderia ter empurrado quando fez o golo que daria a vitória ao Benfica e consequentemente traria o título para Lisboa apenas poderia ter empurrado a sua própria sombra.
Irremediavelmente o Benfica perdeu assim o título de campeão da temporada 1938/1939 às mãos de um árbitro e em favor dos mesmos de sempre o F.C.Porto.

As Figuras do Título

O Presidente do F.C.Porto à época era Ângelo César um dirigente na época à imagem actual de Pinto da Costa, que anos mais tarde viria a ser irradiado do Futebol Nacional.
Ângelo César era um dirigente com fortes ligações regime.

Benfica Corta Relações

Após este jogo o Benfica cortou imediatamente as relações que tinha com o F.C.Porto.

Os Autos-de-Fé

Após a publicação da fotos do golo limpo invalidado ao Benfica, pela revista Stadium, o presidente do
F.C.Porto levantou um enorme frenesim pela cidade do Porto, chegando mesmo a insinuar e a acusar a Revista "Stadium" que as fotos do golo mal anulado ao Benfica era puras montagens e falsificadas.
Pelas ruas do Porto verificaram-se autenticos autos-de-fé com várias revistas da "Stadium" a serem queimadas em plena praça pública.

No ano seguinte a este episódio o F.C.Porto desceria de divisão por ter ficado em 3º lugar no campeonato regional mas num verdadeiro volte face a F.P.F. e a mando do poder de Salazar alarga a 1ª divisão de forma ao F.C.Porto não descer de divisão.
Mas esta será uma história para um post (ainda em fase de investigação e recolha de fontes) dentro de alguns dias.

As história de corrupção envolvendo o F.C.Porto vêm de longe de há muitos anos a esta parte, e quando as verdades são inconvenientes assistem-se a autênticos Autos-de-Fé de pessoas para quem a verdade é um inconveniente.

Convite

Desde já gostaria de agradecer o convite endereçado pelo João para escrever no blog.
É para mim uma enorme honra escrever neste blog, o qual sigo há bastante tempo e me inspirou a ter o meu próprio blog.

João o meu muito obrigado.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Informação (espero que) útil

FESTA DO CINEMA ITALIANO - CINEMA SÃO JORGE

No domingo, 24 de Março, às 15h30 é exibido o documentário Benfica – Torino 4 a 3, que retrata o trágico acidente de avião que em 1949 custou a vida à equipa do Grande Torino que esteve em Portugal para participar num jogo amigável. Vários jogadores do Benfica vão estar presentes nesta sessão.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Oportunidade de embalo

Após o empate de fcp em Alvalade o Benfica tinha uma oportunidade de ouro para entusiasmar os adeptos e embalar ao colo destes rumo ao título. O entusiasmo em torno do jogo frente ao Beira-Mar era grande, isso sentiu-se durante os 90 minutos, mesmo para quem viu o jogo via tv o ambiente fazia-se sentir e ouvir. 

O jogo não nos correu bem, sentimos muitas dificuldades e o entusiasmo não se implantou, cumprimos o essencial que era a vitória mas faltou-nos a nota artística para criarmos uma onda de “euforia” que carregasse com a equipa ao colo nos momentos mais difíceis que poderão ocorrer.

Neste momento tenho uma dúvida: a exibição foi propositada, ou seja, levantamos o pé, tentamos controlar numa perspetiva de poupança física para os próximos jogos ou não conseguimos fazer mais perante uma equipa que demonstrou muito mais qualidade que o seu lugar na tabela classificativa fazia prever?

Espero sinceramente que estejamos perante o primeiro cenário porque o que estamos a jogar não é suficiente para passarmos incólumes por Guimarães e Funchal.