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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Serenata à chuva perante o Mourinho de trazer por casa

O Benfica voltou às goleadas, o que não acontecia desde o jogo com o Nacional, e não deixa de ser notável o facto de a vitória expressiva ter sido sob chuva, que empapou o relvado e condicionou o resultado, porque a equipa, com melhor tempo, podia ter igualado, pelo menos, os oito golos que marcou ao V. Setúbal. No entanto, o mais importante são os três pontos e voltar a estar em igualdade com o Sp. Braga.

Cardozo provou, novamente, que é um «bombardeiro» implacável. Marcou três golos e podia ter conseguido mais um ou dois. Claramente, trata-se de um jogador fundamental e o mais difícil de substituir, caso saia por lesão, castigo ou vá para outro clube. Finalmente, o Benfica pode ter um futebolista capaz de ser o melhor marcador do campeonato: desde 1990/91, que não há nenhum benfiquista que imite Rui Águas neste «ranking»; em 2002/2003, Simão marcou os mesmos golos do que Fary, mas perdeu o troféu, porque totalizou mais minutos.

Saviola só marcou um, mas foi o grande golo da noite e o argentino é a melhor contratação da temporada. Um talento puro, que me surpreende cada vez mais, e merece ir ao Mundial.


Mourinho mas pouco

Achei piada quando André Vilas Boas apareceu como possível salvador da pátria do Sporting. Poderá, no futuro, ser bom treinador, mas sair das «asas» de Mourinho e voar, de imediato, para um «grande» seria um disparate. Como Mourinho há poucos, e quem o compara com o nosso ex-treinador, esquece-se que tem um percurso totalmente diferente: é um sobredotado, nasceu a ver jogos e a fazer relatórios para o pai, foi adjunto no Vitória de Setúbal, Estrela da Amadora, Sporting, FC Porto e Barcelona, antes de chegar ao Benfica.

Vilas Boas, como cópia limitada do mestre, consegue «levar 4» do Benfica e dizer que o resultado não foi uma goleada. Fantástico! Naturalmente, comparando com os 8-1 do encontro com o V. Setúbal, não foi um resultado tão expressivo. Só lhe faltou dizer que merecia ganhar, mas esteve perto de tal proeza: sem que ninguém lhe perguntasse, fez questão de salientar que houve um penálti por marcar, devido à falta sobre o Éder. Não me lembro do lance, nem quero, mas dizia o Mourinho II que a Académica teria feito o 3-1. Toda a gente sabe que, com este tento, o adversário iria transformar-se e empataria ou ganharia por 4-3... Ridículo! Enfim, perdeu excelente oportunidade para estar calado.




domingo, 13 de setembro de 2009

O herdeiro de Maradona

Já tinha (tínhamos) saudades de um Benfica assim: dominador, com um futebol simples e extremamente eficaz, veloz sempre que é necessário, e, mais do que tudo, ver a equipa com espírito de sacrifício, a partir para «cima» dos adversários, logo nos primeiros segundos, como acontecia frequentemente no velho Estádio da Luz.

Começa a ser hábito, o Benfica criar perigo logo nos instantes iniciais, a intimidar o adversário, seja Belenenses, Vitória de Setúbal ou AC Milan.

Já aqui escrevi que, mesmo que o futebol não seja o melhor, Di Maria, Cardozo, Saviola e Aimar (finalmente, parece livre de problemas físicos) podem, a qualquer momento, decidir um jogo, mas parece que é preciso acrescentar Ramires, Javier Garcia ou ir ao banco e «puxar» por Fábio Coentrão.

Não costumo dizer que este ou aquele jogador é o novo Eusébio, Pelé ou Maradona, mas o golo de Saviola trouxe-me à memória D. Diego: A forma como «agarrou» a bola no meio-campo de um estádio, que não tinha tanta gente desde uma famosa eliminatória do Belenenses com o Barcelona há mais de 20 anos, foi deslumbrante. Passou, totalmente inalcançável, pelos adversários, parecendo que a missão era fácil, mas os génios têm este hábito de tornar simples o que os comuns mortais nunca conseguiriam fazer, mesmo que os atletas do Belenenses estivessem «colados» ao relvado e o guarda-redes jogasse com os olhos vendados. Mas enquanto o actual seleccionador argentino só «tinha» pé esquerdo, Saviola criou o golo com os dois pés.

A jogar assim, a dúvida não é saber se a equipa vai ganhar, mas, sim, quantos golos marca.