quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Primeira ideia sobre o Relatório e contas



Ainda que careça de análise do relatório completo a divulgação em comunicado dos números genéricos é possível retirar algumas ideias e aferir da qualidade do relatório.

Num contexto em que se apresenta, segundo os próprios, os melhores resultados de sempre é natural que a generalidade dos números sejam agradáveis à vista, sendo possível verificar situações muito positivas e outras que não o serão, ainda assim na globalidade os números são interessantes.

Vamos por partes: 

 - O aumento do Activo em cerca de 30 milhões combinados com a redução do passivo em cerca de 17 milhões e um resultado líquido de 44 milhões é uma boa notícia. Poderemos sempre especular que o valor reduzido no passivo é curto, mas há luz dos números e das opções tomadas em exercícios anteriores, não havia grandes condições para fazer melhor. 

 - O que poderemos ainda concluir é que a redução do passivo para valores na ordem dos 200 milhões, que foi mencionado em tempos por LFV, é ainda uma miragem só possível no curto prazo com o aumento exponencial das receitas. 

 - Pagamento em comissões por transações de atletas situou-se nos 20 milhões, ou seja, cerca de 16,5% o que compara favoravelmente com os 18,30% do ano anterior. 

 - Redução do endividamento em cerca de 20 milhões o que entronca na redução do passivo. A conversão de 100 milhões de empréstimos de curto prazo em longo prazo é uma medida de gestão muito interessante.

 - Resultados operacionais excluindo as transações de atletas mantêm-se equilibrados favoravelmente, contudo verifica-se as seguintes duvidas/alertas/preocupações:


  • Aumento da rubrica de gastos de pessoal excluindo o plantel em mais de 13 milhões (prémios; inflação, Nhagas ou luvas aliviando a rubrica de comissões, não percebo);
  • Direitos televisivos aumentam 2,1 milhões – falta perceber se foi especializado o valor de contrato até final do ano ou não. Se não foi, então é um excelente indicador, caso se verifique então terei duvidas se financeiramente ficamos a ganhar com a opção NOS e jogos às 21h00 com a respectiva redução na receita de bilheteira;
  • As receitas operacionais na vertente comercial em ano de tetra desceram compensadas nesta fase com a bilheteira. Uma má performance desportiva implicará o desequilíbrio da rubrica o que é natural mas importa estar atento. Mais um dado que remete para a necessidade de vendas de atletas e performance desportiva.

- Aspecto menos positivo deste comunicado/relatório está no aumento do activo na proporção de 9 milhões via reavaliação/valorização do plantel. O registo de imparidades em 8 milhões que não percebo muito bem a sua origem mas penso que estas questões poderão estar interligadas com efeitos nos exercícios posteriores (ex: Mitroglou avaliado em 30 milhões e transacionado por 15). 

Em jeito de conclusão, parece evidente que a máquina que impulsiona a SAD é o futebol e se a bola entra ou bate na trave. Se entrar tudo corre melhor se não entrar os reflexos fazem-se sentir a todos os níveis, por isso convém fazer as coisas bem para termos resultados desportivos compatíveis com as nossas ambições. Nos últimos dois anos desportivamente vamo-nos pondo a jeito com sucesso no primeiro ano, neste veremos.  

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A ladainha não é o caminho



Quando as coisas correm mal vem logo a tendência facilitista para procurar culpados gratuitos e preferencialmente terceiros, no caso o árbitro.

Em função da nossa abordagem ao mercado, era previsível que as exibições da equipa piorassem e a consequência direta no resultado se fizesse sentir. Bem sei que o resultadismo inibe a análise cuidada mas o Benfica apesar de ter sido tetra já não praticava um grande futebol, apenas ganhava, era eficaz porque tinha um plantel que permitia sê-lo ofensivamente (ainda mantém) e defensivamente mas não jogava bem. 

Culpar o arbitro quando:

 - Alguém acha que Lisandro pode ser titular ou suplente de uma equipa com ambições;

 - Se aposta para titular em jogadores com visíveis dificuldades físicas pese a sua inegável qualidade (Jonas e Pizzi);

 - Se mantém uma preparação física débil que origina constantes lesões musculares e de difícil recuperação;

 - Um treinador ao bom estilo dos anos 90 a única solução que apresenta é tirar um lateral para colocar um avançado;

 - Num jogo em que nada se conseguiu produzir em termos ofensivos com excepção da ala esquerda (Grimaldo e Zivkovic) se opta por, de uma assentada, dinamitar essa única linha de qualidade que vínhamos evidenciando;

 - Já com a equipa em anarquia completa, sem meio campo desde os 60 minutos (para ser simpático) retira do campo um central para colocar o defesa direito a central e lançar no jogo mais um avançado;

 - Se percebe que a estrutura prefere investir muitos milhões no betão em vez de investir nas modalidades desportivas que são o verdadeiro baluarte do clube. Será que o investimento em colégios no Seixal não seria compatível com a manutenção do investimento em planteis (das várias modalidades)?  

Os problemas são internos e não de terceiros o que nos é favorável pois podemos corrigi-los, moldá-los e das fraquezas fazer as nossas forças, estou certo que no imediato as coisas vão melhorar para isso basta que Pizzi e Jonas melhorem os seus índices físicos e que Jardel e Fejsa voltem ao leque de opções. Em Janeiro, colmatar alguma lacuna mais urgente.

Em termos estruturais, penso que a aposta no Seixal deveria ser efectuada num modelo de auto-suficiência independente do orçamento/investimento nas modalidades desportivas.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Golo barato



Aparentemente para os responsáveis do Benfica o golo está barato, pelo menos quando estamos na condição de vendedores. A venda de Mitroglou desportivamente, considerando as duas épocas em que foi absolutamente decisivo marcando mais de 50 golos muitos deles fulcrais, é muito preocupante, percebo que o jogador queira sair, percebo igualmente que aos 29 anos não teríamos muitas oportunidades para realizar encaixe, mas 15 milhões parece-me curto (a questão dos 50% parecem-me balelas iguais a tantas outras que visam compor o negocio mas não se traduzem em nada real). 

Por contraponto na posição de compradores não nos inibimos de pagar fortunas por jogadores que não apresentam no curriculum a capacidade de por a bola na baliza de forma regular. Jimenez (22 milhões), Gabigol (25 milhões) e o Seferovic (custo 0?) têm em comum o facto de serem avançados mas marcarem poucos golos. Será que RV tem escondido, ou acredita a estrutura que o tem, alguma poção mágica em que transforma os jogadores em máquinas goleadoras capazes de resolver com enorme eficácia a incapacidade futebolística que a equipa vem revelando? Vamos acreditar que sim.

A actuação do Benfica no mercado foi ao nível da exibição na primeira parte em Vila do Conde: paupérrima. Vendemos 4 titulares mais 30 excedentários realizando mais de 150 milhões e revelamos uma incapacidade total para conseguir reforçar o plantel resumindo as contratações a dois brasileiros de qualidade duvidosa que chegam por empréstimo apenas no último dia de mercado apesar do Douglas estar referenciado há 2 meses. Estou ansioso para ver as nossas contas e o reflexo real destes negócios.

O RV não é o melhor treinador do mundo, a estrutura não lhe facilita em nada o trabalho bem pelo contrário, se o penta for uma realidade passo andar com a fotografia dele na carteira e assumo de uma vez por todas que não percebo nada de futebol.