domingo, 26 de maio de 2013

Os perigos do neo-benfiquismo


Não existe com certeza momento mais fácil de se obter boa aceitação por parte dos críticos de Jesus e Luís Filipe Vieira do que este mesmo. Ainda quase nem 2 horas passaram de mais um desaire nesta época desportiva. O terceiro em quase 15 dias. Desta feita na final da taça de Portugal frente ao Vitória de D. Afonso Henriques, no mesmo dia em que nos sagrámos bicampeões de basquetebol e quase ninguém ainda se lembrou do assunto.

Escrevi logo após a final da Liga Europa a “absolver” LFV e poucos dias depois a defender a continuidade de JJ. No entanto, desde esse dia já aconteceu tanta coisa – e tanto detalhe que denota novamente falta de “benfiquismo” no seu sentido mais puro – que me senti pelo menos na obrigação de vir aqui de novo “desabafar” e refletir.

Depois do jogo frente ao Sporting, seguido das vitórias na Madeira e frente aos turcos no estádio da Luz, todos queriam aparecer e ser vistos. Foi o diretor de comunicação a lançar a fogueira, o presidente a recolher os louros e um “ai jesus” de tão limpinho que isto estava.
A verdade também é que grande parte da culpa do “gozo” que hoje transborda os telemóveis, o mural do facebook e a caixa de correio electrónico dos benfiquistas é culpa deles próprios que decidiram seguir o caminho desse discurso arrogante e vitorioso muito antes de o terem sido.

Por incrível que pareça, agora depois de todos os desaires de uma época com resultados desportivos no futebol tão maus como aqueles comparativos com os piores dias de que tanto se distanciam, todos os responsáveis têm permanecido invisíveis. E pior que isso: nem parabenizar o FC Porto (nem sequer através dos comentadores televisivos colegas de direção) pela vitória que lhe caiu no colo, entregue pelas próprias mãos do Sport Lisboa e Benfica, nem mandar a equipa técnica e jogadores esperar pelo capitão do Vitória Sport Clube levantar a taça acabada de conquistar.

Isso não é à Benfica. O Benfica é um clube que se fez grande por ser humilde e mais vencedor que os outros. Mas que defende acima de tudo a educação, a ética e o desportivismo, sendo um exemplo e demonstrando-o principalmente nos dias em que perde. Assim, com estas atitudes, o Benfica continuará a isolar-se dos outros clubes em Portugal e a perder adeptos, como tem feito nos últimos anos e pelos vistos continua.

Não pretendo discutir aqui o futuro de Jorge Jesus. Sobretudo, porque já se começa a perceber que "assará" como o culpado disto tudo (a culpa nunca está sozinha!) e acredito veementemente que "num Benfica A SÉRIO qualquer treinador se arrisca a ser campeão", como dizia Mário Wilson. Por isso mesmo, há semanas que estou cansado de ouvir a palavra “azar”. A palabra “azar” não deveria sequer fazer parte do léxico benfiquista. O que acontece é que muitos adeptos passaram a considerar os 2ºs lugares e as chegadas às finais como suficientes, aplaudindo e elogiando quase ao mesmo nível de termos ganho. Isto faz com que dirigentes, treinadores e jogadores façam aquilo que queiram sem respeitar minimamente quem mais sofre com tudo isto: as crianças e as famílias que se deslocam aos campos e de lá querem sair com alegrias.

Ninguém me tira da cabeça a ideia de que é mais fácil não sofrer um golo no último minuto, do que a outra equipa marcá-lo. O Benfica terá “azar” todos os dias em que cometer 5 erros ao minuto 92 do jogo do título, não souber gerir estrategicamente e emocionalmente uma final europeia e achar que um jogo está ganho a 10 minutos do fim de um jogo que não demonstrou qualquer vontade ou atitude e em que o seu próprio golo foi marcado através de uma “bola de bilhar”. Hoje foi só mais um dia igual a tantos outros de um passado recente irreconhecível e contra todos os pergaminhos.

Não acredito que este resultado venha a alterar em nada o trilho do Benfica. O mais provável é que, de novo, do lado da direção, ninguém venha a público “dar a cara” pelas derrotas ou venha pedir desculpa pelas desilusões consecutivas com uma década de vida. Do outro, a oposição continuará imatura e desorganizada. Por parte dos adeptos, também ninguém irá invadir o estádio com a exigência dos tempos idos, sobrando apenas umas frases em alguns blogs e no facebook. E, até 4ª feira, os benfiquistas já estarão de novo entretidos com uma qualquer estrela sérvia da seleção sub-21 e a contar os tostões para adquirir o Red Pass para a época seguinte.

Estes são verdadeiros perigos para o Benfica e para benfiquismo dos nossos dias. Primeiro o fim da exigência de ganhar. Em seguida, a arrogância de não saber perder e ganhar antes do fim. E, por último, o entretenimento em troca do sentimento de pertença nas decisões do clube.

A alma benfiquista é feita de humildade, nível e vitória. Esse é o caminho. Restará apenas perguntar a quem nos guia se já percebeu que teremos de o fazer todos juntos, com os mesmos valores e com os mesmos princípios, pois, enquanto o Benfica continuar a ir contra a sua natureza, não voltará a vencer de certeza absoluta.

Viva o Benfica ! Aquele que se fez Benfica ! Onde quer que esteja...

Fim de linha para Jesus

Cheguei agora a casa e se estão a pensar que este texto é a quente têm toda razão e podem-me criticar. Relembro que sou tão benfiquista como vocês e que faço este texto no final duma época sofrida.
Primeira questão e talvez a mais importante, o Benfica é sem dúvida um clube magnifico e especial, os adeptos perderam mas sairam duma forma digna, correcta e reveladora de um desportivismo extraordinário.
Segunda questão, é um orgulho ver a festa que se fez fora do Estádio, que maravilha vale a pena ir ao Jamor. Que tarde bem passada.
É a nossa parte que me interessa dos adeptos dos sócios desta irmandade Benfiquista que existe e que ninguém pode quebrar e que por mais provas e vicissitudes que temos, continuamos a dizer PRESENTE.
E se amanhã o Benfica jogar lá estaremos.
Mas isto somos nós, os adeptos os que amam este Grandioso Clube com amor com paixão sempre e sempre, os românticos.
Mas o Benfica é um clube de  titulos, pelo menos para mim era, um clube ganhador um clube que conhecia nas suas mãos o peso das taças e que apreciava o brilho emanado das mesmas.
Temos um treinador fanfarrão, arrogante, casmurro e  comissionista. A sua soberba e sua sobranceria e falta de análise dos adversários trouxeram-nos até aqui. Um grande treinador para ganhar aos pequeninos mas um fraco treinador contra os grandes clubes. Qual foi o clube grande a quem nós ganhámos em quatro anos? o único jogo foi com o porto no ano em que fomos campeões. Temos sido humilhados e vilipendiados pelos ladrões do porto, ano após ano, jogo após jogo. E temos aguentado estoicamente. 
Não tenho medo que Jesus vá para o port,o lá qualquer ladrão ganha até o tramposo do vitor pereira, esse treinador fraquissimo.
Mas nós precisamos dum treinador que tenha os valores que nós possuimos, um homem sério, honesto, que não coloque o Filipe Menezes, o Roderick, o Emerson, o Roberto e que promova a competência em detrimento dos amigos, que valorize o mérito. Que não ostracize os portuguesses como Miguel Rosa ou Miguel Vitor. Que ponha o grupo à frente da sua vaidade e da sua arrogância e pantominice.
4 Anos - um campeonato e três taças da Liga é curto muito curto. nós não somos os do quase somos o Benfica., E o investimento feito nestes anos é incomparavelmente maior ao feito nos anos dos técnicos anteriores.
 Por isso foi o fim da minha paciência porque o nosso amor é grande mas nós não somos parvos. Rui Vitória teve uma equipa de tostões e de salários em atraso de putos da equipa B e vai à Europa e ganha a Taça de Portugal. Eu não mostro lenços brancos nem apupo, só te peço que saias. Fim de linha!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Os erros que nos tramaram o campeonato


A caça às bruxas já se iniciou. Na praça pública já se pede a cabeça de Jesus – menos mas também a de Luís Filipe Vieira – depois de mais uma longa época de emoção terminada em fracasso. Embora os sportinguistas se esqueçam que naquele ano nós fomos campeões nacionais e este ano ainda podemos vencer a taça de Portugal, a comparação com o ano do “quase” de José Peseiro em 2004/05 parece interminável e o ‘gozo’ e as pastilhas ‘rennie’ multiplicam-se nos locais de trabalho, nas páginas de facebook e nas sms enviadas.

Antes de prosseguir nesta minha análise sobre quais os erros que nos tramaram o campeonato, julgo que é importante salientar que julgo que este não é o momento certo de voltar a exigir revoluções. Relativamente a Luís Filipe Vieira, a margem com que venceu as eleições é suficientemente grande para o seu lugar não ser posto em causa já na primeira época do novo mandato e, no que diz respeito a Jorge Jesus, não me parece acertado despedir um treinador com quem já se assumiu a continuidade ainda antes de ter vencido o campeonato, ao contrário do que alguns dirigentes tinham assumido a meio do ano.

Independentemente dessas duas questões, existiram alguns erros no decorrer desta época que merecem profunda reflexão. Entre eles, contabilizam-se, certamente, erros de arbitragem, de tática e de comunicação e postura.

É claro que é incrível o branqueamento que tem sido feito pelos adeptos portistas relativamente ao benefício das arbitragens. De um campeonato que seria vencido pelo Benfica à “capela” – que pena tenho eu que o penalty de Maxi Pereira sobre Capel não tenha sido assinalado, pois não tenho dúvidas de que o Benfica daria a volta ao resultado - passou-se, num ápice, para um campeonato ganho com toda a justiça pelo FC Porto e do qual foram esquecidas as mãos de Alex Sandro, as entradas de Mangala e o caso Hugo ‘Miguelote’ na última jornada. Assim o futebol português não tem seriedade, nem história e muito menos verdade.

No entanto, ser justo também implica lembrar que a verdadeira razão de o Benfica não ter vencido este campeonato foi da sua inteira responsabilidade. Por mais que queiramos reiterar sobre o “azar” que foi perder um clássico ao minuto 92 da penúltima jornada, ninguém me tira da cabeça que uma equipa que quer ser campeã não pode cometer 5 erros (!) a um minuto e meio de garantir praticamente o título nacional.

Naquelas circunstâncias, nunca o lançamento de linha lateral devia ter sido efectuado pelo lateral esquerdo, que deveria estar recuado, mas sim por um médio. Ademais, naquele momento, não se deveria fazer um cruzamento largo para a área num lance difícil para Cardozo sozinho no meio de 4 centrais. A bola tinha de ser colocada nos pés de Aimar ou Salvio para a segurarem na bandeirola. Com isto, permitiu-se um contra-ataque, no qual ninguém sabe onde andava Maxi Pereira e Roderick não teve a coragem de não permitir Kelvin passar sequer do meio campo.

Acresce a isto o Benfica ter-se subjugado a 90 minutos de mais de 60 % de posse de bola portista. Em 1991, Eriksson colocou César Brito, um avançado rápido que enganou o Porto nas costas à medida que ia atrás do resultado. Em 2013, o mestre da tática lembrou-se de Roderick, recuou as linhas e só aos 90 minutos – quando aí sim só deveria defender - é que, em busca da glória de ser campeão naquele estádio, acreditou em ganhar.

Poder-se-ia ainda dissecar ou especular sobre os benfiquistas terem começado a falar cedo demais, a ausência de Luís Filipe Vieira no jogo do estádio da Luz frente ao Estoril, de ter ficado “barricado” no balneário e não no banco de suplentes no estádio do Dragão ou da conferência de imprensa boçal de João Gabriel. Eu não o farei. Não me parece que seja a hora. Contudo, não me peçam elogios desmesurados, endeusamentos e que aceite de bom grado tarjas que digam que “as lágrimas valem mais que as taças...”.

Até porque se me vierem dizer que é cometendo erros e passando por eles que se aprende, melhora e ganha no futuro, eu responderei sempre que, em 2011, foi também o Jardel que não saltou com o Custódio em Braga.




Diálogo entre um Magrebino e um Grande Dragão

Na sequência do 'post' que o deputado Carlos Abreu Amorim colocou numa rede social com o seguinte teor "Magrebinos: curvem-se perante a glória do grande dragão", resolvi enviar-lhe um 'mail' que agora divulgo:

"Depois de ontem ter insultado milhões de cidadãos deste país que, infelizmente, o tem como seu representante num órgão de soberania, gostaria de saber se, num acto que reflectisse um mínimo de dignidade, já apresentou a sua resignação ao cargo de deputado. Pois é, dignidade... Não sabe o que isso significa, pois não?"

O deputado teve a gentileza de responder-me da forma que reproduzo, sem julgar estar a cometer alguma inconfidência:

"Tratou-se de um Twitter logo após o jogo, uma brincadeira que, aliás, já faço há anos e nunca provocou protestos. No ano passado já era deputado, fiz o mesmo e ninguém se queixou...

A expressão "magrebinos" é sinónima de "mouros", nome que normalmente se apelidam os benfiquistas a norte de Coimbra. É uma brincadeira comum, foi feia num contexto de celebração de um campeonato, não pretendeu ofender ninguém e, muito menos, ser motivo de luta política.

E não é pelo facto de ser deputado, de ocupar um cargo político há dois anos, que vou esconder as minhas escolhas clubísticas.

A ultima coisa que devemos perder é o sentido de humor.

Com os melhores cumprimentos.

Carlos de Abreu Amorim".


A esta mensagem ainda repliquei:

"Exmo. Senhor,

Cada um é livre de fazer as suas escolhas. Integrar o grupo parlamentar de um partido que está a dar cabo do país ou ser adepto de um clube que faz da trapaça o seu modo de vida são duas opções como quaisquer outras. Eu nunca as faria, mas V. Exa. saberá, como é evidente, os princípios por que rege a sua conduta. Relativamente ao motivo que me levou a dirigir-lhe o 'mail' anterior, não me parece que estejamos perante uma questão de maior ou menor sentido de humor. Tendo toda a legitimidade para festejar mais uma conquista pouco limpa de uma instituição que há 30 anos conspurca o desporto nacional, não tem V. Exa., face às funções públicas que ocupa, o direito de ofender os outros. E não compreender que o fez é ainda mais grave, embora não me surpreenda. Se até existem deputados capazes de convidar para um repasto na Assembleia da República alguém que foi condenado por corrupção desportiva...

Com os melhores cumprimentos"

Desta vez, não obtive resposta, mas o senhor deputado voltou a falar do assunto: "Ontem fiz um tweet em que brincava com amigos meus benfiquistas. Lamento se ofendi alguém, não tinha essa intenção. Foi um momento infeliz".

Cada um tire as suas conclusões.




sexta-feira, 17 de maio de 2013

A história absolverá Luís Filipe Vieira


Não escrevo um texto neste espaço de benfiquismo absoluto desde o dia 25 de Abril deste ano, o dia que considerei como “o dia da libertação do glorioso”. Como sempre, estive enganado na minha análise e perdemos na Turquia numa das piores – mas mais sortudas – exibições da temporada.

Em 2012, já no decorrer desta época desportiva, existiram duas listas candidatas ao Sport Lisboa e Benfica. Luís Filipe Vieira voltou a vencer, sem margem para a discussão, deixando promessas no ar, nas quais poucos acreditavam. Benfica é Benfica. Não é como as legislativas ou presidenciais em que os partidos se regeneram e continuam a dizer mal de quem governa. Por isso mesmo, a união entre os benfiquistas regressou e fez-se notar. 

Melhor ainda: o “estilo” do Presidente – talvez a parte que eu próprio mais criticava – mudou para o sentido certo e as promessas começaram a ser cumpridas. A equipa jogava bom futebol, ia em primeiro no campeonato e as eliminatórias europeias eram ultrapassadas passo a passo e com humildade. Também a Benfica TV foi consolidada e o fim da hegemonia da Olivedesportos foi combatida com a força necessária. E para mim – perdoem-me o egoísmo - a “cereja no topo do bolo” foi ter sido o próprio Presidente a colocar o emblema de ouro, por 50 anos de filiação, na lapela do casaco do meu Pai, quando, por motivos públicos, já não se falavam desde um acontecimento numa casa do Benfica de Palmela no ano de 2003.

A época continuava. O Benfica não parava de ganhar no campeonato e consolidava o caminho para a conquista do campeonato nacional com 4 pontos de avanço. Ajustava contas com o passado internacional recente, trazendo de volta a repetição de êxitos com os mesmos clubes do passado: Bayer Leverkusen, Bordéus, entre outras exibições de gala.

Também a equipa principal de futebol se ia tornando mais portuguesa com os Andrés (Almeida e Gomes) a cimentarem os seus lugares no plantel principal e a serem frequentemente titulares em jogos importantes.

No topo de uma época que se avizinhava perfeita, para gáudio dos adeptos e das camisolas encarnadas, o inferno da Luz reapareceu quando mais se precisava. Nunca neste novo estádio se tinha assistido à simbiose perfeita entre adeptos e equipa como naquele dia 2 de Maio em que vencemos os turcos por 3-1 com 2 golos lindos do Tacuara, que, já no decorrer desta época, conseguiu a proeza alcançar o 2º lugar no lista de melhores marcadores do Benfica nas competições europeias.

Desde esse dia para a frente, para trás ficaram as lembranças dos estádios semi-vazios ao longo da época e começaram a aparecer os benfiquistas das finais a mostrar o seu bilhete e a indicar a alguém que tinha de se levantar. Começaram a chover red passes e títulos fundadores para os bilhetes da final de Amesterdão. Toda a gente queria ver o Benfica a fazer a sua melhor época de sempre e a conquistar as três taças.

Num ápice tudo mudou. Com o empate com o Estoril em casa, muitos desistiram de ir ao Porto no sábado seguinte. Em seguida, com o golo de Kelvin aos 92 minutos vários não foram trocar o seu voucher pelo bilhete da final europeia e outros ainda, já depois do derrota de quarta-feira,  puseram à disposição o seu  lugar para o “churrasco” do Jamor no dia 26 de Maio.

Pelo meio, culpam Béla Guttmann pela sua maldição, mas não sabem do que falam. Quando o feiticeiro húngaro chegou ao Benfica em 1960, foi o único no clube que acreditou chegar à final da Taça dos Campeões Europeus e, depois de conquistar duas consecutivas, percebeu que foi pela sua experiência na abordagem estratégica e emocional do jogo que venceu as finais.

As finais não são ganhas, na maior parte dos casos, por quem mais se entrega ao jogo e “joga melhor à bola” (e que elogio merece o Benfica a esse respeito!), mas sim por quem joga com alguma “ratice” e sabe fazer as leituras certas nos momentos cruciais. Infelizmente, desde 1962, em que Guttmann se apercebeu do cansaço físico dos jogadores do Real Madrid ao intervalo, que o Benfica tem sido sempre um pouco amador e inexperiente nas finais que disputa. 

Basta ver a final de 1963, frente ao AC Milan, em que perdemos 2-1 - vejam! vejam! por favor, vejam como continuámos a jogar deliberadamente ao ataque e a sofrer contra-ataques depois de estar a ganhar 1-0! - , com Fernando Riera no banco, para encontrarmos os mesmo erros de ansiedade a correr atrás da bola durante todos os momentos do jogo (até quando só tínhamos 10 jogadores em campo!) com o Chelsea na quarta-feira passada. O mesmo se pode dizer da final de 1965 (sendo que essa é, de facto, a de maior azar...), da gestão física para o prolongamento de 1968, da forma como Silvino abordou os penalties em 1988 e do receio que mostrámos durante todo o jogo frente aos 8 italianos e 3 holandeses em 1990.

Aconteça o que acontecer, com esta chegada à final, a história absolverá Luís Filipe Vieira. Simplesmente, como tantos outros, não conseguiu, de novo, fazer melhor que todos os outros Presidentes desde Maurício Vieira de Brito e Fezas Vital, continuando a ser necessário jogar mais com a “cabeça” e não tanto com a “língua de fora” nos jogos decisivos e nas finais. É só isso que a maldição de Béla Guttmann significa. Não uma macumba de azar.

Depois da não termos ganho a final da Liga Europa, julgo que não ganharemos também o campeonato nacional, embora ainda falte um jogo, onde estarei durante os 90 minutos a acreditar. Ambos por culpa própria. Contudo, também não perdemos nenhum dos dois e temos a nossa imagem e orgulho intactos. 

“O Benfica nunca perde, às vezes não ganha”. Há muitos anos que esta frase de Artur Semedo não fazia tanto sentido como está a acontecer nesta época. E, quanto a mim, essa frase ser verdade constitui-se, de facto, como a maior prova de que o Benfica europeu e respeitado está de volta. 

Viva o Benfica! O seu presente e o seu passado!




Eu acredito!

Muitos e bons posts já foram escritos sobre a final de Amsterdão e a brilhant exibição da nossa Equipa, pelo que sobre isso não irei acrescentar mais nada, a não ser "subscrevo".

O nosso Capitão disse algo que não deve ser esquecido porque me parece fundamental: "perdemos o jogo mas ganhámos muita coisa". Estou inteiramente de acordo.

A união do Grupo de trabalho, a comunhão com o Presidente e com os Sócios e Adeptos ficou aqui forjada em sangue, suor e lágrimas, e atingiu um nível inimaginável, verdadeira Excalibur ao serviço do Benfica.

É fundamental que esta coisa preciosa mas frágil não se perca e seja a força que nos lança no futuro, sendo que neste caso o cliché se aplica e o futuro começa mesmo já no Domingo. Ganhar, ganhar ao Moreirense, eventualmente ser Campeão, depois ganhar a final da Taça e daqui a pouco tempo encarar de frente, olhos nos olhos, a próxima época.

Eu acredito! Carrega Benfica!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Que futuro?

Vou a caminho das 60 horas sem ir à cama, é possível que a minha cabeça não esteja a funcionar correctamente, precisa de descanso e não desarma. São flash constantes de pequenos acontecimentos das últimas semanas, é pensar no que mais nos pode acontecer esta época e o que poderemos esperar do futuro próximo.
Mais do que me prender no presente quero olhar para frente e equacionar o futuro. Os nossos responsáveis estão perante uma decisão de enorme dificuldade. Revejo todas as hipóteses e não chego a uma conclusão que me pareça óbvia, ou até acertada.

Sei que o Benfica não ganha um jogo desde a pequena entrevista de LFV à Benfica TV, onde assumiu a continuidade do treinador, onde quis, uma vez mais protagonismo e saiu chamuscado. Passaram-se, entretanto 10 dias, desde o jogo frente ao Estoril e perderam-se todas as hipóteses de corrigir esse erro através de uma nova entrevista anunciando a renovação do treinador e a renovação da confiança, face ao mau resultado frente ao Estoril e posteriormente frente ao fcp. O nosso presidente meteu a cabeça de fora num bom momento e recolheu-a nos maus momentos. Voltou a falar ontem, a quente, anunciando algo sem a devida maturação face à dor que estamos todos a viver. Bem sei que se deve acreditar no trabalho que a “estrutura” tem vindo a desenvolver, e se o timoneiro da equipa é peça essencial nesse trabalho e se confia que este é bem feito, então, ainda que os resultados não o sustentem deve-se manter o trabalho. Mas em consciência, alguém pode afirmar cabalmente que a continuidade do Jesus é uma certeza e é a melhor solução? Foi avaliado, se o treinador reúne condições psicológicas para continuar? Jesus, muito bem, vai reflectir. Faz bem, revela inteligência. A LFV pede-se o mesmo e ano após ano não vem revelando muita inteligência na gestão dos pormenores, com a agravante de estes originarem perda de títulos.

Não quero que Jesus saia, acredito que é bom treinador, não creio que possamos arranjar melhor. Não quero que Jesus fique, é pé frio, perde tudo em momentos que não podem acontecer, comete demasiadas vezes os mesmos erros. Quero um presidente que lidere, quero que o faça sempre da mesma forma, nos bons e nos maus momentos, quero que assuma as suas responsabilidades quando ganha mas essencialmente quando perde. Acredito que esse presidente possa ser LFV, após estes anos todos não sei se o será.
Sinto que temos que mudar algo, mas que a maioria do trabalho é correcta e bem-feita. Talvez apenas tenhamos que mudar 2 minutos da nossa história recente, ou talvez tenhamos que mudar muito mais do que isso…





segunda-feira, 13 de maio de 2013

Entusiasmo

A dor, sofrimento, até frustração, vividos no Sábado e Domingo já lá vão. Estranhamente, ou talvez não, hoje sinto-me com enorme entusiasmo pelo jogo de Quarta-feira. É certo que moralmente não estamos nas melhores condições, mas é tempo de virar costas ao campeonato e concentrar esforços na Liga Europa.
Tenho o privilégio de ir a Amesterdão ver o jogo, e quero viver este dia na sua plenitude. Quero gritar, cantar e exibir orgulhosamente as cores do SL Benfica, se ganharmos será lindo, se por acaso não trouxermos o troféu, paciência, trarei na memória que tudo fiz para viver um acontecimento que não sei quando se poderá repetir, e sinto um enorme entusiasmo por poder lá estar, pelo nosso Benfica ter conseguido essa proeza. Todos os adeptos, os que estarão na Arena, e os que acompanharão o jogo via TV, todos os jogadores, quer estejam no jogo ou na bancada, devem sentir esse entusiasmo. É um momento “único” que todos viveremos e importa desfrutá-lo.
VIVA O BENFICA.

domingo, 12 de maio de 2013

Para uma grande tormenta só adeptos extraordinários

Compreendo o post anterior do Grande Benfiquista TC concordo com o que ele diz e também eu senti a dor que ele sente. Ainda mais me chateou porque estas derrotas quase têm um requinte de malvadez, estando guardadas para o final dos campeonatos. E pior do que isso é o  meu filho a dizer-me "ó pai é sempre no final, sempre"  dói porque  temos de confortar uma criança quando na verdade por dentro estamos verdadeiramente chateados, para não dizer outra coisa.
Sei que muitos Benfiquistas vão dizer que eu devo estar louco, eque o campeonato já acabou, que eles são campeões e que eu não passo de um lirico, porque eles nas alturas decisivas não falham e se falharem aparece um Soares Dias, um Proença ou um Jorge de Sousa a fazer o trabalho habitual. Sei disso, mas também sei que o Brasil e Portugal respetivamente, eram campeões do Mundo e da Europa e foi o que se viu. Os Benfiquistas de Paços que ajudem a puxar pelos castores e podemos muito bem ter uma boa e já inesperada surpresa. Nós festejámos nos barreirros, eles festejaram no estádio do Ladrão. Falta um assalto para terminar o combate estamos em contagem decrescente mas ainda podemos ir a tempo de ganhar o mesmo. Aguardemos.
Mas não foi por isso que resolvi escrever. Faço-o porque ainda temos três finais para ganhar, e a próxima pode representar o regresso à ribalta do futebol europeu, uma conquista que já não temos imagine-se desde 1962.
Aqueles que vão a Amesterdão têm de fazer a sua parte, assim como com o Moreirense. Não vai ser um jogo com os condenados corruptos que pode pôr em causa o meu Benfiquismo, não podemos sequer colocar em causa o que somos por termos tombado com estrondo, temos uma competição para ganhar que nos pode catapultar para o Mundo. E é  nisso que temos de estar concentrados ou a nossa divisa é uma mera frase? Ontem estava triste, chateado, hoje acordei e estou como novo e QUERO a Liga Europa, QUERO QUERO E QUERO, para mim um troféu destes é mais importante que o campeonato e ainda por cima não temos nenhum na sala de troféus. Por isso temos de carregar a equipa mais uma vez, os treinadores passam, os jogadores passam, os presidentes passam e nós morremos, mas o Benfica ... esse? Continua!
Agora desculpem mas vou sair e comprar os bilhetes para o Voleibol!

sábado, 11 de maio de 2013

Dor

Gosto de futebol, mas quando o Benfica joga não consigo desfrutar do jogo, são nervos é sofrimento e muitas vezes dor, demasiadas vezes dor. 
Dias como o de hoje fazem-me recordar com saudade os tempos não muito longínquos em que não jogávamos nada, perdíamos jogos atrás de jogos e em Novembro já não lutávamos por nada. Era triste mas  não doía, fazia-me gritar, esbracejar, refilar e seguia o meu caminho. Assim, é mau demais, o Benfica existe para desfrutar dele e não para sofrer com ele.
Não sei o que vai acontecer esta semana, podemos ganhar a Liga Europa, podemos até ser campeões. Sinceramente acho que vamos ganhar ao Guimarães a final da taça e sair do estádio cabisbaixos por mais uma época absolutamente frustrante e até vergonhosa.
O que me separa de Jesus é que acho que as épocas são fantásticas com a conquistas de títulos  não são fantásticas, excelentes ou até boas com o quase. Quem quer ganhar, procura a vitoria e não procura defender um resultado a faltarem 35 minutos para o fim. 
O que me afasta de Luís Filipe Vieira, é a sua cede de protagonismo, é a sua falta de timing, é festejar antecipadamente e a sua pouca coerência. Disse que o seu treinador era JJ, que se ele iria continuar seria natural que o seu treinador continuasse também. Será natural que perante o descalabro que estamos a viver se afirme e apareça a assumir as suas responsabilidades. 
Fiquei a semana toda à espera da marcação de uma conferência de imprensa, ela não ocorreu, ficarei novamente durante a semana que amanhã se inicia a aguardar essa conferência, onde espero o assumir da defesa do treinador, onde espero o anuncio da renovação de contrato (com redução substancial do vencimento). Se tal não ocorrer, então espero a sua demissão.

Uma última palavra para Artur. Há muito que se discute quem foi o jogador do campeonato. Eu voto claramente no nosso guarda-redes, foi absolutamente decisivo em especial nos dois jogos frente ao fcp sem esquecer o Estoril.