segunda-feira, 29 de julho de 2013

Um lugar na história do Benfica

Joaquim Ferreira Bogalho não era um homem perfeito. O “homem do estádio”, como lhe chamavam, era benfiquista e isso chegava. Foi pela mão da sua liderança que milhares de benfiquistas ergueram uma das obras mais monumentais que se vira até então neste país à beira mar plantado, o estádio do Sport Lisboa e Benfica, à Luz, em Carnide, nascido para ser o maior de Portugal.

É certo que pelo meio várias construções foram alicerçadas. Todavia, desde 1954, foi preciso esperar 49 anos, até 2003, para que um novo empreendimento, construído de raiz, se voltasse a criar no complexo desportivo benfiquista.

Luís Filipe Vieira foi eleito pela primeira vez em Outubro de 2003, poucos dias depois da inauguração do novo estádio. Embora todos os participantes nessa obra, façam enorme relevo da sua participação, historicamente não foi uma obra da sua presidência. Tem lá o seu cunho, mas não tem lá o seu nome. E a história não perdoa.

É verdade que o mesmo não se poderá dizer do Centro de Estágios no Seixal, começado a ser construído em 2004 e concluído em 2006, obra que é, sem dúvida, parte do seu mandato. No entanto, a sua distância física da capital (o facto de não ser visível dentro do avião à chegada ao Aeroporto de Lisboa ou começar-se a avistar de carro logo a partir da primeira entrada da 2ª circular!) tem afastado muitos adeptos do reconhecimento da grandeza dessa obra, peça fundamental para o alto rendimento para a equipa principal de futebol e para a progressão de jovens desportistas promissores.

Contudo, foi o Museu Benfica - Cosme Damião que veio trazer definitivamente o lugar de Luís Filipe Vieira na história benfiquista. Mesmo através das melhores tentativas e da imensa abnegação de Benfiquistas como Álvaro Curado, Joaquim Macarrão, Roland de Oliveira e Alberto Miguéns, foram demasiados anos a transportar taças e a deixá-las em lugares indignos de exibir as suas cores douradas e as suas insígnias. Para o bem ou para o mal, Luís Filipe Vieira já tem o seu lugar reservado na história do Benfica. E desta feita, ao contrário daquilo que fez no Cemitério dos Prazeres há uns anos atrás, de forma humilde e meritória. As suas palavras no dia de inauguração do eternamente desejado museu, obra empreendedora e nascida da sua vontade, farão parte de todos os livros sobre o Clube que se irão escrever nos próximos 100 anos. Como ele próprio refere, "não haverá futuro sem o passado".


Continuam a faltar as vitórias no futebol e permanecem muitos detalhes por alterar no estilo da sua liderança. A título de exemplo, a Águia de Ouro, proposta pela sua direção e recebida em pleno exercício dos seus mandatos, pela qual devia ter sabido esperar, após sair a bem e consciente de ter atingido o limite das suas capacidades, deixando em boas mãos democráticas o seu legado.




Let's look at a trailer

Ao assistir aos jogos da pré época fico sempre com a sensação de estar a assistir ao trailer de um filme que não se irá estrear.

Com esta palhaçada de ter o mercado aberto até final de Agosto, nada nos diz que a equipa actual será a que irá disputar as competições a sério. Potencialmente, podem ainda sair todos e entrarem outros tantos.

Por isso é cedo ainda para comentar o facto de termos aparentemente jogadores a mais para certas posições.

No entanto, não quero deixar de apontar o facto de termos jogadores a menos nas duas posições mais importantes do futebol - guarda redes e ponta de lança.

Dizia aliás um antigo jogador brasileiro"no futebol há nove posições e duas profissões - o goleiro e o centro avante". Partilho inteiramente desta opinião.

Em relação ao guarda redes, e nem entrando pela discussão das qualidades e defeitos do Artur, é óbvio que não temos uma alternativa para o lugar. Uma equipa como a nossa tem de ter dois guarda redes de nível semelhente - e, claramente, pelo segundo ano consecutivo, não temos. Paulo Lopes e Mika podem servir para um jogo ou outro, até poderão ser os titulares nas duas Taças, têm qualidade, mas no caso de uma ausência mais prolongada do Artur podemos ter ume reedição do Rui Nereu.

O mesmo se passa ao nível de ponta de lança. Ter apenas dois, Lima e Rodrigo, é manifestamente curto para uma temporada exigente, com quatro competições.
Isto mesmo tendo em conta que este ano iremos jogar apenas com um no onze inicial, apostando em Markovic ou Djuricic ou Sulejman para um lugar que JJ descreve como "nove e meio", que o ano passado era feito pelo Rodrigo ou pelo Lima em apoio ao Cardozo.

O ideal era contratar um substituto à altura para Cardozo. Admito que não haja dinheiro para tal, mas se é assim, então que se tenha no plantel mais um ou dois dos muitos avançados que temos emprestados ou para emprestar. Acho que o Nelson ou o Kardec poderiam ter ficado, mas já é tarde. Ainda por aí andam encostados o Jara, o Yannick, o Hugo Vieira. Talvez este último pudesse ser útil que ficasse no plantel.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Espelho

Nos últimos tempos tenho-me abstido de comentar os acontecimentos desta pré-época. Sinceramente tenho sentimentos contraditórios em relação ao futuro:
Por um lado acho que o plantel, tal como está hoje, tem mais alternativas e é o mais equilibrado dos últimos anos - 4 opções para lateral direito, outras 4 para a lateral esquerda; vários defesas centrais; opções ofensivas variadas e de aparente qualidade; O meio-campo foi reforçado por Rúben Amorim e André Gomes estará mais maduro.
Por outro lado acho que as coisas estão a correr muito mal e subsistem indícios que a continuidade de JJ foi um erro. A equipa mantém as mesmas virtudes e acentua os erros defensivos (é muito preocupante a quantidade de golos que temos sofrido). Apesar de existirem 4 opções para a lateral esquerda, parece-me que são de baixa qualidade e nos centrais começa a evidenciar-se de forma mais acentuada a quebra de Luisão, estando por confirmar as valias de Lisandro e Steven Vitoria. A tudo isto deverá ser adicionado a incerteza nas permanências de Garay; Ola Jonh; Matic e Salvio, sendo a destes dois verdadeiramente preocupante.
Temos ainda a situação Cardozo: Pessimamente gerida pela direcção e treinador. Neste momento não existem condições para o avançado ficar no plantel. As coisas foram geridas de forma a comprometer qualquer possibilidade de reencontro entre as partes e assistimos a uma novela de baixa qualidade em torno da sua cedência aos turcos. LFV parece indeciso no que fazer, não aceita vender o jogador por uma diferença (segundo se noticia) de 3 milhões, nem consegue impor esse mesmo jogador ao treinador e fazê-lo regressar aos treinos (valorizando-o).

Neste enquadramento de expectativas turvas temos o lançamento da Benfica TV que em nada beneficia deste quadro pouco empolgante.
Que chegue rapidamente o dia 18 de Agosto e que se iniciam as hostilidades futebolísticas com uma vitória na Madeira. Porá fim a um ciclo de várias épocas sem vitorias na primeira jornada e dará um impulso nas expectativas dos Benfiquistas com naturais reflexos na subscrição e implementação da Benfica Tv.

domingo, 21 de julho de 2013

Com o Sporting nem a feijões


Muitos poderão afirmar que a capa de hoje do jornal Record é tendenciosa e típica de um jornal que sempre se virou mais para o lado sportinguista, assim como A Bola o faz para o Benfica e O Jogo para o clube azul e branco.

Dirão mesmo que a frase “Benfica começa a época como acabou a anterior: a perder” é um mote de desestabilização do Benfica para o início de 2013/2014 e uma forma de levantar a moral de um clube que tem andado na mó de baixo. Em primeiro lugar porque a frase não é verdadeira, visto que no primeiro jogo da época vencemos o Étoile Carouge por 6-1 e ontem foi o quarto jogo. Em seguida, porque é pré-época, é para rodar a equipa e deve-se relativizar a importância da partida. Na minha opinião, depende da perspetiva.

A Associação de Futebol de Lisboa é a mais antiga de Portugal. De suma importância para o início da prática do futebol português, teve, igualmente, um papel fundamental para a criação da entidade que conhecemos hoje como Federação Portuguesa de Futebol. A sua principal competição – o Campeonato de Lisboa, o qual não existe atualmente – é anterior à existência do Campeonato Nacional, constituindo-se como o título oficial mais antigo em Portugal e onde se iniciaram os primeiros duelos entre Benfica (ainda Sport Lisboa) e Sporting. Rivalidade essa que se estendeu para outra competição criada e organizada pela AFL a partir da época 1914/1915: a Taça de Honra de Lisboa.

Assim e para todos os efeitos, se o Record estiver a mencionar competições oficiais, aquilo que escreveu é verdade. De facto, o final da época passada não correu especialmente bem e todos desejamos que tudo seja diferente em Maio do próximo ano. No entanto e embora até se possa desvalorizar a sua importância, não deixa de ser importante os benfiquistas mencionarem que o jogo de ontem “não era um treino” para o torneio do Guadiana, mas sim uma partida no âmbito de uma competição official, com história, e a mais antiga que se encontra em vigor em Portugal .

Ademais, os próprios números oficias da AFL não estão corretos *, como descreve e bem Alberto Miguéns no seu blog Em defesa do Benfica, e, na verdade, a Taça de Honra é um título que o Benfica (18) conquistou o mesmo número de vezes que Sporting (11), Belenenses (6) e Império (1) juntos. E, tal como manda a nossa história,  “perder com o Sporting nem a feijões”.

Vou ainda um pouco mais longe: a Taça de Honra, dada a sua tradição e a atual vontade demonstrada de que a Associação de Futebol de Lisboa cresça no seio da importância do futebol português, num processo de comunicação bem explicado e simbolizado, seria um bonito título para a inauguração do museu Cosme Damião na próxima semana.



* Entre a época 1920/21 e 1946/47 foi indexada a conquista do Campeonato Regional à conquista da Taça de Honra.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Para já...

...é isto:
http://colunadaguiasgloriosas.blogspot.pt/2013/07/o-senhor-jorge-jesus-disse-que-o.html

quinta-feira, 4 de julho de 2013

1º Dia

Na segunda-feira iniciaram-se os trabalhos com vista à época 2013/14 e segundo consta, ontem realizou-se o primeiro treino de conjunto. Contudo a época, verdadeiramente, começa hoje. Não só porque a calendarização do campeonato se define esta quinta-feira, mas sobretudo, porque logo à noite é transmitida a entrevista a Jorge Jesus.

Esta entrevista é fulcral para as nossas ambições nesta temporada. Todos os temas têm que ser debatidos e minuciosamente escalpelizados: Cardozo; ajoelhar no Dragão; chorar a 10 minutos do fim do jogo no Jamor; o facto da equipa nos finais de época ficar de rastos; sofrer golos nos descontos; perder tudo em duas semanas; utilização de Roderick no Dragão; renovação do contrato; objectivos devidamente escalonados por prioridade; poder na estrutura de futebol; equipa B; formação e seu aproveitamento; Artur e os frangos de final de época, etc…

A forma como estas e outras questões serão respondidas definirá o rumo da época. Espero que a entrevista tenha sido minuciosamente preparada, espero que JJ tenha passado as últimas semanas a ser preparado convenientemente para responder às questões, exibindo muita confiança numa atitude assertiva com vista ao futuro. Espero igualmente que a realização contribua para reforçar essa imagem (dois dias parecem-me suficientes para trabalhar todos os pontos e repetir algumas situações, caso seja necessário). É na Benfica TV, em deferido. Não há como errar, ou há?

quarta-feira, 3 de julho de 2013

"Significativo"

Em comunicado o Benfica informou os Benfiquistas que os preços do Red Pass para a época 2013/14 iriam sofrer uma redução significativa. Ao ler tal informação criei a expectativa que a Direcção teria acordado para a realidade do País e que apostaria forte na presença massiva de adeptos no estádio, permitindo que muitos possam adquirir o bilhete de época, em detrimento do retorno financeiro por cada cartão vendido.


Seria um sinal que a Direcção tinha percebido da real importância de manter os adeptos/sócios junto do clube, numa altura em que a maioria conta os tostões para sobreviver neste país de politiquices.

É preciso não esquecer, que quanto maior o n.º de adeptos no estádio, maior será a contrapartida financeira resultante da venda de Merchandising, artigos de bar, etc…, permitindo compensar, em parte, a eventual quebra resultante da baixa de preço do bilhete de época.

Hoje, sou confrontado com e-mail dando conta do preço final do Red Pass, permitindo-me constatar que a significativa redução, no meu caso, foi de 10€. Ou seja, para os nossos dirigentes 10€ por ano representa uma redução significativa, o que implica, que os 10€/mês para se subscrever a Benfica TV representam o quê?

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Digam-me que é mentira!

Hoje o jornal “O jogo” traz na primeira página uma notícia preocupante.

Noticia o jornal que Cardozo terá sido notificado para se apresentar apenas no dia 17 falhando a pré-epoca enfatizando que este fora afastado do plantel.

Numa primeira análise trata-se de algo que carece de confirmação, vindo de quem vem poderá ter agenda escondida e algum propósito recôndito, contudo, até ver, o SLB não emitiu qualquer comunicado a negar na notícia e a chamar drogado ao jornalista.
A confirmar-se trata-se de uma medida escandalosa e reveladora da falta de condições para JJ liderar a nossa equipa.

Cardozo cometeu um erro grave. Fê-lo publicamente e naturalmente deve ser punido. Até aceito que se possa equacionar a sua venda numa perspectiva financeira (redução de ordenados e entrada de capital reembolsando o investimento efectuado), mas pô-lo à parte do plantel é algo verdadeiramente inacreditável. Desvaloriza o jogador e não acrescenta qualquer valia para o Benfica, JJ ou balneário.

A liderança exerce-se, conquista-se através do exemplo, da competência. As situações de desrespeito poderão sempre acontecer, o líder deve saber lidar com elas e transforma-las em algo positivo para o grupo.

Este caso tem que ser avaliado do ponto de vista da produtividade do atleta e do eventual impacto que terá no balneário a sua manutenção na equipa. Sinceramente, considerando a personalidade de Cardozo, o facto de ter reconhecido que errou não vejo qual o problema. Não sendo vendido aproveite-se o activo que ali está. JJ demonstre que é líder e perdoe o jogador retirando e exigindo dele aquilo que Cardozo tem de melhor: golos.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Possível boa noticia

Hoje, tem sido veiculada nos media, a possibilidade de Ruben Amorim regressar à Luz.
Na altura da sua saída comentei aqui que considerava um erro a sua dispensa, perante a possibilidade do seu regresso não posso deixar de felicitar essa opção.

Não considero Ruben Amorim um grande jogador, mas acho que é daqueles atletas que o Benfica deve considerar sempre como boa opção para o plantel. Trata-se de, financeiramente, um jogador barato que desportivamente preenche com alguma qualidade vários lugares. No caso, pode ser opção (boa) a Enzo Peres podendo ainda, em determinadas circunstâncias, substituir Matic, Maxi e Salvio. Para além disso é Português o que dá sempre jeito principalmente para uma equipa que no seu discurso tem presente como objectivo principal a final da champions (este assunto fica para outro post).    

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A bater no fundo!

O comunicado do SLB a respeito das noticias publicadas pelo CM é inqualificável.
Percebo a maçada que origina ver diariamente escarrapachado nos meios de comunicação social, noticias falsas que servem determinados interesses. Até aceitaria, com algumas reservas, se tal mensagem tivesse sido em desabafo, transmitida a quente, perante a insistência de determinado jornalista numa qualquer conferência de imprensa ou entrevista de circunstância. Agora, em comunicado, pensado, supostamente validado internamente, chamar, publicamente, alguém de drogado ou de consumidor de substâncias alucinogenicas é descer a um nível impensável para um clube como o Sport Lisboa e Benfica.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Boas decisões?

Depois de um período desgraçado, começam a surgir decisões para o futuro próximo. O cenário é o seguinte:
 
 - Um treinador campeão Europeu, nas condições que todos conhecemos, vai embora. Sai porque estavam a fazer uma equipa e a tomar decisões nas suas costas. Aparentemente não contavam com ele, agora não conta ele connosco;
 - Um treinador que sucessivamente nada ganha e fá-lo com requintes de malvadez, renova com aumento de ordenado (segundo diz a comunicação social);
 - O nosso n.º 10 vai embora. Quanto a mim sai com um ano de atraso, pois desportivamente há muito que nada acrescenta. Poderia e deveria sair pela porta grande pois todo o seu comportamento foi exemplar. De notar que na despedida nada disse sobre o treinador que o acompanhou em 4 dos 5 anos de águia ao peito, sendo Aimar um Sr. de grande classe é elucidativo sobre as suas relações com o timoneiro da equipa;
 - O melhor Ponta de Lança da nossa história recente (só tenho memória até 1980) parece que vai ser corrido. Teve um acto público condenável perante o seu “superior hierárquico” numa demonstração da relação existente entre ambos. Parece que esse acto é imperdoável para quem dirige os destinos do clube. Vamos esperar pelo seu substituto para opinar sobre o impacto desportivo da medida;
 - Continuamos a não ter defesa-esquerdo.
 
Isto é gestão de primeira linha, tão evoluída que ninguém percebe. Estou convencido que LFV terá algum fetiche com treinadores cujo nome se inicia por JJ. Por mais porcaria que façam, vêem os seus poderes renovados e até reforçados. Esta linha trará certamente os seus frutos ainda que estes sejam momentâneos e espaçados por ciclos de 4 ou 5 anos.

terça-feira, 4 de junho de 2013

O Hóquei também é desporto! Ou não?.....

É certo e sabido que o futebol é sempre bastante acarinhado pelos politicos, é o desporto rei, é possuidor de uma massa adepta muito grande com uma visibilidade na comunicação social gigantesca, e muitissimo desproporcionada na minha opinião relativamente às outras modalidades.
Desloquei-me ao Pavilhão para receber os nossos heróis do Hóquei, que conseguiram uma vitória que ficará para sempre gravada a ouro na História do nosso grandioso clube. Eu e muitas centenas deslocámo-nos para saudar uma equipa e lá ficámos até à 1h30 da manhã e no dia seguinte era dia de trabalho,  um esforço adicional que esta equipa muito mereceu. Antes da chegada dos hóquistas chegaram os bravos rapazes que estiveram a apoiar a nossa equipa e a sua entrada foi saudada com muitos aplausos, eu diria que também foi apoteótica, a vitória também era deles. Infelizmente, iam estragrando a festa com cânticos contra o presidente que não vou aqui reproduzir tal é o conteudo dos mesmos. Podemos não concordar mas não é justo num dia de festa, num momento daqueles, dizerem o que disseram. Goste-se ou não é o presidente do nosso clube.
Mas o texto que estou a fazer não é sobre estas situações menos positivas, é sobre o enquadramento politico sobre todas as outras modalidades. Institucionalmente o tratamento que é dado terá de ser obrigatoriamente o mesmo, ainda que os dividendos não sejam os mesmos,é uma questão de igualdade e justiça. Não seria normal os nossos CAMPEÕES EUROPEUS de Hóquei em patins serem recebidos nos Paços do Concelho?  Afinal de contas, eles não são campeões nacionais são CAMPEÕES EUROPEUS  e mereciam que o tratamento dado pela Câmara fosse pelo menos o mesmo que foi dado aos Campeões nacionais de futebol.

Por esse motivo fiz um mail para a câmara municipal que transcrevo em baixo:

Boa tarde,
Como os senhores sabem, não é todos os dias que se tem um clube campeão europeu numa modalidade colectiva. Se os vencedores dos campeonatos nacionais de futebol são recebidos na câmara municipal, era de bom  tom que o sr Presidente da Câmara recebesse a equipa de Hóquei em Patins com a dignidade e a relevância que esta conquista merece nos Paços do Concelho.
Sem outro assunto,

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Eu visto de Vermelho e Branco





Maio: o mês mais difícil da minha vida desportiva.

Quando muito poucos achavam possível perder este último campeonato de futebol, o cenário improvável aconteceu... A seguir veio uma final da Liga Europa perdida de forma absolutamente terrível e traumática. Por fim, perdeu-se uma Taça de Portugal que taõ especial é para os Benfiquistas. Além disto, também vimos fugir campeonatos de Hóquei em Patins e Andebol que para 'meia duzia' tao importantes são.

Ufa, acho que já acabei de enumerar. Custou-me muito, mas mesmo muito digerir este pesadelo. Pelo meio houve títulos conquistados de Volei, Basket e Juniores (Cancelo, tu mais do que ninguém mereces), mas não chegaram para sarar feridas.

Feridas, difíceis de cicatrizar pois foram coças e coças que levei.. Fui ao chão em todas, mas com maior ou menor dificuldade levantei-me sempre e logo de seguida estava presente junto do Meu Benfica.

E num abrir e fechar de olhos, quando também muitos poucos acreditavam, mesmo os mais optimistas, o Benfica sagra-se Campeão Europeu de Hóquei em Patins no Dragão Caixa. Depois de eliminar de forma fantástica a maior potência mundial da modalidade, o Barcelona, nas grandes penalidades com o herói improvável chamado Pedro Henriques (sim, é o guarda-redes suplente..), veio a final que de um lado todos davam como ganha e do outro lado quase todos davam como perdida. Com uma maturidade incrível e surpreendente, a equipa aguentou tudo e no fim foi feliz. A isto também se juntou um apoio fantástico de guerreiros que pela 1a vez puderam estar presentes naquele pavilhão. E que estreia. Parabéns aos que lá foram! 

Foi algo especial, foi algo único e, aqui vem a parte mais importante, foi algo que tem de servir de exemplo e estímulo para o futuro do Benfica e dos Benfiquistas. 

A este feito, para se tornar um grande dia à Benfica, nada melhor do que também sermos campeões de futebol nos Juvenis em pleno Olival. Muito talento naquele escalão. Benfica.

Para quem nas ultimas semanas tanto sofreu, este momento é importantíssimo. Para aqueles que sofreram e choraram  comigo nestes dias difíceis, esta é para vocês e em especial para o meu Pai que me ensina todos os dias (mesmo quando discordamos) o que é o Benfica. Se agora estou emocionado a escrever isto, deve-se a ti!

Para aqueles que vivem as modalidades como eu, aquela chegada da equipa é a recompensa da nossa dedicação. Que seja o ponto de viragem...

Nas próximas semanas ainda temos um campeonato de futsal para ganhar (sim, não somos teoricamente favoritos mas temos de dar tudo ao ultimo segundo), uma Taça de Portugal de Hóquei em Patins para conquistar, uma assembleia geral do clube para se 'discutir' o Benfica dentro de portas e para quem manda ainda há muitas decisões para tomar. Que o Benfica e o Benfiquismo vençam em tudo isto, são os meus desejos.

Durante a época fui acreditando que no ano em que fazia 25 anos de sócio poderia fazer a tal época de sonho. Não o conseguimos, mas como para o ano aqui estarei de novo só faço um pedido: Quero ganhar tudo!!!~

P.S. - Como e possível acontecer o que aconteceu no sábado com os adeptos do Benfica dentro e fora do Dragão Caixa?

P.S.2 - Como é possível acontecer o que aconteceu no Olival quando os juvenis venceram o campeonato?

P.S.3 - Porquê que não é sempre como na final do hóquei ou dos sub20 do basket? Enormes de parte a parte. Nunca se esqueçam: rivais sempre, inimigos nunca!


1904



sexta-feira, 31 de maio de 2013

O Catedrático do coito interrompido



Corria o ano de 2008 e tive a oportunidade de falar com um ex jogador da equipa B do Benfica. Nessa altura Jorge Jesus era treinador do Belenenses, e recordo-me de ter dito que gostaria de o ver treinar o Benfica. Achava que era alguém que entendia de futebol na forma como expunha as ideias e principalmente da forma como as equipas dele jogavam. A resposta foi esta: É bom treinador, mas manda vir brasileiros e coloca-os na equipa mesmo sendo fracos para que sejam vendidos e para através dos empresários ganhar mais algum.
Vindo de quem vinha e conhecendo as ligações que a pessoa em causa tinha ao mundo do futebol, fiquei um pouco apreensivo, mas por outro lado, pensei, fala-se tanta coisa e mesmo que viesse para o Benfica eu não ia acreditar que tivesse tão grande influência que conseguisse fazer uma coisa destas.
Entretanto, vai para o Braga faz uma boa época, e continuo a achar que podia ser um bom treinador para o Benfica. E veio, e ao contrário da maioria, de muitos que o apoiam agora, fiquei satisfeito, um treinador com tarimba, com experiência e que já tinha sido corrido em alta velocidade de outros clubes possivelmente iria agarrar a oportunidade com unhas e dentes. E assim foi, o Benfica fez uma época muito boa com um plantel feito por Rui Costa (o tal imberbe como o Vieira lhe chamou), e só claudicou com o Liverpool estrondosamente.
Ganhou o campeonato e como é muito agradecido fala com o seu amigo pinto da costa , o tal que já foi amicíssimo do Vieira, o corrupto faz-lhe uma proposta e ele como é muito reconhecido, chantageia o Benfica e obriga Vieira a transformá-lo no 10º treinador mais bem pago do MUNDO ( REPITO,  DO MUNDO).
Renova e vai vencer a Champions, diz ele, entra com uma sobranceria estúpida e bacoca e perde a supertaça o campeonato a taça de Portugal ganha mais uma vez a Taça da Liga, é eliminado da Liga dos Campeões num grupo onde está o Lyon o Schalke e o colosso Hapoel que nos espeta 3-0. Esqueci-me de dizer que foi neste ano que levámos 5-0, e começam as humilhações.
No ano seguinte tem 5 pontos de avanço somos roubados contra académica e Guimarães, mas antes disso já está em bicos de pés, neste momento temos a ÁGUIA e o pavão, e voltamos a ser roubados com os corruptos, mas voltamos a cometer erros. Eles com um meio-campo de 3 a 4 jogadores para a batalha do controlo do jogo e nós com 2 no máximo ou 1 o grande Javi Garcia para suster muitas vezes sozinho o domínio na intermédia. Mas foi sempre assim no ano anterior também. Os mesmos erros, o medo de falhar o tremer nas horas difíceis.
Este ano Jesus consegue colocar a equipa a jogar bem, faz 2 grandes adaptações, mas os brasileiros que contratou continuam emprestados sabe Deus até quando, entre eles está Airton, ele que no meio campo deu sempre boas indicações, que foi contratado por Jesus mas que não serve, e que jeito teria dado, ele e a outra resma que foi contratada, ou são todos maus? É que se são maus para que é que são contratados? Estranho…
Mas ele é o mestre, o Catedrático, o conhecedor, pois, mas é um perdedor, chamam pé frio ao Peseiro, este artista e parafraseando uma palavra que ele tanto gosta é um pé gelado, geladíssimo. Não brinquem connosco, uma coisa é ir para as bancadas como quem vê ópera ou cinema, outra coisa é estar ali a puxar pela equipa, a gritar, a ficar sem voz, e depois ficar à porta da festa, ser humilhado constantemente em própria casa.
Foi Jesus, que nos lembrou e gozou, quando se vira para o parceiro de mesa, um representante do Benfica nas conferências, e pergunta com o seu ar altivo e arrogante, há quantos anos é que não íamos a uma final europeia? Como se o Benfica fosse uma bela mer..,
Antes de ser treinador ele é homem, é o líder, o timoneiro duma equipa, e o treinador do Benfica não pode ajoelhar na casa do Ladrão, não pode, o que irão pensar os jogadores? Como é possível que o Benfica contra uma equipa B do Guimarães perca o jogo em 2 minutos? Como é possível estar empatado no ladrão e invés de fazer tempo e contenção de bola querer ganhar quando o empate serve às mil maravilhas?
Como é possível um treinador chorar porque perde numa final da Taça? Deve ser inédito, é fraco! A ciência que ele inventou é do quase ganhar, mas é muito bom, é o maior, o melhor, segundo ele, e pelos vistos muitos, esquecendo-se que teve meios e dinheiro que mais nenhum teve para contratar quem bem entendesse, em quatro anos as equipas abanaram sempre mas sempre no final. Ele gosta da nota artística mas gosta muito mais da nota para o artista, nunca atacou o seu amigo corrupto, NUNCA, mais dois anos a começar bem, a fazer bem e no final a baquear, a estoirar, ciência? Estudos? Técnicas só se for de coito interrompido!

Coisas importantes, e para variar de tema

Enquanto aguardamos todos pelo desfecho da "novela Jesus", que não se percebe porque se arrasta tanto, seja a decisão qual for, há que lembrar o Benfica não começa e acaba nisso.

Queria assim deixar uma palavra de "muita força" para as nossas equipas envolvidas em decisões importantes este fim de semana.

São elas as de Andebol (final four da Taça de Portugal), Hóquei em Patins (final four da Liga dos Campeões) e Futsal (primeiro jogo das meias finais do play-off do Campeonato).

Já agora, também jogam jogos importantes, embora ainda em fases menos decisivas, as nossas equipas femininas de Futsal (única que joga em casa) e Hóquei em Patins.

Carrega Benfica!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Problema ou solução

A novela Jesus continua e quer-me parecer que será assunto para muitos meses de discussão. Certamente será uma decisão difícil das mais difíceis da história do clube, isto porque o presidente, uma vez mais, foi imprudente, falou cedo demais e colocou-se numa situação de fragilidade pública face a uma possível decisão que não seja a continuidade do treinador.
 
Neste momento, a maioria dos Benfiquistas e comentadores desportivos reconhecem qualidades a JJ. Um treinador de vocação marcadamente ofensiva, com uma matriz de jogo agradável que proporciona espectáculos de elevada qualidade. Acresce a este facto que tem jeito para valorizar jogadores, consegue extrair destes todas as suas qualidades e pô-las ao serviço dos seus ideais e da equipa. A consequência é o aumento da receita com a venda de jogadores e performances muito interessantes nas competições Europeias.
 
A verdade é que as qualidades do treinador não têm originado os resultados esperados face ao investimento efectuado. Na verdade, nestes quatro anos, batemos todos os recordes ao nível do enxovalho sendo que este ano tomou proporções muito dolorosas. A sua atitude arrogante perante os outros, a relação difícil que mantém com os jogadores, jornalistas e treinadores adversários, o bloqueio mental que demonstra quando as coisas em campo não estão a correr bem, nomeadamente, quando joga frente a equipas mais fortes, não permitem dar o passo em frente, ou seja, ganhar troféus.
 
Neste momento, JJ tem um peso enorme no clube. É ele e o presidente (que não percebe nada de futebol) quem coordena todo o futebol do Benfica. Pelos vistos quer ver reforçada essa posição, o que terá certamente vantagens no aproveitamento da equipa B, mas tornará o clube refém do treinador o que é verdadeiramente indesejável.

Considero que a função de “Manager” extravasa, em muito, as competências de Jesus, ele é treinador, ponto final. Não podemos ficar indiferentes ao pormenor que os resultados de JJ têm vindo a piorar à medida que a sua influência e poder no clube aumentam. Veja-se que, na época inicial, em que ganhamos dois troféus, a equipa foi montada a três: Rui Costa, LFV e JJ.
 
Posto isto, a manutenção do actual treinador constituirá um problema ou será a solução?

Penso que JJ poderá fazer parte da solução desde que devidamente enquadrado numa estrutura de decisão composta por um director desportivo que perceba de futebol, reduzindo a intervenção do treinador ao treino e reduzindo a intervenção do presidente à gestão do clube. Mas será sempre uma solução a prazo, as feridas estão abertas, a confiança treinador vs jogadores e vice versa está beliscada, a relação treinador e adeptos está beliscada, não existe unanimidade, nem sequer maioria, ao nível da direcção em relação ao JJ e não creio que Jesus aceite menos protagonismo, menos poder do que detém actualmente. Parece-me evidente, face aos condicionalismos em que vivemos, que a única solução de futuro passa pela saída de Jesus, assumindo que essa decisão porá em causa o sucesso desportivo imediato, uma vez que será necessário reconstruir uma estrutura de liderança no futebol (demasiado dependente do actual treinador), será necessário reconstruir todo um modelo estratégico/táctico da equipa (marcado por 4 anos de filosofia). 

Devemos aproveitar esse ano para, de forma competente, criar um projecto global que não esteja refém de um treinador, criar uma frente de ataque aos poderes instalados no futebol Português, cuja sede reside na invicta.

Se fizermos as coisas bem, ficaremos mais próximos de ganhar, e quando digo ganhar é fazê-lo regularmente. A manutenção do actual estado de coisas até pode dar resultados no imediato, mas será o ocaso pois JJ acabará por sair do clube mesmo que consiga, finalmente, ganhar alguma coisa.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Fim de Festa

Terminou a época, a quarta do ciclo Jorge Jesus, uma época sem glória e sem um único título, a mais insólita que tenho memória, aquela que nada prometia e que tudo pareceu conquistar. Estivemos perto mas nos quatro últimos jogos e fatídicos descontos, empatamos um e perdemos três! Que dizer de uma época destas, que ilações tirar, que soluções para o futuro próximo... já em Julho a bola estará aí a rolar.

Dizer que dói muito voltar a perder, especialmente para os porcos, que esta massa adepta encarnada não merecia, foi excecional no apoio e demonstrou em Amesterdão que não há muitos clubes no mundo com esta grandeza, com esta paixão. Com esta nobreza até, patente na despedida do campeonato com um estádio repleto a aplaudir ou na festa final da taça, numa das maiores tardes de convívio das últimas décadas, depois de tamanhos desaires, é obra que só está ao alcance dos maiores.

Devemos analisar o que realmente é importante, deixar a emoção e o fracasso à saída do estádio, relativizar fatores fortuitos de uma bola que entra ou sai ao lado, qualquer que seja o minuto.

Objetivamente o Benfica ficou em segundo lugar nas três principais competições que disputou até ao fim. Não é uma má performance muito menos atendendo ao passado recente. Uma final europeia é algo marcante mas a grandeza do Benfica ambiciona mais, muito mais... Mas vamos por partes...

Primeiro > Disse-o antes do último jogo, não seria a Taça a salvar a época, queríamos mesmo era o Campeonato ou a Liga Europa, pelo que não é grande drama ter perdido a final do Jamor, para mais o Guimarães mostrou um povão fantástico, não os vi a arremessar calhaus mas em família, com mulheres e crianças em cânticos, coreografias e muita paixão pelo futebol, muito bonito de ver. Já agora uma farpa aos palermas sportinguistas (reforço, somente aos palermas) que com tantos festejos nem se lembraram que este Guimarães não é o Braga e, se engata, pode passar a terceiro grande com uma perna às costas!

Segundo > Não gostei nada da entrada, muito menos da saída da equipa no Jamor, desgarrada sem união, já não é a primeira que em situações de fracasso, fica à vista a falta de cultura de clube. É a Direção que tem responsabilidade, mais uma vez tem de impor os valores adequados à sua grandeza. Já não estamos à espera que apareçam Borges Coutinhos à frente dos destinos do clube mas que diabo, há mínimos! Meto no mesmo saco toda a trapalhada do Cardozo com o Jesus, nem sei bem quem tem razão, pode ter estoirado a panela ao paraguaio, não deve ser fácil aturar o “catedrático” há 4 anos. Sou muito crítico do Tacuara como sabem mas a verdade é que desde a meia final com o Fenerbahçe, ele subiu de produção e esteve à altura, ao contrário do Lima que se foi abaixo das canetas. O Cardozo tinha pois, alguma razão moral para estar fora dele, vejo até, algum sentir a camisola que me agrada mas mais uma vez a estrutura mostrou-se fraca a salvaguardar episódios deste nível. Igualmente fraquíssima a saída antes da entrega da taça e pior, não haver alguém a reunir a equipa com a humildade e educação para um aplauso aos adeptos à saída do relvado.

Terceiro > reconhecendo nítidas melhorias no discurso do Jesus, ainda assim foram vários os erros de palmatória e de sobranceria ao longo da época, fomos encolhendo os ombros e rezando que os 4 pontos de avanço, desta vez chegassem:

> Mudança de discurso nas prioridades da época.
> Rodagem do plantel, mesmo rodando melhor, ficou aquém do necessário, veja-se as consequências da utilização final de Martins, Aimar, Roderick, Jardel, Urreta que nunca jogaram e foram postos à prova em momentos decisivos.
> Ao contrário André Gomes, com todo o seu potêncial ficou no banco!
> Coreografia no estádio "Benfica Campeão" no derby contra o Sporting.
> Festejos da equipa na Madeira.
> Falar em "época brilhante e de sonho" a 6 jogos do final.

**Nem no meu Madeira - clube amador de futebol 11 do CIF, cometemos tamanhas sobranceiras e vamos igualmente em primeiro em plena acesa luta pelo título.

Quarto > Precisamente a ESTRUTURA ou o Departamento de Futebol Profissional, como quiserem chamar. Quanto a mim, o grande problema atual que ainda está por resolver, a verdadeira questão do momento. A Direção fez e faz um bom trabalho, recuperou o clube, credibilizou-o, conseguiu formar um plantel inegavelmente competitivo, ao dia de hoje estamos a par do Porto e reconheça-se o difícil caminho que percorreu. O presidente limou arestas e já não intervém com o despropósito de outros dias, está mais polido e salvo os resultados desportivo, já encosta o PDC ás cordas. Não vejo que o mal seja, por si só do treinador, Jorge Jesus já deu mostra de competência e não é à toa que mesmo aqueles que o assobiam, estão borrados de medo que ele vá parar à super estrutura do FCP! Porque será?

O problema é mesmo esse, a estrutura de futebol do Benfica, um problema conceptual que nos tem impedido de ir mais alem, para mais, quando competimos com um Porto que nunca olhou a meios e que, convenhamos, tem comprovada competência em todos os domínios. O Benfica tinha uma débil estrutura, o Jesus chegou e ao seu estilo, secou tudo à sua volta para poder reinar. Inicialmente os resultados foram positivos mas o JJ não é um iluminado Mourinho (...e mesmo esse!), não domina por completo todas as áreas. Ao cabo da quarta época, fica claro, até por comparação com o nosso rival, a falta de uma estrutura de apoio ao próprio treinador, uma “pescadinha de rabo na boca”… o clube não impõem uma estrutura, o treinador ao seu estilo, sobrepõem-se à estrutura mas por si só não chega, o caminho é longo, são muitas as frentes e tem de haver uma equipa forte nos vários domínios. Está aos olhos de todos esta gritante lacuna.

Olhemos a alguns exemplos de clubes europeus onde é possível identificar três tipos de organizações/lideranças:

1 > O presidente percebe de futebol e funciona como um diretor desportivo, organizando toda a estrutura, política de aquisições, rodeia-se de gente à sua imagem. O papel do treinador é treinar, poderá ter uma opinião nas contratações mas terá de ser ele a adaptar-se ao clube e ao seu modelo. É o caso do FCP com a figura do PDC, Antero Henriques e restantes membros do departamento de futebol. Julgo que no Barça o Sandro Rosell e Ulrich Hoeneß do Bayern são bons exemplos de presidentes com aprofundado conhecimento desportivo e de futebol, onde os resultados estão bem à vista.

2 > O presidente não é um expert em futebol mas é um grande líder, um gestor de craveira, conhece o clube e tem um projeto capaz. Rodeia-se de gente competente nas mais diversas áreas, como sejam financeira, marketing, modalidades ou futebol. A sua experiência de gestão e o tal projeto estruturado, permite-lhe frequentes resultados de sucesso. Talvez o Manchester seja o melhor exemplo deste modelo, o Milan e o Ajax, são outros em que na presença de uma forte cultura no clube, independente dos presidentes ou treinadores a estrutura responde por si só.

3 > Numa terceira via, o presidente também não é um entendido em futebol e dá total autonomia ao treinador. Neste caso está dependente da escolha que se reflete nos êxitos e nos fracassos do clube. Dependerá muito do treinador o tipo de estrutura com maior ou menor apoio da direção. Esta é a matriz da maioria dos clubes, onde é difícil encontrar uma política de médio/longo prazo e por conseguinte, sempre refém da equipa técnica.

O Benfica nas últimas décadas tem vivido este terceiro cenário, sucessivos presidentes, fraca formação desportiva, na gestão ou projeto para o clube, são raros os exemplos de competência. Exceção feita ao ultimo presidente Vieira que tem dotado o clube de um projeto sólido e de longo prazo mas que em termos desportivos, anda também à boleia dos diferentes treinadores, é verdade que foi aprendendo, especialmente com Camacho e com Jesus mas continuamos no quase...

É hora de dar o passo final na definição de uma estrutura competente. Ao que sei, a totalidade do departamento técnico de futebol profissional, conta já com cerca de 70 elementos, é uma mega estrutura onde não faltam recursos. Estou certo que estamos bem próximos, já não estão em causa grandes revoluções mas apenas o consolidar do projeto. O grande perigo de uma época terrível como esta, é a mudança radical de estratégia e não servir simplesmente para cerrar fileiras e eliminar os últimos erros.

Tanto Vieira como Jesus têm a seu favor a grande capacidade de terem evoluído, foi muito nítido no decorrer da última época, melhoraram em vários domínios, sobretudo na comunicação. O final foi penoso e poderá precipitar decisões mas em qualquer dos casos, em nada me oponho à continuidade, nem me parece estar aí a grande questão!

A estrutura de futebol cada vez mais exigente e profissional e uma clara definição do presidente face à estratégia geral do clube, são estas sim, as verdadeiras questões chave! obrigatoriamente terá de passar por medidas tão simples como:

> Terminar promiscuidade de interesses internos nos passes dos jogadores.
> Aposta clara nos jogadores portugueses e da formação.
> Assumindo que vendemos 1/2 jogadores/época, com encaixe >20M€ /cada.
> Aquisição de 2/3 novos craques emergentes 5/7M€ /cada.
> Restante renovação proveniente da formação e de outros clubes portugueses.

Não havendo capacidade para reforçar a estrutura parece-me mais seguro continuar com o Jesus, caso haja essa capacidade estou certo que estaremos próximos do sucesso quer seja com o JJ, quer venha um novo técnico. Neste segundo cenário tenho a fezada que o Marco Silva do Estoril vai ser um grandíssimo treinador. Alem do discurso e resultados das últimas épocas foi o único que assumiu a continuidade do projeto no seu clube, é um bom indício mas ainda assim acreditarei sempre mais na continuidade do Jesus para uma quinta época.

Tem a palavra o Excelentíssimo presidente Luís Filipe Vieira, a Nação Benfiquista, aguarda com expetativa...
 Lourenço Cardoso Menezes

terça-feira, 28 de maio de 2013

Talvez seja melhor mudar agora

Há dias, depois de Amsterdão e antes do Jamor, escrevi aqui isto:


O nosso Capitão disse algo que não deve ser esquecido porque me parece fundamental: "perdemos o jogo mas ganhámos muita coisa". Estou inteiramente de acordo.

A união do Grupo de trabalho, a comunhão com o Presidente e com os Sócios e Adeptos ficou aqui forjada em sangue, suor e lágrimas, e atingiu um nível inimaginável, verdadeira Excalibur ao serviço do Benfica.

É fundamental que esta coisa preciosa mas frágil não se perca e seja a força que nos lança no futuro, sendo que neste caso o cliché se aplica e o futuro começa mesmo já no Domingo. Ganhar, ganhar ao Moreirense, eventualmente ser Campeão, depois ganhar a final da Taça e daqui a pouco tempo encarar de frente, olhos nos olhos, a próxima época.

A questão central era a do capital de confiança e, mais do que isso, de amor, que os adeptos deram a esta equipa mesmo depois de dois fracassos. Essa devia ser a alavanca para um "novo começo".

Só que esse "novo começo" implicava vencer no Jamor. Com a derrota, o balão esvaziou-se, perdeu-se o momento, foi-se a confiança.


É por isso que tenho dúvidas que manter JJ seja a melhor opção. Fazê-lo poderá ser prolongar uma agonia que hoje é palpável entre os Benfiquistas. Arriscamo-nos a fazer um contrato chorudo com um treinador que, sente-se, ao primeiro erro será despedido como foi Fernando Santos (e com uma indemnização choruda).

Quatro anos é um ciclo longo. Muita coisa mudou para nelhor, JJ fez um trabalho de qualidade, estivemos numa final europeia, ganhámos bom dinheiro com a valorização de jogadores.

Mas infelizmente num mundo de competição o bom trabalho é necessário mas não suficiente para garantir resultados - leia-se títulos. Nos momentos decisivos, falhamos - parece-me a mim que sobretudo porque falha a liderança.

Trabalhar bem no dia a dia não é o mesmo que ter aquele "factor extra" de liderança que nos momentos chave garante que o grupo se une e se supera para atingir o objectivo. Esse "factor extra" poucos o têm - e JJ não provou tê-lo.

Pensemos que num campeonato que cada vez mais é decidido "a dois", temos sete jogos seguidos sem vencer contra o nosso principal adversário. Sete. Deve ser um record negativo na nossa História, e é um factor preocupante.

Pensemos que, há um mês, para ganhar campeonato e taça bastava vencer três jogos (dois dos quais em casa!) contra adversários  acessíveis, e não o conseguimos.

Pensemos que os resultados globais nestes quatro foram bons, nomeadamente em termos europeus, mas em termos de títulos só piorámos - campeonato e taça da liga no 1º ano, só taça da liga no 2º e 3º, nada no 4º.

Pensemos também, porque não é um factor negligenciável, que JJ não está a receber por objectivos mas tem um salário base ao nível dos quinze ou vinte mais bem pagos da Europa.

Por tudo isto, digo: certezas não tenho, mas inclino-me mais para que seja agora a melhor altura para mudar.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

FRUSTRADO PARA NÃO ESCREVER F.....

Estou á beira de um ataque de nervos. Por tudo e por nada. Com e sem razão.
Quem esteve ontem no Jamor sabe que as bancadas estavam inundadas de perucas á Jorge Jesus, revelando uma grande sintonia entre a maioria dos adeptos do Benfica e do seu treinador, a exemplo do que tinha acontecido no último jogo em casa aquando do anuncio do seu nome na apresentação da equipa, de longe o mais aplaudido. Bastou um pontapé falhado do nosso guarda-redes seguido de uma má decisão do fiscal de linha e tudo mudou. Nunca o de bestial a besta se aplicou tão bem.

Findo o jogo tudo o que ouvi e li só agravou o meu estado de saúde. Independentemente das culpas próprias estas são ínfimas comparadas com a realidade dos factos. Na partida de ontem, no minuto decisivo, não foi o Jesus que aliviou mal a bola, e não foi o Vieira que validou um golo ilegal (não referindo as inúmeras incidências ocorridas durante os 90 minutos, escandalosamente habilidosos como normalmente são as actuações do super dragão Jorge Sousa). Com a mesma performance e vencido o jogo por um a zero tinha sido uma festa e nada se falava. Agora face o insucesso alguns sugerem que um presidente eleito á meia dúzia de meses por 90% dos votos deve sair. Um treinador aclamado deve ser demitido. E até estranhamente apontam a falta de humildade dos nossos responsáveis pelos desaires.

Eu pergunto quem mais ganha em Portugal nos últimos 25 anos? Os norte-coreanos.
Qual a formula do seu sucesso? A batota.

Os anos sessenta e setenta já passaram, com romantismo o Benfica só ganhará quando perfeito e a norte se estiver muito em baixo. Não por coincidência os últimos dois títulos foram no ano do apito dourado e no do famoso túnel em que existia no conselho de disciplina gente realmente séria e mesmo assim através do Braga os de sempre tudo tentaram para impedir a nossa vitória. Há muitos anos que a máxima de Mário Wilson só faz sentido na coreia-do-norte porque a competição está viciada. Entregando campeonatos a qualquer Vitor Pereira.

A minha critica de sempre á actual e anteriores direcções do Benfica, é o silencio e a não denuncia permanente da vergonha do nosso futebol. Ontem foi um exemplo, a última jornada do campeonato foi outro. Se calamos é porque consentimos. Assim não há treinador nem jogadores que resistam.

As primeiras páginas dos jornais, as aberturas de noticiários de rádio e televisão após a nossa vitoria frente ao Sporting só falavam dos erros do Capela que tinham prejudicado os lagartos. Ontem e na última jornada do campeonato os mesmos órgãos de comunicação social optaram por glorificar os vencedores e esquecer os erros de arbitragem. Com a bênção dos nossos responsáveis e também de muitos adeptos.